Obskure: O Poder das Sombras a Serviço do Metal.

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Por Leonardo M. Brauna
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A banda cearense de Death Metal 'Obskure', vive hoje um de seus momentos mais importantes, pois o lançamento do seu último 'full length' "Dense Shades of Mankind" (2012) está contribuindo para cena brasileira como mais uma grande força do 'Metal Extremo' que o mundo já respeita. Esses incansáveis guerreiros que estão na ativa desde 1989 sempre nos agraciaram com grandes petardos que ficaram conhecidos pela técnica apurada e inovação. Hoje o seu 'Line Up' é definido em 'Germano Monteiro'(vocal), 'Amaudson Ximenes'(guitarra), 'Daniel Boyadjian'(guitarra), 'Jolsom Ximenes'(baixo), 'Fábio Barros'(teclados) e 'Dângelo Feitosa'(bateria), esses veteranos sempre procuraram "disseminar" com muita energia a sua música em todo lugar por onde tocam e a receptividade é unânime na satisfação de quem faz o público. Eu tive a oportunidade de conversar com um de seus fundadores, 'Amaudson', sobre a produção desse trabalho além de comentar outros assuntos como 'ForCaos' 2013, M.O.A. e as expectativas para o futuro. Veja a entrevista realizada no dia 22 de janeiro desse ano!

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A 'Obskure' apesar de ainda não fazer parte do elenco de uma grande gravadora, tem mostrado uma qualidade sonora bastante avançada desde os tempos das primeiras DT's. Hoje com a tecnologia de produção e de mídia mais acessíveis, as bandas independentes vêm ganhando mais espaço dando outro significado ao 'Underground'. Como o grupo está encarando essa transformação e a "falta" de um apoio expressivo de uma gravadora conceituada?

Amaudson Ximenes - Costumo dizer que chegou a era dos independentes. A tecnologia tem propiciado inúmeras possiblidades que vão desde a produção consistente de um trabalho e todas as suas etapas, indo do processo de estudo e composição, passando pela gravação, divulgação e distribuição das obras musicais. Isso acaba por encorajar cada vez mais os grupos a trilharem seus próprios caminhos sem o suporte das gravadoras, que geralmente passaram a atuar mais no processo de distribuição, ficando o restante a cargo das próprias bandas. O glamour, o status de pertencer a uma grande aos poucos vem sendo desfeito, pelo menos na nossa concepção.

O último trabalho, Dense Shades of Mankind, desde quando foi lançado vem arrancando elogios da crítica especializada e do público, que cada vez mais comparece em grande número aos eventos que a Obskure participa. Todo esse retorno é fruto de um trabalho sério e competente derivado de uma equipe multiprofissional ou vocês mesmos ainda fazem todo o processo de produção comercial sozinhos, como nos primeiros anos de banda?

Amaudson – Não possuímos suporte de nenhuma equipe, com o álbum pronto temos assumido esse processo praticamente sozinhos. Como tenho mais tempo do que os outros integrantes para dedicar a banda, sou responsável por mapear e enviar o nosso material para publicações especializadas, distribuir e fazer contato com os produtores de eventos, festivais e selos. Como foi dito anteriormente, o avanço tecnológico tem trazido esses benefícios. É como diz o ditado: "se não tem tu, vai tu mesmo".

Você é uma pessoa muito envolvida em projetos sócio-culturais ligados ao movimento 'Underground' no Ceará. Pode-se dizer que esses trabalhos influenciaram a banda a procurar verbas da secretaria de cultura de Fortaleza, como no caso do edital de incentivo à música, para a realização desse lançamento?

Amaudson – Os editais públicos são uma realidade na politica cultural brasileira, e devem ser acessados por grupos que desejam fazer um trabalho de qualidade. Trata-se de um recurso que vem da sociedade e que deve ser usufruído pelos cidadãos, inclusive por aqueles que gostam de rock e metal. O fato de trabalhar com produção cultural acabou por facilitar no momento de escrever e apresentar o projeto para a Secretaria de Cultura do Município de Fortaleza.

A concepção do álbum durou pouco mais de três anos e foi mais um trabalho do produtor 'Moisés Veloso' junto à Obskure. O resultado não poderia deixar de ser outro, atendendo a muitos padrões de qualidade. A banda também ficou satisfeita com o produto final?

Amaudson – Realmente tivemos muitos percalços durante a produção do álbum. Demorou muito. Tivemos que refazer as guitarras que já tinham sido gravadas anteriormente. O estúdio do Moises mudou de local e acabou ganhando uma melhor estrutura que nos encorajou a melhorar e refazer as guitarras. Tivemos problemas com a capa, cujos arquivos foram apagados e tiveram que ser refeitos. Alguns problemas pessoais com os integrantes foi o outro fator no atraso. Em relação ao Moises Veloso, o fato dele também conhecer o trabalho da banda desde o "Overcasting" (primeiro álbum lançado em 1998) e de ter gravado outros registros nossos, facilitou bastante. Devo dizer que saiu dentro do esperado. Acabamos dando o melhor de nós. Gostamos bastante do resultado.

O álbum ainda contou com as participações de 'Marcelo Barbosa'(Khallice, Almah) na faixa "Unsticked" e da vocalista 'Claudine Albuquerque' na faixa "Hidden Essence Rescue". Como surgiram os convites?

Amaudson – A Claudine é uma amiga nossa de longa data, é uma pessoa atuante na cena local tanto do metal quanto do hard rock. O convite foi feito pelo Jolson Ximenes que sempre a via atuar no circuito de bares da cidade. Vim conhecê-la no dia da gravação. Atualmente ela sempre faz participação nos nossos shows em Fortaleza. O Marcelo Barbosa conhecemos em 2007, quando tocou pela primeira vez aqui na capital cearense com o Khallice. De lá pra cá passamos a manter um contato frequente. Produzi alguns workshops dele em Fortaleza. Dividimos o palco com eles em São Paulo, em 2008, ocasião do 'Metal Battle'. Depois eles tocaram aqui na 10ª edição do 'ForCaos'. Fizemos o convite, mandamos a música pra ele e acabou compondo o solo, que foi gravado em Brasília e inserido no momento da mixagem.

O CD traz uma galeria de fotos e o clipe oficial de "Christian Sovereign", que por sinal foi produzido num cenário natural das falésias da praia de Morro Branco – CE. De quem foi a decisão de gravar naquele local?

Amaudson – O videoclipe foi uma atividade do curso de audiovisual promovido pela 'Associação Cultural Cearense do Rock', na qual estou presidente. Na verdade, foi construído pelos alunos como atividade curricular. Foi uma experiência muito bacana. Passamos três dias acordando às duas horas da manhã para obter a luz do nascer e do por do sol. A decisão partiu da banda e dos próprios alunos. Tínhamos uma idéia que foi posta em prática nesse consenso. A fotografia do clipe e as fotos foram da então aluna do curso Rock.Doc, e também jornalista 'Karen Pedregal', que nos acompanha desde o inicio da década.

A banda recebeu cinco indicações para a aclamação "Melhores de 2012" sugerida no 'Facebook' da revista 'Roadie Crew', foram elas: Melhor álbum nacional para "Dense Shades of Mankind", melhor baixista nacional para o seu irmão 'Jolsom Ximenes', melhor vocalista nacional para 'Germano Monteiro', melhor tecladista nacional para 'Fábio Barros' e melhor baterista nacional para 'Dângelo Feitosa'. Como vocês receberam essa notícia e qual foi a reação do grupo?

Amaudson – Recebemos com surpresa, entretanto, sabemos do nosso potencial e do trabalho que vinha sendo feito no processo de divulgação do álbum. A própria resenha do CD que saiu na edição 158 da RoadieCrew, nos deu nota 9. Antes, quando não tínhamos rede social, era muito complicado fazer o nosso material circular de maneira equilibrada e uniforme pelo país e fora dele. Com o advento das redes sociais conseguimos atingir pessoas das mais diversas regiões do país, que acabaram por nos colocar na votação em cinco categorias.


Observa-se que nessa votação, tanto nomes do "mainstream" como outros de público menor dividem a mesma "disputa". Você concorda que isso se deve à sagacidade de "artistas com pouco reconhecimento" em busca da melhor qualidade?

Amaudson – Como havia dito anteriormente, o advento das redes sociais e da tecnologia acabam por nivelar os independentes com os "medalhões". Um trabalho de divulgação bem feito, focado em cima de um determinado público, de grupos, de publicações especializadas, acaba por trazer esse retorno.

A OBSKURE foi uma das bandas a serem confirmadas para o que seria o maior evento 'Heavy Metal' do Brasil, 'Metal Open Air' naquele abril de 2012. Assim como aconteceu com a maioria das participantes, a sua apresentação também foi cancelada. A partir de que momento vocês começaram a perceber que algo estava dando errado?

Amaudson – É um assunto que não gosto de comentar, foi uma grande decepção. Na verdade, fomos nós que desistimos da apresentação, quando começamos a perceber a "casa caindo" para as outras bandas. Além disso, tinham muitos amigos que foram ao evento e que nos atualizavam diariamente. O desencontro de informações entre a produção e a banda também gerou desconfiança da nossa parte. E resolvemos pular fora.

O "ForCaos", evento anual realizado pela ACR (Associação Cultural cearense do Rock), da qual você é presidente e fundador, vem há 15 anos abrindo espaço para bandas independentes do Ceará e também conta com nomes já solidificados da cena nacional. Como estão os preparos para a edição deste ano e as novidades?

Amaudson – O processo de produção é sempre muito trabalhoso. Acabamos de sair de um longo processo com a Prefeitura de Fortaleza que só honrou sua parte no dia 31 de dezembro de 2012. Depois que quitarmos essa dívida com os fornecedores, produção e grupos é que iremos formatar a decima quinta edição do evento. Devo dizer que iremos preparar uma programação diversificada e com muitas novidades. É só aguardar!

O ano de 2013 está só começando, e assim como a 'Obskure' outras bandas cearenses como a 'Encéfalo' e 'Darkside' já botaram o pé na estrada divulgando os seus trabalhos e revelando o potencial do nordeste brasileiro. Quais os planos "obskuros" a partir de agora?

Amaudson – A gente está planejando uma circulação da banda por outras regiões do país. O que nos atrapalha e faz com que não circulemos mais, são os empregos e atividades dos integrantes que não vivem exclusivamente da Obskure. Para esse ano, também estamos planejando lançar as outras duas demo-tapes "Uterus and Grave" (1990) e "The Singing of Hungry" (1993) da Obskure em vinil, como fizemos com a "Opressions in Obscurity", através do selo alemão 'TLB Records'. Também estamos trabalhando na produção de um documentário sobre os 25 anos de existência do grupo, hoje, a banda de metal mais antiga do estado. Trata-se de um trabalho de pesquisa e resgate de um quarto de século da cena local, tendo o Obskure como fio condutor. Planejamos também para esse ano a gravação de mais um videoclipe. Então é só aguardar!

Eu agradeço o seu tempo dedicado a essa entrevista e desejo não somente à 'Obskure', como também à ACR todo o êxito almejado, e que possam levar o nome do Ceará a limites inimagináveis através do seu trabalho, da sua música e da sua competência.

Amaudson – Muito obrigado por esse momento, nós é que agradecemos o espaço. Um forte abraço.

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Contatos para a banda:
http://www.facebook.com/obskuredeathmetal?fref=ts
http://www.myspace.com/obskuredeathmetal

Fotos: André Rocha.

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Sobre Leonardo M. Brauna

Leonardo M. Brauna é cearense de Maracanaú e desde adolescente vive a cultura do Rock/Metal. Além do Whiplash, o redator escreve para a revista Roadie Crew e é assessor de imprensa da Roadie Metal. A sua dedicação se define na busca constante por boas novidades e tesouros ainda obscuros.

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