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Man Of Kin: "A cena Heavy Metal em Londres é terrível!"

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Por Ben Ami Scopinho e Débora Brandão
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Com cerca de cinco anos de estrada, os ingleses do Man Of Kin são novatos na cena, mas trabalham com afinco e liberaram dois belos álbuns independentes que já vem colhendo seus frutos em sua região. E, como divulgação do recente "... And So It Begins", a banda está saindo de seu país pela primeira vez, com destino ao Brasil.

Tradução: Débora Brandão

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Jaz Oberoi (voz), Aaron Waddingham (guitarra), Jon Coakley (guitarra), Carl Stanley (baixo) e Rob Halliday (bateria) tem como destino São Paulo (SP), Palmas (TO) e Teresina (PI), e, aproveitando a ocasião, o Whiplash! conversou com Oberoi pouco antes de embarcarem para terras verde-amarelas, num papo que revelou um pouco mais sobre a banda e o atual e desgastado cenário inglês.

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Whiplash!: Olá pessoal, como vão as coisas por aí? O público brasileiro ainda não teve muito contato com o Man Of Kin... Que tal começarmos com um breve histórico desde sua fundação?

Jas Oberoi: Olá a todos do Whiplash!. Agradecemos o interesse no Man Of Kin e estamos muito felizes com toda recepção que estamos recebendo do Brasil muito antes de chegar. Bem, somos uma banda de ‘groove metal’ da Inglaterra com base em Londres, e já estamos na estrada há dois anos, por todo Reino Unido. Nossa história não é tão diferente das outras bandas: começamos tocando em locais pequenos, pubs locais, e há cerca de um ano as coisas tem acontecido pra nós bem rápido! Tivemos a honra de tocar nos locais mais famosos de Londres e do Reino Unido ao lado de grandes bandas. Temos dois álbuns em nossa discografia e o mais recente deles "... And So It Begins" foi lançado esse ano, e estamos fazendo todo o trabalho de divulgação dele.

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Whiplash!: A idéia inicial seria o Man Of Kin executar um tipo de Prog Rock, certo? O que aconteceu para que sua música seguisse por caminhos tão mais pesados, esse Thrash Metal repleto de groove?

Jas Oberoi: Quando nos conhecemos e marcamos o nosso primeiro ensaio, há dois anos, a intenção era que eu fosse para a bateria. Eu já tocava bateria a sete anos e queria começar uma banda de prog como um sentido diferente. No primeiro ensaio não tínhamos um vocalista, mas havia outro baterista, então eu peguei o microfone e resolvi fazer uns vocais nessa sessão. Ficou, então, evidente que eu tinha um vocal ‘scream’ natural e todo mundo parecia estar a gostandao dele. A música, naturalmente, mudou-se para um estilo semelhante ao vocal e, ao longo dos anos, temos continuado fazê-lo. A química tem funcionado bem e temos já alguns fãs por aqui.

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Whiplash!: Sua estreia se deu em 2009, com o independente "Lock And Load". Ainda que a formação do Man Of Kin não estivesse realmente definida, que tipo de balanço vocês fazem, tanto em relação às vendas, quanto ao reconhecimento e os shows realizados?

Jas Oberoi: Durante os primeiros 12 meses da banda eu experimentei várias formações, tentando encontrar músicos com grande talento e com menor ego, e em Londres esta é uma tarefa realmente dura. Nós gravamos "Lock n Load" em abril de 2009 e lançamos em um grande show em Londres, o álbum foi recebido muito bem e na Metal Hammer conseguimos 10/10. Então o Man Of Kin excursionou por todo o país com o nosso álbum independente e vendemos muito bem. A primeira tiragem (2000 copias) se esgotou rapidamente e já estamos na quarta prensagem, além de também ter sido baixado milhares de vezes digitalmente, no mundo que vivemos hoje temos que nos render ao ‘download’.

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Jas Oberoi: Depois que terminamos nossa turnê no Reino Unido, no ano passado, ainda havia problemas com algumas atitudes e capacidade na banda, então eu fiz mais alguns ajustes para o line up, e então em julho de 2009 a formação atual foi formada e nós começamos a escrever "... And So It Begins", ao longo de 12 meses, e era evidente que esta formação estava funcionando muito bem. As músicas foram compostas de uma forma clara e muito tranqüila, além de um ambiente divertido e descontraído. "... And So It Begins" foi lançado em maio de 2010, um grande show no famoso Scala, em Londres, com oito bandas de apoio, e agora estamos nos concentrando em turnês para empurrar o álbum, não só no Reino Unido, mas em todo o mundo.

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Whiplash!: Há alguns meses vocês liberaram seu mais novo disco, "... And So It Begins". Considerando que agora o Man Of Kin conta com o guitarrista Aaron Waddingham, quais foram as metas que tinham em mente quando começaram o processo de composição? Que elementos vocês, definitivamente, queriam ter no álbum?

Jaz Oberoi: Antes de Aaron se juntar à banda, fomos ficando cada vez mais frustrados com a cena metal no Reino Unido, e isso era cada vez mais evidente. Depois que ele se juntou a nós, a sua atitude, habilidade e estilo de tocar eram exatamente o que precisávamos, e paramos de nos concentrar apenas na cena, nos focando cada vez mais na música. Seu estilo é totalmente natural, sem meio-termos, com um som realmente original e este som se tornou o modelo para o próximo álbum. A maior diferença em trazer Aaron pra família Man Of Kin foi o processo criativo, todos nós ficamos muito mais envolvidos na composicao e todos estavam muito orgulhosos do que conseguimos no final do mesmo, sem argumentos sobre ’Quem escreveu o quê?’.

Whiplash!: Visto a técnica e melodia variada que constituem esse novo trabalho, qual é seu maior diferencial em termos de Heavy Metal?

Jaz Oberoi: O que pretendemos é combinar elementos de metal ‘old school’ pesados e, ocasionalmente, trazendo algumas influências mais recentes, nós não nos consideramos uma banda de metal elitista e nós escrevemos a música que gostamos de tocar e ouvir. Nós nos concentramos na combinação de vontade de tocar thrash-out ao tentar manter os grooves e melodias que achamos que seja parte integrante daquilo que estamos procurando agora.

Whiplash!: O underground mundial simplesmente não mais revelou uma banda de grande impacto, que faça a diferença. A que vocês acham que se deve esse fato, principalmente se levarmos em conta a importante tradição que a Inglaterra possui em se tratando de Heavy Metal?

Jaz Oberoi: Embora eu ache que se tornou muito mais difícil pra todo o mundo, e muito mais para as bandas de metal para tornar o sonho de ser reconhecido, eu ainda acho que existem bandas por aí que dão esperança para a comunidade metal underground, bandas como o Lamb of God, que tocaram no circuito underground de 10 anos antes de conseguirem estourar na cena internacional. A verdade é que o fato de que tenho notado que pra você ser realmente reconhecido e ser descoberto por um grande selo (que a maioria está falindo) é uma tarefa meio que impossivel, há 10 ou 20 anos atrás tínhamos 10 bandas excelentes entre 100 bandas. Agora temos 10 bandas entre 100.000. Várias e várias bandas, e todas correndo atrás do mesmo ideal. Eu acredito que assinar hoje e pura sorte. O novo mercado é saber ser o melhor possível, independente.

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Whiplash!: Afinal, como está a situação do underground inglês, com todas as mudanças drásticas enfrentadas pelo mercado fonográfico? Existe muita concorrência, opções de locais para se tocar, um real apoio por parte do público, selos e mídia?

Jaz Oberoi: A realidade é que a cena Metal em Londres é terrível, e é embaraçoso pra nós, ingleses, termos que falar isso, mas é a pura realidade. Para um país que gerou Heavy Metal é trágico ver o que ele se tornou. A qualidade das bandas nunca mudou, ainda há bandas incrivelmente fodas por aqui, mas você vai vê-los em um show e não terá mais que 10 amigos que estarão no pub, com os braços cruzados. A principal razão são os promotores daqui, não há um único promotor sério em Londres, que faça isso realmente pelas bandas, eles fazem para seus próprios bolsos e por status, e há um enorme sentimento de desilusão entre as bandas. Algumas tocam nos mesmo locais, semana após semana, para as mesmas pessoas, fazendo o promotor ganhar uma tonelada de dinheiro! Mas o produtor irá convencê-los que eles são a próxima grande revelação, mas, na realidade, o promotor não quer que eles consigam alguma coisa, e sim que eles continuem a tocar em seus shows, estuprando-os profissionalmente!

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Whiplash!: No cenário inglês atual, que bandas vocês indicariam para o leitor do Whiplash?

Jaz Oberoi: Para o lado mais pesado há duas bandas que eu ouvi nos últimos meses, que são pesadas como o inferno, uma é a KopperHed e a outra, a Karybdis. Sem decepções. Confira!

Whiplash!: Sua primeira excursão fora da Inglaterra começará pelo Brasil. Como rolou o contato para tocar por aqui e o que esperam destas apresentações? Suponho que já saibam que o público brasileiro construiu a reputação de ser bastante receptivo, nós temos grande paixão pela música e um underground efervescente...!

Jaz Oberoi: Essa é a razão que estamos indo para o Brasil, depois de tocar por todo o Reino Unido por dois anos. Precisávamos de uma fuga e ver o que os fãs de metal são feitos na real, e o nosso agente da Black Sun Music Management’ já fez turnês no Brasil antes e nos disse que ele é o público mais louco, os fãs da música mais apaixonados do mundo. Foi sempre um sonho para a banda poder ir tocar no Brasil, e queríamos muito começar por aí. Também temos uma turnê de dois meses pela Europa no próximo ano, inclusive junto com uma banda brazuca fantástica: Nervochaos! Eles são realmente incríveis e já não vejo a hora de cair na estrada com eles na Europa, bem como nos festivais. Mas estamos realmente animados sobre ir para o Brasil, conhecer o país e detonar nos shows.

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Whiplash!: Vocês trabalham rápido para uma banda independente... Dois discos em dois anos, e uma excursão por um país de outro continente. Nada mal... O que mais há para este resto de 2010 e próximo ano?

Jaz Oberoi: Estamos muito impulsionados com a banda e sempre tivemos uma forte crença de auto-confianca, para chegar a este ponto tão depressa. É bem animador estarmos conquistando nosso espaço, com muito trabalho duro e um grande apoio que temos recebido. Estamos muito felizes de ter iniciado nosso trabalho com a Black Sun Music e aí no Brasil com a Metal Media, eles realmente nos ajudaram a chegar no nível que estamos, especialmente na parte de tours fora do Reino Unido, e também a melhorar nosso perfil e profissionalismo. No próximo ano, pretendemos gravar um outro álbum, que será o primeiro lançamento internacional, e se chamará "Reality Check" e é muito provável que vamos excursionar pelo mundo todo para promovê-lo, até o final de 2011 e, assim, possivelmente, sair do circuito underground para uma escala maior.

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Whiplash!: Ok, pessoal, o Whiplash! agradece pela sua entrevista e desde já dá as boas vindas ao Man Of Kin em sua vinda ao Brasil – e cuidado com a caipirinha brasileira, meus caros! Fiquem à vontade para os comentários finais...

Jaz Oberoi: Obrigado pelo apoio e pelo tempo dedicado. Esperamos nos encontrar no Brasil e tomar as famosas Caipirinhas!!!!


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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

Mais informações sobre Ben Ami Scopinho

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Sobre Débora Brandão

Responsável pela Metal Media Management, cresceu ouvindo clássicos do Rock n' Roll e Heavy Metal por influência de seus pais. Em 2007 iniciou sua carreira na área da música trabalhando em uma gravadora nacional e fundando uma assessoria de comunicação voltada a bandas de Rock/Metal. Hoje, com grandes nomes no Roster, a Metal Media é uma das empresas que mais apoia e acredita no Metal Nacional.

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