Pixies: eu gostaria de estar no AC/DC, diz baterista

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva, Fonte: Scream & Yell
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PIXIES, um dos nomes mais influentes do Indie Rock, lançará seu novo álbum 'Head Carrier' no mundo inteiro nesta sexta, 30 de setembro. Três canções já foram reveladas, 'Um Chagga Lagga', 'Talent' e 'Tenement Song', esta com direito a vídeoclipe (concebido pela Krank! Collective, retratando 'uma viagem de um ratinho por um bloco de apartamentos prestes a ser demolido'). No vídeo,entre outras referências à cultura pop, até DAVID BOWIE, falecido recentemente, aparece. Aproveitando a oportunidade, conversamos com Dave Lovering, baterista da banda, sobre diversos assuntos: o novo álbum (claro), música brasileira ('tudo o que eu sei é que é boa pra dançar, né?') e até mágica. Durante a entrevista, quase uma promessa ('nós provavelmente vamos fazer shows no Brasil em 2017') e uma revelação: 'se eu fosse baterista de uma banda de metal, seria do AC/DC'. Confira abaixo toda a nossa conversa com o simpático David Lovering ('é bom ter reconhecimento, mas sou apenas um baterista tocando o que gosto'). [Nota: esta entrevista foi realizada poucos dias antes do anúncio de que Joey Santiago (guitarrista), que completa a banda junto com Lovering, Black Francis (vocal/guitarra) e Paz Lenchantin (baixo), foi internado em uma clínica de rehabilitação por pelo menos 30 dias. Por enquanto, as datas da banda na Europa em novembro e dezembro estão mantidas.]

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Photo by Craig Bryon.

Daniel Tavares: Vamos direto ao ponto. O que significa 'um chagga lagga'?

Dave Lovering [Risos] Eu não estou exatamente certo, Daniel. O Charles [Charles Michael Kittridge Thompson IV, o verdadeiro nome de Black Francis, vocalista e guitarrista da banda] escreveu todas as letras do álbum, especialmente desta canção. Mas eu não sei na verdade o que isso significa.

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'Um Chagga Lagga'

Daniel Tavares: Então, além das três faixas que vocês disponibilizaram na Internet ninguém já ouviu (bem, eu já ouvi o 'Head Carrier'), mas você pode nos dar um pouco mais de detalhes antecipadamente para reduzir a ansiedade dos fãs dos PIXIES ou fazer com que as pessoas que não são fãs dos PIXIES decidam comprar o álbum?

Dave Lovering Sim, é interessante, Daniel, porque com este álbum eu estou muito, muito feliz. E a razão é que, em primeiro lugar, eu amo as canções nele. Elas são perfeitas. E em segundo lugar, nós tivemos tanto tempo para realmente ensaiar para o álbum e lapidar as canções antes de irmos para o estúdio. Então, foi uma alegria ir para o estúdio para gravar estas canções, então nós realmente estávamos muito confiantes e nos sentindo confortáveis sabendo que sabíamos tocar as canções. E agora isto é algo que é um luxo pra gente, porque nós tivemos a possibilidade de fazer isso desde que éramos uma 'banda bebê', lá nos anos 80. Nós realmente sabíamos as canções muito, muito bem antes de gravar. Então isto é um luxo realmente sabê-las bem antes de entrar no estúdio e fazer a sua parte sabendo que você sabe como tocá-las e, por causa disso, elas soam melhor. Eu acho que elas soam melhor porque são as partes certas que saem. Então eu fiquei muito feliz com elas. E também neste disco temos umas canções bem rock, realmente há canções punk, rápidas, duras, o que, para mim, como baterista, eu amo tocar. Eu amo tocar essas canções realmente mais duras. E isto nos remete ao nosso som clássico dos PIXIES. Então isso é o que eu acho que encapsula tudo. Ele tem o som mais velho dos PIXIES, com umas canções bem pegajosas.

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Daniel Tavares: Eu escutei o álbum, mas não pude reconhecer sua voz, sinto muito. Você canta em alguma música, como fez em 'La La Love You'?

Dave Lovering Não, não neste. Eu acho que a 'La La Love You' é a única canção principal da banda em que eu cantei. Na verdade, há uma outra canção, anos atrás, chamada 'Make Believe' em que eu cantei ['Make Believe' foi lançada no single 'Velouria', de 1990]. E isso foi porque Charles queria que eu cantasse, ele achou melhor que eu cantasse. Neste álbum eu fiz um monte de vocais de apoio, mas nada como um vocal principal. A única pessoa a dividir os vocais com o Charles foi a Paz, nossa baixista, que cantou uma canção chamada 'All I Think About Now'. Então, ela é a única outra voz além do Charles no 'Head Carrier'.

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Foto por Doug Kretchmer

Daniel Tavares: E o que você está achando da Paz? Como você vê a reação das pessoas a ela? Deixe-me explicar melhor, como você acha que as pessoas a estão recebendo?

Dave Lovering Absolutamente bem. Nós já estamos com a Paz por três anos. E, número 1, ela é uma alegria com quem tocar. Ela é uma musicista maravilhosa. Ela é realmente tão boa que me fez tocar melhor, porque eu não queria ficar embaraçado diante dela. [risos] Eu acho que estou tocando melhor, a banda está tocando melhor por causa dela. Mas o que eu quero dizer é que temos feito shows por três anos com ela e o público a ama. Nós fomos muito afortunados como banda. Nós podemos ver que ela é muito bem-vinda no palco pelos fãs. Novamente, nós somos muito, muito sortudos por ter a Paz.

Daniel Tavares: E sobre mágica? O projeto 'The Scientific Phenomenalist' que você tem. Você ainda trabalha com mágica?

Dave Lovering Eu ainda sou um mágico profissional, mas o meu show de palco, que é o 'The Scientific Phenomenalist' está dando uma pausa agora, porque os PIXIES andam tão ocupados agora, fazendo a turnê e esse tipo de coisas que eu coloquei esse tipo de coisa 'na geladeira' por enquanto. Mas, ainda, mesmo em shows, no backstage, nos restaurantes, onde quer que seja, eu faço mágicas. Eu amo close-up magic [um tipo de mágica de curta distancia onde o público é reduzido e os jogos são interativos até certo ponto], que é como isso é chamado dentro do ponto de vista dos mágicos. Isto é muito mais efetivo e é o que eu mais amo. Então, eu entretenho com mágica desta forma, mas não num sentido de palco agora.

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Daniel Tavares: Eu adoraria ver alguns truques algum dia, alguma coisa. Vamos passar para os PIXIES. Os PIXIES são considerados uma das bandas mais influentes no rock, principalmente no rock alternativo, no indie rock e até mesmo no grunge. Por exemplo, o Kurt Cobain um dia disse que gostaria de estar numa banda que soasse como os PIXIES. Como você vê a importância e influência da sua banda para as bandas que vieram depois?

Dave Lovering É difícil responder isso, Daniel, porque, eu quero dizer... eu quero dizer...existe o NIRVANA, que falou da gente, tem o RADIOHEAD, WEEZER, DAVID BOWIE que queriam ser como os PIXIES. É maravilhoso ser reconhecido, mas, para mim eu sou apenas o David. Eu toco bateria em uma banda e eu tenho tocado por trinta anos. Não é uma grande coisa para mim e não é uma grande coisa para o resto da banda. Mais uma vez, é maravilhoso que estas bandas gostem da gente, mas eu não penso na influência do que eu tenha tocado e como isto afetou estas bandas. Eu quero dizer, isto é apenas o que a gente faz. Eu não acho que seja algo grande. Você sabe o que eu quero dizer? Sou muito modesto. Não é simplesmente uma grande coisa, mas é bacana que essas bandas gostem da gente e que essas bandas começaram por causa disso. Então, isso é maravilhoso, mais uma vez. É simplesmente maravilhoso ser reconhecido, claro. Mas eu não fico deslumbrado com isso, não é uma grande coisa.

Daniel Tavares: No vídeo de 'Tenement Song', existe uma homenagem ao David Bowie...

Dave Lovering Oh sim, sim, oh sim. Interessante que nós recrutamos uma unidade de animação para fazer isso e eles escutaram para a canção e fizeram essas coisas. Mas, claro, BOWIE...desde que cresci eu amava o DAVID BOWIE. E o DAVID BOWIE era muito legal para os PIXIES. Ele amava a banda e quando conversava comigo eu via que era um cavalheiro maravilhoso. É maravilhoso que eles tenham-no colocado na animação. Eu não acho que nós tenhamos pedido a eles para fazer isso, mas é uma coisa legal que eles o tenham feito, uma conexão com os PIXIES. Então foi bem legal.

'Tenement Song'

Daniel Tavares: E o que você tem ouvido ultimamente? Que bandas você escuta hoje em dia, bandas indie ou de outros gêneros?

Dave Lovering Ah [suspiro] realmente... quero dizer... eu não tenho comprado música por um longo tempo, Daniel, mas eu ouço quando estou dirigindo em meu carro. Eu tenho um rádio via satélite... é engraçado porque, agora, eu tenho quase 55 anos e ainda ouço as mesmas músicas que são o tipo do PIXIES. Eu ouço às estações de música alternativa via satélite. E é realmente apenas uma nova versão da música alternativa. Eu não consigo dar nomes a nenhuma banda em particular, mas o estilo de música que eu gosto é apenas como se fosse da minha banda, mais ou menos.

Daniel Tavares: Muitos artistas reclamam de downloads ilegais, contratos abusivos de gravadoras... vocês também se engajaram numa luta contra cambistas, que elevam os preços dos ingressos para o céu. O que você gostaria de dizer sobre isso?

Dave Lovering É interessante. Eu quero dizer, o mundo mudou muito em termos de gravadoras e também nas vendas de ingressos, no monopólio disso. Os PIXIES, nós temos feito muitas coisas por conta própria, eu acho... eu não posso dizer se são os PIXIES ou Charles, Joey ou eu mesmo, ou Paz, mas o nosso gerenciamento é muito bem pensado. Então, faz tempo que como PIXIES nós temos sido capazes de... eu quero dizer, nós temos feito turnês de 2004 em diante basicamente fazendo tudo por nós mesmos. Para o 'Indie Cindy' não houve conexão alguma com nenhuma gravadora. Então nós temos sido capazes de fazer tudo isso e vender CDs em nossos shows. É apenas como um tipo novo de fronteira por causa disso. Agora, as gravadoras já eram. Nem todo mundo está em um selo. Então você só tem que se virar com o que tem e nós conseguimos fazer isso. E é a mesma coisa, eu acho, com a venda de ingressos. Nosso gerenciamento, nós descobrimos que há um contornar isso ao tocar em locais que não sejam de propriedade das principais intermediárias, das empresas de ingressos. E agora existe uma outra forma de reduzir os preços dos tickets, porque eles ficam realmente muito malucos... eu vi alguns preços de ingressos dos nossos shows que pensei: 'uau, nós realmente valemos tanto assim? Sério?' Então isso nos fez pensar no quão loucas as coisas podem ser. Eu não sei se vale pras outras bandas, mas nós temos conseguido fazer alguma coisa nesse novo tempo.

Foto por Doug Kretchmer

Daniel Tavares: Ok, agora vamos pra um assunto muito interessante. Muitos dos nosso leitores no Brasil gostariam de saber quando nós vamos poder comprar ingressos para shows dos PIXIES no Brasil?

Dave Lovering Minha ideia, quer dizer, não minha ideia, mas o que eu entendo é que nós vamos fazer uma turnê, provavelmente na primavera [do Hemisfério Norte], logo que o álbum saia, o 'Head Carrier'. Então vamos tirar uma folga e em 2017 vamos fazer turnê em qualquer outro lugar e isso deve incluir, mas não estou certo, América do Norte, América do Sul, Austrália, Nova Zelândia...Eu não tenho uma data para isso agora, Daniel, mas eu prevejo que seja em 2017.

Daniel Tavares: Ok, isto é bom saber. E boa parte do nosso público é de headbangers, metaleiros, qualquer que seja o nome que você queira dar. Então, eu tenho que perguntar, se você fosse o baterista de uma banda de Heavy Metal, qual subgênero você gostaria que ela fosse e, especificamente se você tem um nome em mente, em qual banda você gostaria de tocar?

Dave Lovering Ah, meu Deus...da da da da da... essa é uma pergunta difícil, cara. Eu estou ficando velho, eu não acho que velocidade seja um dos meus fortes agora. [risos] Não seria uma de speed-metal ou algo assim. A coisa mais forte ou mais pesada que eu conseguiria seria o AC/DC. Eu gostaria de estar nessa banda, posso dizer isso.

Daniel Tavares: Esta é uma questão que eu sempre pergunto para meus entrevistados. É sobre música brasileira. O que você sabe sobre música brasileira e se houve algum artista brasileiro que tenha tido alguma influência no seu estilo de tocar ou na sua música ou que você goste de escutar em casa se tiver oportunidade?

Dave Lovering Ah, minhas desculpas, Daniel, eu não conheço muito de música brasileira, ou muito sobre música em geral. Eu acho que sou muito cabeça-pequena pra outras coisas além do rock and roll que eu toco. A única coisa que eu sei é que dá pra dançar com ela. [risos] É uma coisa maravilhosa sobre música brasileira.

Daniel Tavares: Nós estamos chegando ao final desta entrevista e você já me disse que estarão aqui provavelmente em 2017, o que é uma notícia boa. E depois disso, o que mais podemos esperar dos PIXIES, depois do álbum, depois da turnê, o que vocês tem em mente? O que estão pensando, começando a planejar, o que você pode me adiantar?

Dave Lovering Bem, eu sei que em 2011 nós fizemos o 'Indie Cindy' e este foi o nosso primeiro álbum em muito tempo. E em 2011 nós nos sentimos viáveis como banda, ficando por aí por tanto tempo. Por causa do 'Indie Cindy', o nosso modo de pensar é que, nós somos uma banda. Nós gostamos de gravar. Nós gostamos de fazer turnês. É por isso que o 'Head Carrier' aconteceu. E eu tenho certeza de que uma vez que uma vez que o álbum saia, em 30 de setembro, provavelmente um mês depois nós vamos começar a pensar no próximo álbum. Então provavelmente vai haver algum outro álbum quando nós terminarmos de fazer a turnê do 'Head Carrier'. Eu tenho certeza de que vamos fazer isso uma vez mais.

Daniel Tavares: Ainda sobre o 'Head Carrier', qual canção você gosta mais neste seu álbum mais recente, além das três que vocês já divulgaram? Você pode citar, se quiser, uma das três, mas qual seria a melhor para você?

Dave Lovering Eu diria que é uma canção chamada 'All I Think About Now'. Esta canção... É engraçado, Daniel, porque todas as canções no 'Head Carrier' nós tivemos semanas e semanas pra escrever e nós sabíamos que as íamos gravar. Faltavam apenas três dias para o final do nosso tempo no estúdio e a Paz, nossa baixista, disse: 'eu tenho uma ideia para uma canção'. Ela a apresentou para a gente e nós amamos. O Charles disse: 'você canta e eu escrevo as letras'. Então a Paz cantou sua canção, nós a gravamos no dia seguinte e foi surpreendente para uma canção que tínhamos acabado de aprender. E aconteceu desta ser minha canção favorita porque é a canção que soa mais parecida com o som clássico dos PIXIES. E ela foi escrita pela Paz, que está com a gente há menos anos. Então, é meio irônico. É realmente uma canção que soa muito bem.

Daniel Tavares: Eu gostaria que você terminasse essa entrevista mandando uma mensagem para todos os fãs brasileiros dos PIXIES. Foi um prazer conversar contigo e eu espero que possamos nos ver em 2017.

Dave Lovering Oh, foi um prazer, Daniel. E para todo os fãs do Brasil, para todos os brasileiros, nós divertimos bastante tocando aí. Foi uma alegria da primeira vez até a última vez que nós tocamos aí. E claro, vocês são fãs maravilhosos, que nos fazem nos sentir bem e nós não podemos esperar para fazer isso de novo e voltar.

Ethan Miller, Getty Images

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Tracklist do álbum 'Head Carrier'
1. 'Head Carrier'
2. 'Classic Masher'
3. 'Baal's Back'
4. 'Might as Well Be Gone'
5. 'Oona'
6. 'Talent'
7. 'Tenement Song'
8. 'Bel Esprit'
9. 'All I Think About Now'
10. 'Um Chagga Lagga'
11. 'Plaster of Paris'
12. 'All the Saints'

'Head Carrier' chega às lojas, no próximo dia 30 de setembro, via Pixiesmusic/Play It Again Sam (PIAS). Este trabalho foi gravado no Rak Studios, em Londres, e produzido por Tom Dalgety (Killing Joke, Royal Blood), traz 12 faixas da magistral e única sonoridade da banda, misturando toques de surrealismo, psicodelia dissonante e surf rock.

O disco já está disponível para pré-venda em vários formatos, inclusive em versão especial e limitadíssima deluxe box, no site Pixiesmusic.com. A Voice Music ficará responsável por distribuir este trabalho no Brasil.

Paz Lenchantin, David Lovering, Joey Santiago, Black Francis. Photo: Travis Shinn

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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