Anathema: o amor é a gravidade central que une as pessoas, daí vem a música

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva, Fonte: Daniel Tavares
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O ANATHEMA estará de volta a São Paulo no próximo mês para uma apresentação única em nosso país. Os fab six de Liverpool se apresentam no Clash Club em 8 de fevereiro. Tivemos a oportunidade de conversar com o guitarrista e vocalista Vincent Cavanagh sobre suas expectativas para o show, sobre a juventude na terra que deu origem aos BEATLES, sobre os diferentes estilos já adotados pelo ANATHEMA, entre outros assuntos. Você confere a entrevista na íntegra logo abaixo.

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Durante seu último show em São Paulo (13/10/2013), Daniel e você disseram que tinha sido o melhor show em toda a turnê. Foi também a primeira vez que a banda tocou em nosso país. Podemos dizer que a recepção que vocês tiveram naquele show os trouxeram de volta pra cá em um pouco mais que um ano?

Vincent Cavanagh: Sim, ele foi realmente o melhor show da turnê, mas não foi nossa primeira vez no Brasil. Na verdade, viemos pela primeira vez ao Brasil para ser headliners do Independent Music Festival em Belo Horizonte em 94. Nós éramos muito jovens, passando um tempo muito divertido neste país maravilhoso pela primeira vez. Foi onde eu pude ver o FUGAZI também, que era o headliner da segunda noite. Eles eram surpreendentemente bons. Nós também voltamos em 2006 para uma turnê curta, tocando em alguns lugares diferentes. Então, depois disso foi difícil encontrar o promotor certo com quem trabalhar. Algumas pessoas não são confiáveis, são interessadas apenas em dinheiro. Agora estamos trabalhando com um pessoal novo e está indo tudo bem até agora. Duas vezes em dois anos é ótimo. Mas, eu ainda estou esperando por um show no Rio! Isso vai ter que esperar até a próxima vez.

Alguma chance de vocês incluírem mais datas e cidades em uma visita futura, esperançosamente em breve?

Vincent: É possível sim. Mas o formato teria que ser diferente. Nós vamos dar uma olhada nisso. Eu gostaria de ter algum tempo de folga para visitar os lugares também. Ficar por menos de 24 horas em um país do outro lado do mundo é um tanto estranho. Parece até que você nunca esteve lá. É como se você tivesse sonhado.

E o que os fãs podem esperar deste show em fevereiro? Alguma surpresa?

Vincent: Sim. Obviamente um setlist totalmente novo. Nós temos todas as coisas novas para tocar. Mas nós estamos abertos a tocar canções de todos os discos, se o tempo e o lugar forem os corretos.

Bem, podemos dizer que existem três tipos de fãs do ANATHEMA. O primeiro é o fã que ama o que quer que vocês façam, mas existem aqueles que começaram a gostar da sua música apenas depois que vocês mudaram seu estilo musical em algo mais, digamos, calmo e lento. E, por último, mas não menos importante, existem aqueles fãs que gostavam apenas do "old ANATHEMA", com vocais guturais e riffs agressivos, fazendo turnês com bandas como CANNIBAL CORPSE. Com estilos tão diferentes (apesar de que vocês tenham mantido a melancolia como similaridade), vocês, em algum ponto, ficaram com medo de perder parte da sua base de fãs?

Vincent: OK, bem, esta questão contem alguns dos equívocos sobre esta banda que tem sido requentados incessantemente. Então, vamos deixar as coisas bem claras Por exemplo, nós começamos com as canções lentas. Mas, mesmo bem no começo nós não tínhamos medo de experimentar. No estúdio, para o primeiro álbum, nós escrevemos uma pequena peça, aprendemos como tocá-la de trás pra frente, gravamos com a fita ao contrário, então tocamos a fita da forma correta para revelar a canção original, com um efeito reverso, finalmente adicionando uma estrofe falada por cima. Nós tínhamos elementos clássicos/orquestrais. Acústicos com vocais femininos, movimentos psicodélicos... nós tínhamos até uma peça ambient de 23 minutos gravada com sintetizadores. Então, mesmo nos primeiros dias nós nunca quisemos nos prender a nenhum gênero. Nós tínhamos entre 16 e 18 anos na época do primeiro álbum, então, foi natural que continuássemos evoluindo e permitíssemos que nosso lado mais experimental viesse para frente. As pessoas nesta banda tem sempre tido um pensamento para a frente, uma atitude progressiva. Então, se você olhar as mudanças de álbum pra álbum você vai ver uma constante evolução no nosso som. Se você vai criar música dessa maneira, então você tem que estar sempre preparado para perder uma parte do seu público. Isso faz parte do trajeto. Mas no minuto em que você começa a pensar sobre o que as outras pessoas querem, isso afeta a sua criatividade, que é um terreno escorregadio para qualquer compositor que gosta de se desafiar. Nossa música é baseada em instinto, intuição, emoção. Isto não é algo que você possa se sentar e planejar com lógica. Sempre foi dessa forma. Então, qualquer pessoa que tenha nos seguido desde o começo e ainda goste do que fazemos obviamente tem uma mente aberta.

Existe alguma chance de vocês tocarem alguma das canções antigas do ANATHEMA em um show? Por exemplo, um show de aniversário de um álbum, como muitas outras bandas fazem? Ou mesmo em um show regular?

Vincent: O quão longe no passado você quer ir? O primeiro álbum? Nós tocamos "Sleepless" e "A Dying Wish" algumas vezes na nossa última turnê na Europa. Talvez nós as toquemos na América do Sul em algumas semanas. Eu não sei ainda. Depende. Nós estamos planejando uma turnê especial celebrando a história inteira da banda. Com nossos velhos amigos Darren White e Duncan Patterson. Isto está planejado para abril na Europa. A turnê se chama 'Resonance'. Confira os detalhes online se quiser. Se houver uma chance ou a demanda para trazer esta turnê para a América do Sul, então nós amaríamos fazê-lo, mas ainda é cedo para dizer.

Seu último álbum, "Distant Satellites", tem algumas partes eletrônicas. "You're Not Alone" combina perfeitamente tanto o rock alternativo quanto os elementos eletrônicos. "Take Shelter" vai numa direção "Kid A", do RADIOHEAD. Você acha que esta é uma dica de para onde as composições do ANATHEMA estão indo?

Vincent: Nope. Nós temos ouvido música eletrônica por todas as nossas vidas. Embora mais intensamente desde que escutamos o "Didgeridoo" do APHEX TWIN e "Hardtrance Acperience" do HARDFLOOR em 1991. A verdade é que nós nunca tivemos realmente os equipamentos necessários no passado. Eu comprei alguns sintetizadores e baterias eletrônicas há uns poucos anos atrás. Isso abriu uma avenida para a criatividade que estava antes inalcançável. É um aspecto da nossa música que vai permanecer e continuar a progredir, mas não vai tomar conta dela. Nós sempre teremos diversidade em nossa música. Nós sempre usaremos instrumentos reais, orquestras. Nós podemos expandir a instrumentação acústica para incorporar algumas coisas que nunca tentamos antes, como instrumentos de sopro e seções de metais, etc, mas apenas se a música pedir por isso.

E como você vê a recepção do "Distant Satellites", pelos críticos e pelos fãs? Alguns veículos de mídia dizem que ele esteve nos top ten dos álbuns de 2014. Como você o vê?

Vincent: Ele está definitivamente no top ten dos álbuns que o ANATHEMA já fez.

O "Distant Satellites" tem uma canção chamada "Anathema". Vocês acham que (ou foi sua intenção) esta canção é a definição perfeita de uma canção do ANATHEMA's? Esta canção traduz exatamente o que a banda é?

Vincent: Não exatamente. Ela tem algumas das características pelas quais o ANATHEMA é conhecido; a melancolia, as letras confessionais, a batida forte, a guitarra solo. Toda a coisa de balada massiva obscura hipnótica. Mas, pessoalmente, eu acho que é apenas uma parte do nosso estilo ao invés de algo quintessencial.

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Vocês são agora uma verdadeira "band of brothers". Três Cavanaghs, dois Douglas, você pode nos dizer como se sente quando pegam a estrada juntos com um irmão, ou uma irmã? Isso facilita as turnês? Ou é, de alguma forma, mais difícil?

Vincent: Mais difícil ou mais fácil do que o quê?? Você tem que lembrar que eu só estive em uma banda com membros da família, então eu não tenho nada para comparar com isso. Mas eu diria que a vida em turnês é muito mais fácil agora do que costumava ser.

O Daniel deixou o ANATHEMA por um breve período quando se juntou ao ANTIMATTER.

Vincent: Eu mal lembro desse acontecimento. Foi provavelmente por causa de uma falha na comunicação e conectividade. Nós podemos todos ser culpados de perder contato um pouco com as pessoas com as quais nos importamos em algum ponto das nossas vidas. A coisa importante a lembrar é que a música existe por causa do relacionamento entre as pessoas. Não o inverso. Todos nós reconhecemos que o amor é a gravidade central que une as pessoas, daí vem a música.

Bem, vocês são de Liverpool, a mesma cidade da expressão musical mais importante do século passado. Obviamente, estamos falando sobre os BEATLES. Assim como vocês, eles começaram a tocar músicas que, de certa forma, ingênuas, antes de mudar para experiências que tornaram possível que pérolas como "Across The Universe" e "A Day In The Life" vissem a luz do dia. Vocês acham que, tendo vivido lá, tendo estado perto de alguns lugares musicalmente históricos influenciaram sua própria estória como banda? Veja, eu claramente não estou dizendo que toda banda de Liverpool passa pelo crescimento musical que eles passaram, mas você acha que tendo estado impregnado com a aura dos BEATLES foi importante para vocês, musicalmente falando?

Vincent: Eu lembro que quando era criança eu pensava que Liverpool era o "centro do universo", especificamente por causa dos BEATLES. Eu tinha um senso de orgulho ingênuo pela cidade, mas a vida ficou cada vez mais difícil. Então, na minha adolescência eu costuma entrar constantemente em brigas com skinheads em roupas de ginástica porque eu tinha cabelos mais compridos.. O que infectou minha opinião de alguma forma. Hoje em dia, eu gosto muito de Liverpool. Ela permanece uma cidade maravilhosa. Suas pessoas são cheias de vida, humor e energia, então eu acredito que é um grande lugar de onde vir, mas também pode ser muito dura. Especialmente quando você vive em uma das áreas mais ásperas sem dinheiro. Ela pode lhe ensinar muito sobre a vida. Eu aprendi muito sobre o que NAO fazer com minha vida em Liverpool. Quando você adiciona uma vida difícil em casa na mistura, então você vai precisar de alguma coisa para recorrer. Além de alguns dos meus melhores amigos na escola (incluindo John Douglas) a única coisa que eu tinha era a música. Ela era tudo para mim. Quando você tem uma vida intensa, tudo é magnificado. Então, quando eu recorria à música eu submergia completamente nela. Então, concluindo, eu diria que minha experiência de vida em Liverpool em geral teve um maior efeito no meu relacionamento com a música que qualquer coisa ou pessoa, incluindo os fab four.

E sobre música brasileira, eu sempre pergunto isso para quem entrevisto, existe algum artista que você conheça e goste? Algum artista brasileiro também lhes influenciou?

Vincent: Meu artista brasileiro favorito é, sem dúvida, Amon Tobin. Eu lembro de ter pego o 'Supermodified' por volta de 2001. Ele me surpreendeu e eu tenho seguido o que ele faz desde então. John também é um grande fã dele também. O novo show dele ao vivo é fenomenal. Eu o reconheceria mais como uma inspiração do que como uma influência musical.

Nós chegamos ao fim da nossa entrevista. Por favor, deixe sua mensagem para todos os fãs brasileiros do ANATHEMA, especialmente para aqueles que vão comparecer ao seu show.

Vincent: Não podemos esperar por este show. Estou realmente ansioso para trabalhar neste set list. Nos vemos em breve.




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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