A música de 1965 que fundou o som do rock clássico, segundo Jimmy Page
Por Gustavo Maiato
Postado em 02 de setembro de 2026
O som que hoje define o classic rock não nasceu num estádio nem num disco clássico, mas numa sessão de estúdio quase esquecida de 1965. Quem afirma isso é Jimmy Page, que estava atrás da mesa de som naquele dia, em Londres, na condição de produtor contratado. As declarações do guitarrista, publicadas originalmente pela revista Trouser Press, foram recuperadas pela Far Out Magazine.

A faixa em questão é "I'm Your Witchdoctor", escrita por John Mayall e gravada com os Bluesbreakers para o selo Immediate. Na guitarra estava Eric Clapton, então um músico de 20 anos que havia deixado os Yardbirds para tocar blues. A combinação que ele levou ao estúdio - uma Gibson ligada a um amplificador Marshall - se tornaria a receita padrão do rock britânico. "Eric foi o primeiro a desenvolver o som com a Gibson e os amplificadores Marshall; ele merece todo o crédito por isso", afirmou Page.
Page, que já acumulava anos como um dos músicos de estúdio mais requisitados e mais bem pagos da Inglaterra, ocupava a cadeira de produtor. Ele conta que Clapton chegou à gravação com o timbre inteiramente resolvido. "Eu me lembro de quando gravamos 'I'm Your Witchdoctor', ele já dominava todo aquele som", disse. O que soava natural para os dois, porém, não fazia o menor sentido para o profissional que operava os equipamentos naquela tarde.
O técnico de gravação, acostumado a registrar orquestras e big bands, interrompeu a sessão no meio. Segundo o relato de Page à Trouser Press, o homem simplesmente desligou a máquina e declarou que aquele guitarrista era impossível de gravar. O produtor mandou que ele seguisse rodando a fita e assumiu pessoalmente a responsabilidade pelo resultado. A distorção, o feedback e a saturação do amplificador no talo eram, para o técnico, defeito; para Page, matéria-prima.
O choque de gerações aparece com clareza na forma como Page descreve a cena. "O cara simplesmente não conseguia acreditar que alguém estava tirando aquele tipo de som de uma guitarra de propósito", contou o futuro fundador do Led Zeppelin. Feedback e tremolo, segundo ele, eram novidades absolutas para quem passara a carreira captando arranjos limpos e previsíveis. A ideia de sujeira intencional não cabia no vocabulário técnico da época.
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