Max: "Antes morto no palco que velho numa cadeira de rodas"
Por Mayara Puertas
Fonte: Blog True Metal
Postado em 16 de dezembro de 2011
Durante uma entrevista para o site TheScreamQueen.com em dezembro de 2011, Max Cavalera falou sobre sua experiência vivida em anos de estrada como músico, pai, fã, amante do heavy metal, e acima de tudo, sobre a importância de se levar a música a lugares que normalmente as grandes bandas não chegam.
TheScreamQueen: Para seu show ser bom para o público, tudo na noite do show tem que dar certo?
Max Cavalera: "Tenho a filosofia de não importa quantas pessoas estão lá, você deve fazer sempre o mesmo show, se é uma multidão ou não, você deve sempre, mesmo quando há menos pessoas, deve fazer um show dando o seu melhor, porque essas pessoas estão lá, eles são os seus fãs. Eles podem vir em pequeno número, mas eles vem."
TheScreamQueen: Como é a sua vida estando em turnê quase ininterrupta por tantos anos ao lado do seu irmão? Você acha que isso os fortaleceu?
Max Cavalera: "É um estilo de vida dura. Não é para todo mundo, sabe? Todo mundo pensa que é de luxo e outras coisas. Há algum luxo, mas há também um monte de luta, é difícil dormir, você está em um lugar diferente a cada dia. Você quer comida saudável? Esqueça isso! Vai ser pizza depois do show e é isso. É melhor comer isso, ou você não come. Mas tudo isso junto te faz mais forte, porque se você pode passar por isso, você também pode superar conflitos mentais. Como um fuzileiro naval, um pouco, sabe? Então, nós somos como os fuzileiros navais do metal."
TheScreamQueen: O que aconteceu com você que realmente marcou a maneira como você é como pessoa, que marcou a maneira que você escreve ou simplesmente te marcou?
Max Cavalera: "Algumas coisas... O nascimento do meu primeiro filho, Zyon, foi realmente ótimo. E eu estava no Sepultura na época, era algo que eu realmente queria que todos soubessem que eu tinha um filho, eu não queria esconder ele do mundo, sabe? Eu queria mostrar às pessoas que você ainda pode ser agressivo, tocar música pesada, mas ser um pai, ao mesmo tempo, que foi muito bom, porque muitas pessoas têm um preconceito de que se você for um pai, você não pode bater cabeça e outras coisas. Isso é besteira! Só porque você tem uma família não significa que você não pode tocar rápido, sabe? Então, eu estava muito orgulhoso e anunciei para o mundo inteiro, fiz fotos com ele, a Roadrunner Records fez fotos especiais de mim segurando-o e eu escrevi o nome dele em meus dedos, que eu acabei tatuando depois. Foi um grande momento! E eu acho que ao longo dos anos, os lugares especiais que marcaram, Europa Oriental, Sérvia, Rússia, vocês sabem, Sibéria, fizemos dez shows na Sibéria. Nós tocamos em lugares que ninguém vai mesmo, onde não há concertos, e que foi tão legal. Nós levamos a música para pessoas que nunca viram nada, e eles são tão gratos. Aqui no Ocidente, por vezes, temos um público mimado porque podemos escolher entre vinte shows numa noite, então eles simplesmente não se importam. Agora no caso desses lugares onde nunca há um show, estes são totalmente únicos, foi tão legal, cara. Faz você olhar para a música de uma forma totalmente diferente. A música te leva a lugares que você não deveria ir como a Sibéria. Talvez, por natureza, você não deveria ir para lá, mas você acaba indo assim mesmo, porque você vai contra a natureza, sabe? E eu sou um desses, peço a minha agente de reservas para me levar para esses lugares, eu sempre quero ir para algum lugar exótico como a Indonésia. Se eu pudesse fazer turnê no Vietnã, eu iria lá - no Oriente Médio, eu não tenho medo porra, eu iriaa lá, eles não vão me bombardear. Se o fizerem, eu morreria no palco, é o lugar perfeito porra... morrer fazendo o que se ama. Antes morto no palco do que velho numa cadeira de rodas.
A sua vida vai para cima e para baixo, mas a música está sempre lá. É uma constante, você sempre pode contar com isso. Quando as coisas são boas, ela está lá, e quando as coisas estão ruins também. Então, é algo que você pode contar, é como um amigo verdadeiro que você pode ter. Eu acho que a música é assim para mim. É algo que sempre - se você está se sentindo para baixo, você pode colocar em algo que gosta e você se sentirá melhor depois disso. Isso é ótimo, o poder da música."
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