The Beatles: As 10 canções mais (injustamente) subestimadas

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Por Igor Matheus, Fonte: Whatculture, Tradução
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Por: Scott Skinner
Tradução: Igor Matheus

Peraí. Os Beatles… subestimados? Você quer dizer… a maior banda da história? Aquela com mais de 600 milhões de discos vendidos desde que surgiram no The Cavern no começo dos anos 60? Só pode ser brincadeira.

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Parece estranho usar o termo “subestimado” quando nos referimos aos Beatles. Mas existem muitas pérolas escondidas no catálogo da banda que merecem um momento de destaque.

Singles clássicos como “Hey Jude’, ‘Strawberry Fields Forever’ e ‘Help’ se tornaram marcantes, enquanto faixas de discos como ‘In My Life’, ‘Something’ e ‘A Day In The Life’ receberam os louros que mereceram. Enquanto isso, outras canções parecem ter sido ignoradas, não chegaram sequer aos Top Ten, ficaram ausentes do rádio e chegaram até a ser evitadas pelo X Factor, este grande bastião da música. Então é hora de equilibrar as coisas.

Já foi dito que canção pop perfeita é aquela que pode ser assobiada pelo carteiro. Pode ser que estas canções não tenham chegado a tanto, mas é justo que alcancem uma audiência maior.

Então estão aqui dez faixas que merecem mais reconhecimento como clássicos dos Beatles. Algumas das escolhas tem sido celebradas entre fanáticos e músicos dedicados, mas não pelo mundo inteiro. Mas isso muda agora.

10. I’ve Just Seen A Face

Lançado no álbum Help, “I’ve Just Seen a Face” é um marcado e ágil country de Paul McCartney. Gravada na mesma sessão de “Yesterday”, a canção traz letras que capturam a emoção da paixão à primeira vista, enquanto o instrumental casa o folk de Simon e Garfunkel com traços do divertido “remelexo” de Elvis Presley.

Em 1965, McCartney, envolvido em um caso amoroso com Jane Asher, ficou um pouco atrás de seu principal parceiro em relação às composições. Lennon escreveu e cantou em alguns singles anteriores, incluindo “Ticket to Ride” e “Help”, e parecia ter mais destaque nos álbuns A Hard Days Night e Beatles for Sale. Mas foi com ‘I’ve Just Seen a Face’ e a notável ‘Yesterday’ que McCartney voltou à forma.

De olho na crescente cena folk dos Estados Unidos, o selo americano da Capitol Records escolheu “I’ve Just Seen a Face” como primeira faixa na versão yankee do disco Rubber Soul. Amada por fanáticos pelos Beatles, “I’ve Just...” é o tipo de coisa que todo músico de rua deveria aprender – se honra seu chapéu na calçada. Subestimada talvez pelo público em geral, a canção não é esquecida pelo próprio McCartney, que a inclui regularmente em seus shows. Paul sabe o que é melhor.

9. It’s All Too Much

Eis um saboroso pedaço de psicodelia de George Harrison na trilha sonora The Yellow Submarine. A faixa começa com uma guitarra lamuriosa e ao mesmo tempo estridente antes de dar entrada a um macio tema de órgão. E então a bateria salpica e pula enquanto a música zumbe e “esperneia” – como se tivéssemos enfiado a cabeça dentro de uma colmeia.

Ninguém parece se esforçar muito enquanto a melodia flutua dentro de uma neblina suspeita, com tudo suspenso por uma firme base de trompetes. E eis um som que influenciou psicodélicas e maltrapilhas guitar bands através dos anos, desde os (injustamente subestimados) Boo Radleys e The Flaming Lips a grupos mais recentes como Jagwar Ma e MGMT.

Até para ressaltar a natureza da canção, Harrison chega a reciclar uma linha do hit ‘Sorrow’, do The Mersey, assim que a peça chega no final. Seis minutos de faixa podem ser literalmente demais, como o próprio título sugere, mas a peça do guitarrista permanece como uma excitante e caótica exploração da psicodelia da era LSD.

8. You Know My Name (Look Up The Number)

Geralmente colocada de lado como um número descartável de gracinhas, “You Know My Name” merece mais crédito não apenas por seu ânimo despretensioso, mas pelo seu pulsante mantra de abertura.

A peça abre com um canto breve, originalmente planejado para ter quinze minutos (o que teria sido incrível) antes de dar espaço para McCartney (como um desastrado crooner, ou um Denis Obell) a agir como um inebriado Sinatra recostado em um uma atmosfera de ‘samba’. Lennon interrompe, e reveza com o comediante Spike Milligan uma sucessão de vozes retardadas - tudo enquanto se repete o refrão “you know my name, look up the number”.

A banda continua a evocar seus heróis da comédia, como The Goons, Pete and Dud e Monty Python, enquanto ecoa a anarquia pateta do Bonzo Dog Doo-Dah Band. É certo que as tentativas de humor dos Beatles nem sempre conseguiam surtir efeito, mas esta bobagem é contagiante, divertida, e tanto Lennon quanto McCartney relembravam da canção com carinho – ao ponto de Paul declarar que esta era sua peça favorita dos Beatles, “apenas por ser tão insana”.

O Rolling Stone Brian Jones aparece para contribuir com um sax alto, enquanto o empresário e assistente Mal Evans adiciona alguma ambiência com uma pá sobre cascalho. Apesar de gravada em meados de 1967, “You Know My Name” não viu a luz do dia até 1970, quando foi lançada como lado B do single final de Let It Be.

7. Things We Said Today

Escrita durante um feriado nas Bahamas em 1964, “Things We Said”, de McCartney, faz um sombrio vislumbre de seu caso amoroso com Jane Asher. Enquanto estava em um iate com Asher, Ringo Starr e a futura esposa do baterista, Maureen, o baixista se recolheu para um deck inferior e criou esta reflexiva canção de amor.

A peça varia entre tons maiores e menores e da balada para o rock enquanto McCartney explora o conceito que ele viria a chamar de “nostalgia do futuro” – imaginar como o casal olhará as conversas que tinham em hipotéticos dias posteriores.

A peça ganha ainda mais vida com a guitarra base de Lennon e a batida apressada de Ringo. E é uma demonstração da maturidade de Paul como compositor: é notável como ele podia soar tão ácido mesmo tão jovem. A canção foi lançada no lado B do single A de “A Hard Day’s Night”.

6. What You’re Doing

Enquanto Lennon era um especialista na acidez, era raro vislumbrar um McCartney raivoso. Mas é esta peça frequentemente ignorada do Beatles For Sale que surge, talvez, como um dos melhores exemplos de um Macca irritado.

A bateria “spectoriana” de Ringo prepara o ambiente para um riff de George Harrison na guitarra de 12 cordas – um som que pavimentou o caminho para a carreira e o som dos The Byrds. “What You’re Doing” apresenta algo a mais em relação às típicas letras “raivosas” de Paul, possivelmente reflexo dos problemas que ele enfrentou em seu relacionamento com Jane Asher. Mas mesmo assim o baixista entrega um vocal doce, ameno – e suspeita-se que Lennon teria cantado com um tanto mais de veneno.

Aparentemente, a banda tinha dificuldade para fazer a canção vir à tona, e a abandonou em setembro de 1964 antes de terminá-la no fim de outubro. A pausa parece que funcionou quando McCartney persuadiu Ringo e George a alcançar performances mais espirituosas e diferenciadas.

5. Inner Light

Lançada em março de 1968 como lado B de “Lady Madonna”, “The Inner Light” assinala a primeira vez que George Harrison teve uma composição creditada em um single dos Beatles. E representou uma notável mudança de qualquer coisa ouvida antes em um single da banda – um mergulho total na música e na cultura indianas as quais o guitarrista estava começando a ficar imerso.

A base da faixa foi gravada nos estúdios indianos da EMI com músicos locais quando Harrison estava em Bombaim para gravar sua trilha sonora do filme Wonderwall, de inspiração hindu. Já as letras foram tiradas do texto taoísta, Tao Te Ching – e é assim que Harrison evoca uma doce e inocente canção, que soa como reminiscência da banda de folk psicodélico The Incredible String Band.

A canção é a mais bem sucedida incursão de Harrison dentro do universo indiano como membro dos Beatles, e revela a amplitude do poder musical do quarteto. Que outra banda poderia colocar lado a lado o boogie woogie de Lady Madona e algo tão delicado como essa peça?

4. Real Love

Pode uma canção que foi lançada como single realmente ser classificada como subestimada? Neste caso, sim. “Real Love” foi o segundo single lançado sob o projeto Beatles Anthology, que reuniu os três Beatles “sobreviventes” – na época – para ressuscitar duas demos deixadas por John Lennon.

Enquanto “Free as a Bird” recebeu muita badalação no seu lançamento no natal de 1995 – chegando até a receber um Grammy por melhor performance pop –, “Real Love” quase foi escorraçada no meio de março de 1996. A canção vendeu 50 mil cópias em sua primeira semana, mas foi ignorada pela Radio 1 no Reino Unido, que se recusou a colocá-la no playlist. Os Beatles “renovados” não foram suficientes para tirar Garbage, Shed Seven e Mark Morrison’s Return of the Mack do repertório da emissora. No rastro desse cenário, “Real Love” atingiu apenas um quarto lugar no Reino Unido e um décimo primeiro nas paradas americanas – um vexame para um material que merecia muito mais.

“Real Love” é uma sedutora peça que traz uma das mais comoventes melodias de Lennon – o piano original da demo é de rara e delicada beleza. E os três Beatles remanescentes fizeram um trabalho genuíno, mas a presença de Jeff Lyne na cadeira de produtor deu à canção um quê de “Bootleg dos Beatles à moda ELO” que tirou certa autenticidade de tudo. Ainda assim, é uma canção muito melhor do que “Free as a Bird” e, em termos de Beatles, o mais subestimado single do quarteto.

3. Rain

Talvez “Rain” não seja tão subestimada quando as outras nesta lista, pois cresceu em estatura e influência nos últimos quarenta anos desde que foi gravada. Mas ela ainda está para ser reconhecida como uma das grandes canções do grupo.

Apesar de ter quase quarenta anos, “Rain” ainda soa como nova e ao mesmo tempo indubitavelmente feita em 1966. Situada no lado B de Paperback Writer, Rain é um clássico rock que traz a melhor performance de Ringo Starr nas baquetas e um dos mais poderosos desempenhos vocais de Lennon. Starr preenche cada instante possível com sua bateria enquanto Lennon alonga cada “Rain” e “Shine” – e não surpreende que uma encarnação anterior do Oasis tenha sido chamada de The Rain.

O solo agudo de baixo de McCartney casa com a performance virtuosa de Starr, e a extraordinária mistura desaparece do fundo enquanto vocais se repetem por trás na coda. “Rain”, enfim, permanece como um dos mais emocionantes momentos na carreira dos Beatles.

2. There’s A Place

Iniciada com uma gaita meio que fúnebre, “There’s a Place” constroi uma madura evocação do espírito adolescente – capturando o crescimento da cultura adolescente e o ambiente de provocação do fim dos anos 50 e começo dos anos 60. Menos apreciada que “Twist and Shout” e “I Saw Her Standing There” no álbum de estreia da banda, a faixa traz dois minutos de perfeição pop.

Partindo de uma deixa de “Somewhere (There’s A Place For Us)”, do filme West Side Story, Lennon articula temas mais cerebrais do que as simples canções de amor daqueles tempos. Como Lennon pega a primeira voz e McCartney a segunda, as letras retratam o auto-refúgio mental – tema para o qual Lennon voltaria várias vezes por toda sua carreira.

Fruto de uma das melhores fases de John Lennon, a canção pode ainda ter influenciado Brian Wilson a criar o clássico “In My Room” para os Beach Boys. Gravada um pouco depois naquele mesmo ano, a canção trata de tema similar a “There’s a Place”: solidão e retraimento para ficar com os pensamentos.

1. Hey Bulldog

A vibrante e despreocupada “Hey Bulldog” é talvez o maior exemplo da autêntica alegria de ser um beatle Gravada durante a produção da promoção de “Lady Madonna”, a peça surgiu quando a banda desenvolveu um esquete criado em parte por Lennon em um das mais divertidas e dinâmicas criações do quarteto.

Claramente influenciados pelo estridente piano de “Lady Madonna”, Lennon e a banda produziram um hilário número de rock. O engenheiro de som dos Beatles, Geoff Emerick, chegou a dizer que aquela foi a última vez que a banda trabalhou como um verdadeiro time na canção e todos os membros estavam e no seu auge – talvez o último real vislumbre da maior banda de todos os tempos trabalhando como uma unidade coesa. McCartney em particular, produz uma espetacular linha de baixo.

O próprio Lennon entrega um incrível trabalho vocal, completo com latidos e urros de seu parceiro McCartney. A canção foi incluída no álbum Yellow Submarine, mas apesar de ser amada por fãs, merece aclamação universal como um dos pontos altos do brilhante catálogo da banda.

Os responsáveis são citados no texto. Não culpe os editores. :-)

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Sobre Igor Matheus

Jornalista sergipano. Ex-editor do caderno de Cultura e ex-crítico musical do jornal Cinform, de Aracaju. Escreve para o blog www.nabocanao.blogspot.com.

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