O inesperado encontro de Elton John e death metal do Dying Fetus no mesmo álbum
Por Gustavo Maiato
Postado em 02 de setembro de 2026
O Turnstile lançou "Never Enough: Versions", um projeto que reúne artistas de campos irreconciliáveis para regravar as faixas do álbum que a banda de Baltimore havia colocado nas ruas no ano passado. A lista de convidados vai de Elton John a Dying Fetus, passando por Hayley Williams, Slayyyter, Four Tet, Julien Baker e Blood Orange. Em análise publicada pela Louder, o crítico Merlin Alderslade classificou o resultado como um dos projetos mais ousados e interessantes de 2026.

Segundo a resenha, Slayyyter transformou "Birds" em electroclash, aproveitando os recursos que fizeram de "Worst Girl In America" um sucesso. O Dying Fetus pegou a mesma música, descartou os riffs de hardcore e a devolveu como death metal - brutal ao ponto certo, segundo Alderslade. É o tipo de contraste que sustenta o disco inteiro.
O restante da seleção mantém a lógica de embaralhar territórios. Elton John cobriu "Seein' Stars" com piano cintilante e vocais em eco, num resultado inesperadamente surreal. Hayley Williams levou "Ceiling" para o soul de combustão lenta. Dan Deacon trocou o hardcore com pegada mariachi de "Dreaming" por drum 'n' bass eufórico, enquanto Floating Points converteu "Sole" em hard house pulsante e Brandon Woody preferiu jazz de saxofone arrastado.
Nem tudo se sustenta. A Louder aponta que a abertura com Porches, em "Never Enough", começa o disco em nota errada, e que a versão de Chanel Beads para "Dull" leva o título ao pé da letra. São ressalvas pontuais num conjunto que o veículo considera bem-sucedido - a conclusão do texto é que o mundo agora pertence ao Turnstile e o resto apenas mora nele.
O contexto ajuda a explicar o alcance da convocação. "Never Enough" foi recebido como clássico instantâneo, funcionando como companheiro de "Glow On", de 2021, e ampliando a fórmula de punk de arena com verniz pop que a banda vinha refinando. Meses antes do lançamento, Charli XCX já citava o grupo no encerramento de sua apresentação como headliner no Coachella - sinal de que o quinteto havia ultrapassado as fronteiras do hardcore americano bem antes de convidar Elton John para o estúdio.
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