O álbum que mostrou por que Janis Joplin era impossível de copiar
Por Bruce William
Postado em 13 de setembro de 2026
Janis Joplin morreu em outubro de 1970, mas parte importante de sua reputação sempre esteve menos nos estúdios do que no palco. Em 1972, a Columbia reuniu gravações feitas entre 1968 e 1970 no álbum duplo "In Concert", colocando lado a lado apresentações com Big Brother and the Holding Company e Full Tilt Boogie Band.
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Essa montagem acabou registrando duas fases muito diferentes da cantora. O primeiro LP traz Janis ainda cercada pelo som mais áspero e caótico do Big Brother, enquanto o segundo acompanha a fase final com o Full Tilt Boogie Band, já com outra dinâmica e outro tipo de controle sobre o repertório.
A própria Columbia tratou o lançamento como algo além de uma simples coletânea ao vivo. À época, a Cash Box registrou que o material havia sido reunido por Elliot Mazer a partir de shows em Detroit, San Francisco, Toronto e Calgary, e que até as falas de Janis entre as músicas foram mantidas como aconteceram, sem edição.
A recepção contemporânea também ajuda a entender o peso do disco. Em maio de 1972, a Billboard escreveu que "In Concert" capturava aquela "magia indefinível" de Janis e destacava justamente o fato de ela aparecer em momentos diferentes da carreira, com duas bandas distintas.
O que impressionava não era só potência vocal. Janis vinha de uma formação mergulhada em blues e folk e lembrava ter descoberto a própria voz depois de tentar imitar Odetta numa festa. "Eu nunca tinha cantado antes e saiu essa voz enorme", contou em entrevista de 1969 reproduzida na American Songwriter.
Décadas depois, Stevie Nicks resumiria melhor o que havia de especial nas apresentações de Janis: "Ela tinha uma conexão com o público que eu nunca tinha visto antes." Nicks disse que assistir a Joplin ao vivo mudou sua vida e influenciou a maneira como passou a pensar a relação entre artista e plateia.
"In Concert" não é um registro de uma única noite perfeita, e talvez justamente por isso funcione tão bem. Ele reúne imperfeições, improvisos, excessos e mudanças de humor que mostram uma cantora muito menos previsível do que qualquer versão idealizada poderia sugerir. Mais de meio século depois, o disco continua servindo como documento de algo difícil de explicar apenas com alcance vocal ou técnica. Janis Joplin tinha uma maneira de transformar cada apresentação em confronto direto com a música e com quem estava ouvindo - e "In Concert" talvez seja o lugar em que isso ficou mais claramente preservado.
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