10 grandes discos póstumos que se tornaram parte importante da história do rock
Por Bruce William
Postado em 16 de outubro de 2026
Álbuns póstumos são terreno perigoso. Às vezes existe um trabalho praticamente terminado que o artista simplesmente não viveu para ver lançado. Em outros casos, familiares, companheiros de banda e gravadoras precisam decidir o que fazer com demos, sobras e gravações incompletas. O resultado pode ser oportunismo - ou um disco que acaba ocupando lugar importante na discografia.
Melhores e Maiores - Mais Listas
A Far Out reuniu dez exemplos em que a segunda hipótese prevaleceu. Um dos casos mais fortes é "Apple", do Mother Love Bone. O disco já estava concluído quando Andrew Wood morreu de overdose em março de 1990, aos 24 anos, poucos meses antes do lançamento. A banda terminou logo depois, e Stone Gossard e Jeff Ament seguiriam adiante até formar o Pearl Jam.
Outro exemplo praticamente pronto é "Grievous Angel", de Gram Parsons. Gravado em 1973 com nomes como Emmylou Harris e James Burton, o álbum saiu em janeiro de 1974, quatro meses depois da morte do músico aos 26 anos. Com "Pearl", de Janis Joplin, aconteceu algo semelhante: faltava registrar apenas o vocal de "Buried Alive in the Blues" quando ela morreu em outubro de 1970. O disco seria lançado no início do ano seguinte e chegaria ao topo das paradas americanas.
"Closer", do Joy Division, talvez seja o caso mais sombrio da lista. O álbum já estava gravado quando Ian Curtis morreu em maio de 1980, às vésperas da primeira turnê americana da banda. Lançado dois meses depois, acabou inevitavelmente ouvido à luz da morte do cantor, especialmente por causa de músicas como "The Eternal" e "Decades".
Roy Orbison também não chegou a assistir ao sucesso de "Mystery Girl". Depois de passar boa parte dos anos 1980 fora do centro das atenções, ele vivia uma retomada que incluía o Traveling Wilburys e novas gravações com Jeff Lynne, Tom Petty e Mike Campbell. Orbison morreu em dezembro de 1988; lançado no mês seguinte, o álbum chegou ao quinto lugar nos Estados Unidos, a melhor posição de sua carreira.
Em "Milk and Honey", lançado em 1984, Yoko Ono reuniu gravações feitas com John Lennon durante as sessões que também produziram "Double Fantasy". Lennon havia retomado a carreira depois de cinco anos afastado e planejava inclusive voltar aos palcos quando foi assassinado em dezembro de 1980. Entre as músicas recuperadas estavam "Nobody Told Me" e "Borrowed Time".
Há casos bem mais complicados. Jimi Hendrix deixou enorme quantidade de material quando morreu em 1970, e inúmeros lançamentos tentaram reconstruir o disco que sucederia "Electric Ladyland". "First Rays of the New Rising Sun", de 1997, procurou chegar o mais perto possível dessa intenção usando anotações e informações das fitas deixadas pelo guitarrista. Já "From a Basement on the Hill", de Elliott Smith, foi concluído por pessoas próximas depois da morte do músico em 2003 a partir de um projeto que originalmente seria ainda maior.
Bob Marley também deixou gravações suficientes para que "Confrontation" surgisse em 1983, dois anos depois de sua morte. O álbum reuniu material em diferentes estágios de acabamento e trouxe "Buffalo Soldier", que se tornaria um de seus maiores sucessos póstumos.
O caso mais discutível da seleção talvez seja "Coda", do Led Zeppelin. Lançado em 1982, dois anos depois da morte de John Bonham e do fim da banda, o disco é essencialmente formado por sobras de sessões realizadas desde 1970. Jimmy Page organizou e completou o material, incluindo "Wearing and Tearing" e "Bonzo's Montreux", este último transformado também em homenagem ao baterista.
Os dez discos mostram que "póstumo" pode significar coisas bastante diferentes. Alguns artistas deixaram álbuns praticamente terminados; outros deixaram peças que alguém precisou montar. A diferença entre homenagem e exploração comercial nem sempre é clara, mas nesses casos as gravações sobreviveram à circunstância de seus lançamentos e conquistaram espaço próprio na história de quem as criou.
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