Rhapsody: o Angra reabriu as portas do metal, diz Luca Turilli

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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Setembro inicia no Rio de Janeiro e São Paulo com muito Power Metal (e também generosas doses de "Cinematic" Metal e Symphonic Metal. Depois de excelente, porém curta, apresentação no festival Monsters of Rock, a banda alemã PRIMAL FEAR volta ao Brasil em turnê conjunta com o LUCA TURILLI RHAPSODY, a versão capitaneada pelo guitarrista Luca Turilli da banda italiana. Fortaleza, que estava inicialmente na turnê, ficou de fora (após o cancelamento do show dos SCORPIONS em Recife e com a confirmação do terceiro show dos hard-rockers alemães em São Paulo, a data do show na capital paulista foi alterada, inviabilizando o show no Ceará). Conversei com o simpático e falante Luca Turilli (parecia sempre sorridente e não pude deixar de imaginá-lo gesticulando com as mãos o tempo inteiro enquanto falávamos ao telefone). Falamos, claro, sobre os shows no Rio (1 de setembro) e em São Paulo (2 de setembro) e sobre o "quase-show" em Fortaleza (seria 2 de setembro, houve tentativa de reagendar para 3 de setembro, mas a casa de shows original já tinha outro evento agendado - a produtora ainda não se pronunciou sobre a devolução dos ingressos já vendidos). Também perguntamos se ele chega a considerar o seu som um pouco de Folk Metal e até sobre o que achou de Fabio Lione no Angra. Até mesmo um breve mal-entendido se converteu em uma resposta interessante para uma pergunta não feita. Confira o nosso papo, na íntegra, logo abaixo.

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Daniel Tavares: Ciao, buona sera. Piacere parlare conte. [Oi, boa noite. É um prazer falar com você].

Luca Turilli: É um prazer pra mim [e mais alguma coisa que não consegui entender, em italiano].

Daniel Tavares: Mas isto é tudo que sei dizer em italiano. Sinto muito.

Luca Turilli: Ah, ok. [risos]


Daniel Tavares: Em primeiro lugar nós tivemos essas notícias tristes de um terrível terremoto na Itália ontem. Eu espero que vocês, toda a sua família, parentes e amigos estejam todos bem.

Luca Turilli: Claro, é triste. É inacreditável. Mas, eu estou no outro lado da Itália. Estou no extremo norte, então não cheguei a sentir nada. Mas é claro que é algo inacreditavelmente triste.

Daniel Tavares: Sim, eu sinto muito pela Itália. O mundo inteiro sente muito pela Itália estes dias. Mas vamos falar dos shows no Brasil agora. O que os fãs do Luca Turilli e do RHAPSODY podem esperar desses shows?

Luca Turilli: Ah, muita coisa, no sentido que, claramente, nós sempre tentamos trazer canções diferentes canções para o palco, algumas canções dos álbuns do RHAPSODY, então muitos clássicos, mas também canções do álbum novo, algumas surpresas da minha discografia solo, canções do Luca Turilli, então, muitas coisas, eu diria.

Daniel Tavares: Esta é uma turnê em conjunto com o PRIMAL FEAR. Você pode me contar como vocês chegaram a essa decisão de fazer a turnê uma com a outra [banda], como vocês se organizaram pra fazer essa turnê em conjunto na América do Norte e, agora, na América do Sul.

Luca Turilli: Sim. Isto foi principalmente porque nós trabalhamos com Sebastian Roeder, nosso engenheiro dos álbuns do RHAPSODY, que é também quem tem tomado conta do som ao vivo do RHAPSODY por muitos anos e, por acaso, ele também toma conta do som do PRIMAL FEAR. E graças a ele nós, por exemplo, tivemos a oportunidade de contar com um convidado especial no novo álbum, no último álbum, "Prometheus" [Ralf Scheepers - vocal em "Thundersteel", cover do R.I.O.T]. Tivemos a oportunidade de ter o Ralf Scheepers como convidado especial no coro. No final, foi até bem fácil. É uma pessoa que trabalha para muitas bandas. Foi bem fácil de fazer esse acordo. E nós gostamos dos caras do PRIMAL FEAR porque eles são pessoas incríveis, super agradáveis, caras amigáveis e isso é o mais importante porque quando você sai ao redor do mundo tocando com uma banda dessa forma, se você tiver algum problema num certo ponto é muito difícil continuar. Mas neste caso, os caras do PRIMAL FEAR são realmente inacreditáveis, fantásticos. Nós já tocamos na América do Norte em março, então sabe, nós sentimos a atmosfera por mais de um mês, 28 shows. Então, voltar para a América do Sul com as mesmas pessoas é simplesmente espetacular.

Daniel Tavares: Talvez esta seja uma questão um tanto mais difícil. Vocês incluem muito som de orquestra, coisas de ópera, o coro, na sua música, que tem sido chamada de Cinematic Metal, Symphonic Metal. Vendo essas coisas tão naturalmente vindas da Itália, onde há tantos grandes nomes, assim como vemos coisas celtas ou da Escandinávia em bandas Folk de outras partes da Europa, você acha que também podemos chamar a sua música uma espécie de (não exatamente, mas quase) Folk Metal também?

Luca Turilli: mmm, Folk eu realmente não sei porque o folk é só uma das coisas que me influenciaram, sabe. Como sou mais compositor que guitarrista (é claro que as pessoas me conhecem como guitarrista, mas eu me vejo mais como compositor), em alguns aspectos, o folk é apenas uma porcentagem das minhas influencias. Como você disse, fui influenciado pela ópera, pela música clássica da Itália, mas ouço toda música que existe porque quando você está compondo não pode ouvir apenas um ou dois tipos de música. Você tem que conhecer a música em 360 graus. É claro que, também, a Itália tem, como você diz, uma influência fundamental, mas não apenas no aspecto folk, mas também pelo amor às melodias, por exemplo. Nós temos cantores italianos, cantores de pop italianos, cantores de rock italianos, o que quer que seja, sabe, que tem isso. Na Itália, as pessoas são muito detalhistas com a melodia, e, consequentemente, com certeza no RHAPSODY. E como eu fui influenciado por todos esses nomes, quando eu era mais jovem, eu acabei escutando esse tipo de música 24 horas por dia, então é normal que isto tenha influenciado também em parte a música do RHAPSODY. Então eu vou dizer que sim, que a Itália é uma grande influência, mas não a única, claro.

Daniel Tavares: Vocês também tinham agendado nesta turnê um show em Fortaleza, que é a cidade em que eu moro. Algumas coisas aconteceram que estão além da nossa... algumas circunstâncias aconteceram e este show não vai mais ser realizado. Até onde sei. Mas existem muitos fãs do RHAPSODY que estão ansiosos para ver vocês. Então, eu gostaria que você, especificamente para os fãs de Fortaleza, mandasse uma mensagem especial.

Luca Turilli: Você quer uma mensagem minha?

Daniel Tavares: Especificamente para os fãs de Fortaleza. As datas foram trocadas com o show de São Paulo e eu acho que o show de Fortaleza se tornou impossível de acontecer.

Luca Turilli: Sim, sempre isso é muito ruim, mas não é algo que dependa absolutamente da banda. Nós às vezes não temos ideia de onde a banda pode tocar. Por exemplo, no Brasil faz muitos, muitos anos que nós não vamos aí pra tocar, então, não podemos escolher as datas. Normalmente ocorrem acordos entre os agenciadores das turnês e os produtores, sabe, que estiverem muito interessados em levar a banda para uma cidade ou outra. Então, no fim, isso ocorre meio que independentemente de nós na verdade. De tempos em tempos até sugerimos datas, nomes ou cidades e dá certo. Por nós, tocaríamos em todas as cidades do Brasil. Nós temos muitos seguidores aí, muitas pessoas que amam o RHAPSODY, mas eu acho que este é apenas o começo, porque, depois de tantos anos, já é fantástico pra gente ser capazes de voltar em cidades como o Rio. Então eu acho que no próximo ano vai ser mais fácil voltar a outras cidades. Então nós vamos querer voltar para ir a Fortaleza. Eu só posso dizer aos fãs pra terem paciência porque nós mal podemos esperar para trazer o nosso Cinematic Metal nesta grande cidade.


Daniel Tavares: Esta é a pergunta que faço para todos os meus entrevistados [gringos]. Existe alguma banda ou artista brasileiro que você goste ou que tenha tido alguma influência na sua música. [Apesar da gentileza e cortesia com que Luca respondia a cada uma das minhas questões, talvez pelo nervosismo do entrevistador - que gagueja até quando compra pão na padaria - notamos que ele não tinha entendido exatamente a questão perguntada, respondendo sobre suas influências no geral. De qualquer forma, foi uma boa oportunidade de saber, ou saber mais, sobre todas as influências dele ao tocar e compor].

Luca Turilli: Sim, claro, como te falei antes, como compositor, ouço música desde que nasci. De certa forma, vou dizer, sou influenciado por tudo. Como guitarrista eu amo aqueles guitarristas dos anos 80. No final dos anos 80, haviam guitarristas fantásticos como o Jason Becker, como o Martin Friedman, tanto nos seus álbuns solo como juntos no CACOPHONY. Então eu considero o "Speed Metal Symphony" como a bíblia dos guitarristas, porque todas as técnicas de guitarra estão incluídas neste álbum. E na música clássica, minhas maiores influências são o Chopin, Frédéric Chopin. Eu amo tocar piano porque eu acho que para qualquer compositor é muito importante tocar ao menos dois tipos diferentes de instrumento, porque isso te dá uma gama mais abrangente para tocar música de diferentes colorações. E agora eu gosto de bandas como o MUSE, que é um estilo bem diferente. E eu sempre amei o QUEEN, bandas assim. E, claro, no Heavy Metal, porque tocamos Heavy Metal, eu decidi tocar Heavy Metal depois que comecei a ouvir bandas como o HELLOWEEN, com Michael Kiske. Eu falo especificamente do final dos anos 80, quando houve também álbuns de metal como o "Trancendence", do CRIMSON GLORY, esta banda americana. Sim, eu gosto de vários estilos de música e os escuto todos os dias.

Daniel Tavares: Algum artista brasileiro?

Luca Turilli: Sim, além do ANGRA. Nós começamos lá por 97, num momento em que o ANGRA estava tendo tanto sucesso no Brasil, no Japão, em todo lugar. Nós os descobrimos na Itália quando o álbum "Angels Cry" ficou muito conhecido. Um álbum surpreendente, com um tipo de metal muito melódico que estava voltando, porque depois do sucesso do HELLOWEEN houve um momento em que esse estilo de metal deu uma caída, perdendo lugar para estilos mais violentos. Mas com bandas como o ANGRA ele voltou. Era muito melódico, mais doce, coisas assim. Eu acho que o RHAPSODY meio que atingiu o sucesso imediatamente por causa de bandas como o ANGRA. Eles abriram de novo este tipo de metal para todas as pessoas.

Daniel Tavares: Eu iria te perguntar o que você acha sobre o Fabio Lione no ANGRA, mas acho que estamos chegando ao final do nosso tempo, então vou te pedir para mandar uma mensagem, agora para todos os seus fãs, especialmente para aqueles que vão assistir aos shows no Rio e em São Paulo.

Luca Turilli: Sim, você pode imaginar, né? Eu estive na mesma banda por vinte anos com o Fabio, então, claro, se ficamos por tanto tempo é porque eu acho que ele é um dos maiores cantores por aí, sabe. Em todas as entrevistas nos perguntam porque nos separamos, né? Mas, realmente, eu o considero um dos cinco vocalistas que eu mais gosto. Não apenas no Heavy Metal. Como você mesmo falou, na nossa música nós temos um pouco de influência disto, um pouco daquilo, muito da música clássica, do mundo das trilhas sonoras, essas são as muitas influências do RHAPSODY. Realmente o Fabio era ótimo para cantar todos os estilos diferentes de música que eu compunha ou fazia os arranjos com ou sem o Alex. Claro, pra mim ele tem uma dessas vozes que são universais e é por isso que eu acho que ele se encaixa perfeitamente com diferentes tipos de banda, com as músicas mais antigas, com as atuais do ANGRA, com muitas, muitas, muitas bandas diferentes.

Daniel Tavares: Então, "arrivederci, gracie".

Luca Turilli: Obrigado, meu amigo. Foi um prazer falar com você. Eu espero que não seja nossa última vez e espero te ver em breve.

Daniel Tavares: Ok, você poderia deixar a mensagem para os fãs do Rio e de São Paulo?

Luca Turilli: Sim, absolutamente. Sabe, nós do RHAPSODY não podemos esperar para levar o nosso Cinematic Metal pra aí. Isto quer dizer que vai ter muita emoção, muita energia para compartilharmos juntos. Uma parte fundamental e muito importante da nossa música é deixar uma mensagem positiva. A mensagem positiva dada através da nossa música é o amor pela vida, o amor pelo respeito, o amor pelos valores mais positivos da vida, então é ótimo encontrar todas as pessoas. Será uma noite muito agradável juntos. "Ciao, ciao".

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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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