O guitarrista que Ian Anderson admirava tanto que foi acusado de imitar
Por Bruce William
Postado em 19 de outubro de 2026
O Jethro Tull passou por mudanças consideráveis durante os anos 1980, tanto em sua formação quanto na sonoridade. Ian Anderson, que nunca teve grandes problemas em experimentar caminhos diferentes, acabou encontrando uma referência importante no trabalho de Mark Knopfler, guitarrista e vocalista do Dire Straits. A admiração foi tanta que chegou a influenciar diretamente a maneira como o grupo gravava suas músicas, embora isso tenha provocado algumas comparações nada agradáveis.
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O primeiro contato de Anderson com o estilo de Knopfler aconteceu quando ouviu "Sultans of Swing" no rádio de um carro, durante uma turnê pelos Estados Unidos. Em uma entrevista à Guitar Player, publicada em 2025, ele recordou que ficou impressionado com a maneira peculiar, controlada e percussiva como o guitarrista tocava com os dedos. Depois, comprou Love Over Gold, lançado em 1982, e encontrou em "Telegraph Road" outro motivo para admirar o músico.
"Comprei esse álbum e admirei muito seus solos controlados e espaçosos em 'Telegraph Road'. Um homem com disciplina musical combinada com explosões ardentes de exuberância juvenil", declarou Anderson, que colocou o disco entre os dez álbuns que mudaram sua vida. A influência acabaria aparecendo especialmente em "Crest of a Knave", lançado pelo Jethro Tull em 1987, trabalho no qual as guitarras de Martin Barre frequentemente foram comparadas às de Knopfler.
Já em uma entrevista concedida ao músico e escritor Paul Roland, Anderson admitiu que a aproximação foi deliberada e que a recepção nem sempre foi positiva. "Fomos, de fato, muito criticados pelo sabor de Dire Straits do último álbum", contou. Por isso, ao trabalhar no sucessor, "Rock Island" (1989), ele e Barre procuraram evitar aquela sonoridade. O guitarrista passou a usar menos determinados captadores, enquanto Anderson voltou a cantar em registros mais altos e de maneira mais vigorosa.
Mas o líder do Jethro Tull também tinha uma história interessante para contar sobre o outro lado dessa relação, relembra a Far Out. Segundo ele, em 1981, Knopfler telefonou para o fabricante das guitarras de Martin Barre e encomendou alguns instrumentos. Quando perguntaram qual sonoridade desejava, teria respondido: "Quero o som que Martin Barre, do Jethro Tull, consegue". Anderson reconhecia a originalidade de Knopfler, mas lembrava que certos timbres e técnicas inevitavelmente aproximavam guitarristas que trabalhavam dentro da mesma linguagem musical.
Para explicar seu raciocínio, Anderson comparou a situação com a própria experiência como flautista. Ele havia desenvolvido uma maneira característica de tocar, incorporando sons respirados e técnicas vocais que já tinham antecedentes no jazz, especialmente no trabalho de Roland Kirk. Ao levar esses recursos para o rock, porém, acabou criando uma associação tão forte com o Jethro Tull que outros flautistas passaram a enfrentar comparações semelhantes.
Anderson também lembrou que Knopfler havia sido comparado a Bob Dylan no início da carreira, justamente por causa de seu jeito de cantar. Para ele, essas semelhanças eram parte da história da música: artistas desenvolviam suas próprias características a partir de referências anteriores, e o sucesso de determinada sonoridade acabava tornando qualquer aproximação posterior mais evidente. No caso do Jethro Tull e do Dire Straits, o que começou como admiração musical acabou gerando acusações de imitação, apesar de ambos possuírem identidades bastante particulares.
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