O trabalho do Metallica que James Hetfield admite que não funciona bem ao vivo
Por Bruce William
Postado em 09 de outubro de 2026
"St. Anger" continua sendo um dos discos mais discutidos da história do Metallica. Lançado em 2003, em meio a uma fase turbulenta para a banda, o álbum dividiu fãs por causa da produção crua, da bateria de Lars Ulrich e de músicas longas e agressivas. Para James Hetfield, porém, o problema nunca esteve apenas no som.
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Anos depois, o vocalista explicou que enxerga o disco como uma espécie de descarga emocional. "Foi mais uma declaração do que música do Metallica que gostamos de tocar ao vivo", afirmou. Segundo ele, "St. Anger" funcionou como uma purgação de tudo o que a banda estava atravessando naquele momento.
A gravação aconteceu durante um período especialmente complicado. Jason Newsted havia deixado o grupo, Hetfield passou por tratamento para dependência química e as relações internas estavam desgastadas a ponto de quase interromper a trajetória do Metallica. Boa parte desse processo acabou registrada no documentário "Some Kind of Monster".
O resultado foi um disco bem diferente dos anteriores. As músicas evitavam solos de guitarra, apostavam em estruturas extensas e repetitivas e carregavam um clima de tensão constante. Faixas como "Frantic", "Some Kind of Monster" e a própria "St. Anger" pareciam mais uma fotografia daquele momento da banda do que material pensado para permanecer décadas no repertório.
Hetfield nunca chegou a renegar o álbum, mas admitiu que ele não funcionava tão bem fora daquele contexto. Para ele, o disco precisava existir para que o Metallica pudesse seguir adiante, mesmo que depois algumas daquelas músicas não encontrassem espaço natural nos shows.
Com o passar dos anos, a banda continuou tocando algumas faixas de "St. Anger", principalmente "Frantic" e a música-título, mas o álbum ficou bem menos representado nos setlists do que trabalhos como "Master of Puppets", "Ride the Lightning" ou o chamado Black Album.
No caso de "St. Anger", portanto, o próprio Hetfield parece enxergar o valor principal menos como coleção de músicas feitas para o palco e mais como registro de sobrevivência. O Metallica precisava colocar aquela fase para fora - mesmo que depois não tivesse tanta vontade de revivê-la noite após noite.
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