Unearthly: saída do baterista e esperada turnê no exterior

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Por Breno Airan, Fonte: Rock na Velha
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A banda carioca UNEARTHLY está galgando novos rumos, alguns passos até fora do país. E o Black Metal apurado do quarteto, formado em 1998, mostra que a competência vai além dos corpse paints.

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Para tanto, a revista Rock Meeting conversou com o baixista e fundador do grupo, M. MICTIAN. Ao lado do guitarrista e vocalista LORD THOTH – que não mais está na banda –, eles sempre primaram em fazer um trabalho bem profissional, como o músico gosta de frisar, lançando duas demos, quatro álbuns oficiais, um MCD e um disco ao vivo.

Confira a entrevista, contando também com a presença do guitarrista VINNIE TYR:

- Estão prestes a completar 15 anos de banda. Durante esta caminhada, houve mudanças, conquistas, dificuldades... De 1998 para cá, o que permanece?

M. Mictian: Permanece a garra, a vontade e a filosofia. Continuamos caminhando com a mesma ideia inicial de profissionalismo, ultrapassando as barreiras sem ficar choramingando. Encaramos obstáculos que são muitos aqui no Brasil, mas sempre nos mantemos de cabeça erguida e, com o tempo, começamos a colher frutos de todo nosso trabalho árduo. A ideia é não parar; é sempre ir em frente e tentando conquistar mais e mais.

- Pois bem. Quatro álbums de estúdio lançados. Uma compilação. Um álbum ao vivo. “Flagellum Dei” é o mais recente. Muitas respostas positivas, não é?

M. Mictian: Sim, você está certo. O “Flagellum Dei” está nos trazendo muitas coisas boas. Fez nosso nome se expandir muito e não só aqui no Brasil e também pelo mundo afora. É muito interessante esta nossa fase, porque estamos sendo reconhecidos. Muitas críticas positivas chegando de toda parte. Este reconhecimento é muito bom e mostra o quanto “Flagellum Dei” é um excelente álbum.

- Ainda sobre o atual trabalho, como foram as gravações na Polônia? E como surgiu a aproximação com os irmãos Wojtech e Slawek Wieslawski?

Vinnie Tyr: A gravação foi ótima, extremamente profissional! Ficamos hospedados no próprio estúdio e tudo era rigidamente cronometrado. Começávamos às 9h da manhã e parávamos exatamente às 19h. Os irmãos trabalham em turnos havendo a troca de posto na metade de cada período. Achamos excelente a forma de trabalho deles, pois não há desperdício de tempo e nem oscilações de qualidade por excesso de trabalho. São pessoas muito boas, além de serem extremamente profissionais e pacientes quanto aos erros. A princípio, quando começamos a compor, conversamos sobre que tipo de qualidade sonora que queríamos para esse disco; precisávamos dar mais um passo na carreira da banda e começamos a pesquisar as gravações que mais nos agradavam. Então, foi aí que entramos em contato e eles nos passaram todas as condições para a gravação. Fizemos o agendamento meses antes e nos programamos.


- A banda em si tem um apelo imagético muito marcante. O álbum não poderia ser diferente. A arte gráfica é realmente impressionante. A partir da concepção do play, como chegaram até aquela ideia que culminou no encarte?

M. Mictian: A ideia é sempre compor canções e fazer com que arte gráfica do disco represente cada música ou o álbum com imagens. Sempre trabalhamos desta forma. Vamos imaginando como seria cada música, como as pessoas irão “ver” e sentir a música. Não fazemos nada ao acaso; procuramos fazer tudo dentro de um contexto e deixamos tudo envolvido com esse clima.

- É difícil entender, para nós meros leitores, como são o trabalho e o reconhecimento de uma banda fora do seu país. Vocês alcançaram um patamar importante nos Estados Unidos, Europa, Oriente Médio e Austrália com o atual álbum. A quem ou ao que vocês atribuem a chegar onde estão alcançando? O que buscam mais?

Vinnie Tyr: Com certeza, ao esforço e muito trabalho. Todos nós viemos do subúrbio do Rio de Janeiro e nunca tivemos muitas condições financeiras para altos investimentos; o que nós fizemos foi nos unirmos cada vez mais. Traçamos sempre as metas e planejamos como iremos alcançá-las. O principal mesmo é a união e muito trabalho. Em uma banda, é preciso estarem todos na mesma sintonia, senão as coisas não funcionam. Como temos que dar um passo de cada vez, a nossa próxima meta é a turnê internacional no segundo semestre que já está quase toda agendada.

- Shows. Desde o início do ano vocês têm feito shows regulares no Brasil e dividindo o mesmo palco com bandas de renome como Aborted, Decapitated e Hate. Tarefa cumprida ou ainda é só o início?

M. Mictian: Não, não... Estamos sempre querendo mais! A nossa ideia é sempre estar no palco fazendo shows, divulgando o nosso nome. Para nós, nunca está bom; temos fome e sede de shows, de estar na estrada, de fazermos cada vez mais e melhor. Por isso, nós ‘damos’ o tempo todo à banda.

- Em breve, farão uma longa tour pela Europa. Quais as expectativas da banda?

Vinnie Tyr: Estamos bastante ansiosos. Esperamos dar o melhor nos shows e queremos muito divulgar cada vez mais a banda. Vai ser ótimo atingir uma grande quantidade de público e fazer o grupo ficar mais conhecido. Mas sabemos das dificuldades que enfrentaremos – turnê é algo extremamente cansativo: você dorme mal, come mal, está todo dia dentro de um ônibus ou avião. É muito cansativo! Porém, é isso que nós amamos fazer e com certeza é isso que queremos.

- Ainda sobre os shows, principalmente com a agenda a ser cumprida, a banda passou por mais uma baixa, na bateria. Quais as razões de ter levado Rafael Lobato a esta decisão e quem está no lugar dele?

M. Mictian: Não muda nada. O B. Drummond, nosso novo baterista, já está ensaiando conosco há semanas e desenvolvendo bem junto com a banda o repertório que tocaremos em nossos shows. Ele se mostrou bastante profissional e organizado – nos deixou com excelentes expectativas para as próximas apresentações. Sobre Rafael Lobato, seus problemas pessoais e profissionais estavam atrapalhando o fluxo natural da Unearthly e não podíamos deixar que isso acontecesse. Então, tomamos uma decisão conjunta em afastá-lo da banda.

- Dizem que o Metal brasileiro anda mal das pernas. Falam isso por não conhecer o que tem no país ou é fato?

M. Mictian: Olha, até certo ponto, quem fala isso tem alguma razão. Mas, ao mesmo tempo, há muita coisa boa acontecendo. Então, eu acho que depende da ótica de cada um. De verdade, temos muitos produtores amadores que querem fazer shows “meia-boca” [vide MOA]. Acho que você compreende bem o que estou falando, porém, também tem muita banda amadora e muita banda querendo tirar mais da cena do que ela pode lhe dar. Para você querer mais, você tem que fazer por onde; são muitos detalhes dentro disso tudo. Enquanto isso, nós vamos trabalhando ao invés de reclamar e culpar alguém.

- Por fim, o que podemos esperar do Unearthly nesta segunda metade de 2012, de fato? Sucesso sempre. Espalhem o nome do Brasil para o mundo.

Vinnie Tyr: Agora, no segundo semestre, estaremos em turnê pela Europa e Austrália confirmadas até o momento para a divulgação do “Flagellum Dei”. Estamos tentando fechar outras datas nos EUA e na Argentina. Tocamos no “Forcaos”, em Fortaleza, que aconteceu nos dias 20 e 21 de julho. Agradeço a todos os fãs da banda por nos apoiarem todos esses anos. Esperamos que todos gostem do nosso novo disco.

M. Mictian: Estamos em pleno vapor na divulgação do álbum “Flagellum Dei”, como o Vinnie citou. Temos esta tour para fazer... Mais e mais trabalho!

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Sobre Breno Airan

Acima de tudo, um forte. Ser roqueiro no Nordeste é estar cercado de olhares de soslaio. Mas ele sabe ser simpático. Começou a escutar Heavy Metal ainda na barriga da mãe. A seu pai, uma verdadeira enciclopédia do estilo, deve tudo. Aos 14 anos, pediu para uma tia R$ 12 de presente de Natal, foi a uma loja de CDs usados e catou logo o "Rust in Peace", do Megadeth - em perfeito estado, inclusive. Daí por diante, a paixão só vem aumentando. É editor do blog Rock na Velha, integrante do blog Combe do Iommi e colaborador da revista alagoana Rock Meeting. Ainda tem tempo para ser jornalista e de tocar baixo em sua banda de Hard Rock, a Azul Manteiga.

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