"A Triste Arte de Sorrir": entrevista com o Ynis Vitrin
Por Ben Ami Scopinho
Postado em 07 de dezembro de 2010
Natural da prolífica cidade gaúcha de Caxias do Sul, o YNIS VITRIN amargou os últimos anos em pleno limbo. Mas a explicação é simples... Seus músicos são amigos de longa data e, como tal, optaram por aguardar que um de seus companheiros tivesse melhores condições de saúde para seguir adiante após um trágico acidente. Assim, embora na programação inicial "The Sad Art Of Smiling" chegaria ao público em 2007, seu lançamento está ocorrendo somente agora. E que bela obra se saiu! O Whiplash! conversou com o tecladista e mentor Antônio Soccol, que falou de seu acidente, muita música e planos para o futuro.
Whiplash!: Olá pessoal, é bom revê-los depois de tanto tempo! Vamos lá... O YNIS VITRIN liberou uma das melhores demos de 2005 e, posteriormente, anunciou o lançamento de seu primeiro álbum. O que aconteceu para que "The Sad Art Of Smiling" atrasasse tanto?
Antonio Soccol: Eu sou o tecladista da banda e sofri um acidente de moto em Lages (SC), em dezembro de 2007, onde fiquei em coma por 27 dias e hospitalizado por quase cinco meses. Desde então, fiquei paraplégico... Então a banda achou melhor eu me reabilitar para lançar o CD e, além disso, muitas coisas que seriam necessárias para seu lançamento estavam em minhas mãos.
Whiplash!: Diante de todos esses problemas, como se desenvolveu o processo de gravação do novo disco? O áudio está bem legal... Quem foi o responsável pela produção, afinal?
Soccol: Quando eu me acidentei, as músicas estavam praticamente gravadas, e eu e o Benhur (voz e baixo) produzimos as vozes e teclados juntos. A finalização foi feita pelo Benhur, ele é quem foi o responsável pela qualidade sonora final do CD.
Whiplash!: Considerando as tantas boas impressões que a citada demo causou, vocês sentiram certa pressão ao preparar o repertório de "The Sad Art Of Smiling"? Ainda que sua identidade esteja lá, as canções estão um pouco diferentes...
Soccol: Sim. Sentimos certa pressão, pois a Demo "A Dark Land" projetou a banda de forma inesperada e a mudança sonora foi uma evolução natural de nossa parte, que soubemos filtrar as críticas positivas das negativas para ajustar o som.
Whiplash!: "The Sad Art Of Smiling" é um título curioso e sua arte de capa passível de várias interpretações. Como criadores, o que quiseram transmitir com essa "a triste arte de sorrir", que, aliás, combina tão bem com sua música?
Soccol: A sugestão do nome foi minha e aceita pela banda sem restrições. Como eu componho muitas letras, o título projeta certo descontrole e variações de estado emocional nas criações, que é o que acontece comigo. As minhas melhores criações ocorreram quando eu estava triste e o resultado delas me fazia sorrir. Por isso, o título "A triste arte de sorrir".
Soccol: Quanto à capa, também foi sugestão minha e as interpretações deverão ficar a cargo de cada coração que ouvir o CD e entender o conteúdo sonoro, pois, como você sugere na pergunta, a arte do disco cria um leque enorme de interpretações que cada ouvinte deve ‘linkar’ com suas experiências de vida.
Whiplash!: Algo muito marcante em sua música é o equilíbrio entre cada elemento utilizado, além da forma como trabalham com os coros, características bem representadas por "End Of Line" ou "Remains Of Life", por exemplo. Tudo visa transmitir forte emoção ao ouvinte... Antonio, há momentos que você considera ideal para compor?
Soccol: Sim. Gosto de compor com liberdade. Bons exemplos são as faixas "Take Me Home" e "Limbo", que foram feitas por motivos muito fortes. "Limbo" fala de um amor psicótico de alguém que se apega à vida como um último suspiro, pouca sanidade e pretensões ainda menores; e "Take Me Home" foi composta ‘na cabeça’ enquanto caminhava no Shopping, imaginando alguém se responsabilizando pelo meu conforto e me conduzindo pela noite até um lugar seguro, longe da condicionalidade humana.
Soccol: Na música "Open Arms", compus a letra me imaginando na janela de um apartamento e vendo a vida passar. Falo em coisas comuns, como um café esfriando na mesa e coisas sem importância na tela de uma TV. Mas ela também representa a negação de ser uma pessoa comum, pois os braços estão abertos para apertar o mundo contra o próprio peito e transpor a banalidade.
Whiplash!: Atualmente, o vocalista Benhur Lima está tocando contrabaixo no Hibria. Até onde isso pode comprometer, ou não, o andamento das atividades do YNIS VITRIN?
Soccol: Não compromete em nada. Ele é um ser de capacidade estendida e grande discernimento, e conjuga os dois trabalhos de forma brilhante, sem nenhum detrimento à YNIS VITRIN. E estar no Hibria até pode nos ajudar, pois ele conhece muitas pessoas que são do meio musical.
Whiplash!: Você está paraplégico e isso certamente dificultará em alguns pontos. Ainda pretendem tocar ao vivo? Haverá algum tipo de cuidado neste sentido?
Soccol: Sim. Pretendemos tocar ao vivo nos locais que oferecerem condições mínimas para isso. Não vejo problema algum em tocar ao vivo sem movimento nos membros inferiores.
Whiplash!: Antônio, como esse acidente afetou a forma como você encara a Vida e a Arte, em especial em uma sociedade que tanto prioriza esse simulacro chamado beleza exterior?
Soccol: Estou me adaptando e entendendo que tudo tem dois lados na vida. A sociedade não repele pessoas capacitadas mesmo que tenham deficiências físicas, pois nossa vida é uma projeção nossa, e então me projeto como uma pessoa normal e dotada de capacidades singulares. É assim que as pessoas me vêem.
Whiplash!: O YNIS VITRIN decidiu seguir com sua carreira e quem teve acesso à sua música certamente ficará feliz. Assim sendo, quais os planos para o futuro? Aliás, sei que estão preparando algumas novas canções... Como estão soando, depois de tudo o que passaram?
Soccol: A banda está projetando um próximo álbum com mais refinamento nos arranjos e composições, mas não sem esgotar o CD atual, que está uma obra-prima e naturalmente alavancará muitos resultados. Queremos ser uma banda grande e faremos tudo para que isso se concretize.
Whiplash!: Ok, cara, vamos ficando por aqui. O Whiplash! agradece pela entrevista. Esperamos que o YNIS VITRIN sempre consiga superar seus problemas e oferecer sua bonita música ao público. Fiquem à vontade para algum comentário final...
Soccol: A YNIS VITRIN deixa um grande abraço para todas as pessoas que, de uma forma ou outra, nos apoiaram nas horas mais pesarosas, não perdendo a esperança e a crença na superação de cada integrante.
Contato:
http://www.ynisvitrin.com.br
http://www.myspace.com/ynisvitrin
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