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Baroness: entrevista com frontman um ano após acidente

Por Luiz Felipe Oliveira Champloni
Fonte: Loudwire
Em 27/08/14

No dia 14 de agosto de 2013, completou-se um ano do acidente de ônibus que vitimou a banda americana Baroness, perto da cidade de Bath, Inglaterra. Todos no interior do veículo no momento do acidente sofreram ferimentos graves, incluindo desde o motorista, Norman Markus, ao frontman da banda, John Baizley.

Nesse mesmo dia 14, o jornalista Graham Hartmann, da Loudwire, conduziu uma entrevista com John Baizley, pouco antes do Baroness subir no palco em Nova York, pela aguardada turnê do álbum duplo Yellow and Green. Confira a tradução da entrevista abaixo:

Ademir Barbosa Silva | Alexandre Faria Abelleira | Andre Sugaroni | André Silva Eleutério | Antonio Fernando Klinke Filho | Bruno Franca Passamani | Caetano Nunes Almeida | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Eduardo Ramos | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cristofer Weber | César Augusto Camazzola | Dalmar Costa V. Soares | Daniel Rodrigo Landmann | Décio Demonti Rosa | Efrem Maranhao Filho | Eric Fernando Rodrigues | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Filipe Matzembacher | Gabriel Fenili | Helênio Prado | Henrique Haag Ribacki | Jesse Silva | José Patrick de Souza | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcelo H G Batista | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Reginaldo Tozatti | Ricardo Cunha | Ricardo Dornas Marins | Sergio Luis Anaga | Sergio Ricardo Correa dos Santos | Tales Dors Ciprandi | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Tom Paes | Vinicius Valter de Lemos | Wendel F. da Silva

Loudwire: Vocês finalmente estão de volta numa turnê norte-americana. Acho que todos estão muito empolgados, pois vocês nunca tocaram material do Yellow and Green numa turnê completa como essa. Como se sente ao finalmente tocar uma boa parte desse material?

Baizley: Ahm... Eu me sinto ótimo! (risos). Era isso o que queríamos fazer desde o início, após o álbum ser lançado. Talvez seja um pouco tarde demais, mas mesmo assim é incrível poder estar ao vivo, ser capaz de fazer isso. O fato de ainda ter gente nos acompanhando nos shows, e todos estarem felizes e se divertindo, é tudo que procuro.

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L: É realmente uma dinâmica interessante vocês começarem agora a fazer turnê de um álbum que já tem um ano de idade. Como é essa diferença de dinâmica em relação a quando divulgaram o Blue Record e o Red Album e agora esse, com um ano de atraso?

B: Bom, primeiro que isso não é algo coordenado ou organizado ou previsível e, como eu já disse, esse álbum é para pessoas que já o escutam há... Bem... Um ano! Para nós, ele já tem quase dois anos de idade, já que escrevemos essas músicas há um tempo. Mas enquanto o que fizermos no palco soar novo e continuarmos encontrando coisas nas músicas enquanto as tocamos... Por outro lado, a maioria do público já está familiarizada com o material, mas ele ainda soa um pouco alienígena pra gente, pois ainda estamos trabalhando essas canções nos seus estágios iniciais no palco. É incrível, pois recebemos muito incentivo da maior participação da plateia e isso nos faz evoluir no que fazemos.

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L: Você tem basicamente dezoito novas canções para colocar num setlist e, mesmo como headlines, isso é muita coisa. Como fazem pra escolher que músicas do Yellow and Green serão tocadas?

B: Escolhemos as que conseguirmos aprender a tocar a tempo do show que vamos fazer. Tocamos todas as canções que conseguimos tocar coletivamente como um grupo agora.

L: Sim, sim, agora vocês tem os novos membros. Quis dizer, como seleciona as músicas que vão ensaiar com esses caras.

B: Pegamos as que gostamos mais, as que eles aprendem, as que achamos que seriam boas escolhas, sei lá. Acho isso meio óbvio tipo, se você conhece o material, algumas músicas obviamente são mais adequadas pra se tocar ao vivo e são essas que tocamos: os hits.

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L: Com um novo baixista e um novo baterista, até agora nessa turnê, que nova dinâmica esses dois caras trouxeram ao Baroness que seja inédita, única?

B: Eles são pessoas e músicos completamente diferentes dos membros originais, então é difícil pincelar uma coisa em particular, mas... Algo que notei é que, quando 50% da sua banda é novo, você meio que recebe um sacode desses novos caras, pois, no início da turnê, você meio que sente toda aquela ansiedade e começa a tocar como uma banda iniciante que ainda não sabe direito como as coisas funcionam. Isso não é ruim, na verdade eu acho uma coisa boa, pois muitos músicos se perdem por causa da repetição, então a animação em tocar coisas novas é meio que uma dinâmica de palco contagiosa para nós. É quase como tocar uma música nova, um jeito novo de toca-la, e é uma forma ótima de afastar o tédio. Acho que na música o tédio equivale à morte da criatividade.

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L: Eu estive na Filadélfia quando você se apresentou com a banda CONVERGE. Aquela foi a primeira vez que subiu em um palco desde o acidente?

B: Sim, acho que foi. Acho que estive numa cadeira de rodas uns dois dias antes daquilo. Tava meio difícil de me manter de pé. (risos)

L: Foi ótimo! Você tocou com eles Coral Blue e me lembro do seu discurso antes deles começarem a tocar...

B: Ah... Aquele discurso...

L: (risos) Foi um bom discurso! E você mencionou que o novo álbum deles, "All We Love We Leave Behind", foi o que te assegurou que, apesar do que ocorreu, você manteve o mesmo amor, a mesma paixão pela música que você receava ter perdido depois do acidente. Além desse álbum, teve outros trabalhos que te deram essa mesma sensação?

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B: Não necessariamente depois. Quando o álbum do CONVERGE foi lançado junto com o álbum mais recente do NEUROSIS e, apesar de toda agressividade neles, quando os ouvi no meu apartamento, na minha cama, incapaz de me mover, com dores excruciantes, foram álbuns belíssimos para mim. Foram álbuns muito inspiradores quando eu não era capaz de ver sentido em sair da cama. Sabe, há álbuns que associamos a momentos de nossas vidas, e acho isso uma coisa linda sobre a música. Da mesma forma que os cheiros, os gostos, acendem nossas memórias... Pra mim, esses dois álbuns em particular me lembram do agora e daquela época, de que preciso levantar e deixar todas as dificuldades pra trás. Vou falar de um jeito superficial agora, mas não há forma melhor de passar pelas águas agitadas da vida que aceitando e confrontando essas coisas.

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...

Nossa, eu viajei agora nessa resposta, ein?

L: Foi ótimo mesmo assim. Obviamente podemos ver que você está andando por aí e parece bem. Uma coisa que me deixa curioso é a situação do motorista do ônibus. Ele se machucou bastante e tem se falado dele possivelmente encarar processos judiciais por causa do acidente e...

B: Ele encarou um processo judiciário. Ele foi levado a julgamento pelo governo britânico, considerado culpado e recebeu uma punição branda por sua "negligência com a segurança".

L: Isso é interessante, pois eu nunca havia lido sobre isso em lugar nenhum.

B: Não foi algo estranho. Norman era nosso amigo antes do acidente, então não estamos tentando criar polêmica com as dificuldades que ele vem enfrentando. Isso é um assunto pessoal dele, mas o fato é que todos nós seguimos nossos próprios caminhos desde o acidente e o dele é um tortuoso, tenho certeza. Infelizmente não mantive contato com ele, mas espero que depois do pior ele tenha seguido em frente como o resto de nós fez.

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L: Sabe ao que ele foi sentenciado?

B: Não, não, ele só foi multado, não sentenciado.

L: Nossa, eu tava aqui pensando em tempo na prisão e coisas do tipo.

B: Não, não, ele foi multado em 365 libras esterlinas. (Nota do tradutor: 1377 reais)

L: (risos) Uau... Tá certo... Falando agora sobre as doações para o Baroness, um monte de grandes bandas doaram quantias expressivas de suas economias para tentar ajudar vocês. Quanto foi arrecadado? Tem um número?

B: Não sei o número exato, eu não organizei essa campanha. Foi o cara do som, Lupi, e um grande amigo nosso, Nathan. Cem por cento do que foi arrecadado será doado pras pessoas envolvidas no acidente que não fazem parte da banda e que não possuem a mesma rede de segurança em suas vidas que nós temos como nossos roadies, nossos caras da publicidade, os organizadores da turnê... Basicamente todo mundo que estava trabalhando pra gente, nossa equipe, nossa família que amamos profundamente. Eles são os beneficiados por essa campanha, pois são eles que estão tendo que passar por isso sem os holofotes, sem a atenção do público, sem um rosto reconhecível.

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L: Uma última pergunta pra você: lembro-me da última vez que conversamos, pouco tempo depois do acidente, uma coisa ficou na minha cabeça já tem um ano... Você disse que "a forma mais sensível de seguir em frente é aproveitar o dia". Como está botando isso em prática desde o acidente?

B: Me levantando e fazendo todo o possível pra ficar melhor pra poder fazer essa turnê. De fato, agendamos ela antes de termos um baixista e um baterista e enquanto eu estava numa cadeira de rodas! E usamos esse conceito de seguir em frente em nossa turnê. Pra mim, é como se o acidente tivesse ocorrido ontem e, desde então, não tive um dia de descanso. Estive trabalhando nessa turnê até esse momento, e assim será amanhã, e depois de amanhã. Provavelmente é do que preciso agora, e diariamente lembramos a nós mesmos o quanto somos frágeis e vulneráveis fisicamente... Sabe, tocar música é o que a gente faz! Pra que perder tempo? Deite e descanse quando você estiver morto, nós tocamos música! É um compromisso pra vida toda.

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L: Muito obrigado pelo seu tempo! Foi incrível te ver! Vá assistir a turnê do Baroness, compre o Yellow and Green, faça o que for preciso pra ouvir essa banda porque eles comandam!

B: Obrigado!

Vídeo da entrevista:

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