Smashing Pumpkins: entrevista com o líder Billy Corgan

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Por Amanda Dumont, Fonte: The Seattle Times, Tradução
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Jonathan Zwickel do The Seattle Times conduziu um entrevista com o líder do SMASHING PUMPKINS, Billy Corgan.

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The Seattle Times: É difícil ouvir as músicas da sua infância sem a nostalgia ou o sentimentalismo atrapalharem a apreciação da mesma.

Billy Corgan: É. Uma coisa que eu aprendi com o passar dos anos é tocar no momento em que você se encontra. Você não pode voltar. Tem que tocar essas (velhas) músicas, quando você as tocar, com uma visão de 2010. Você não pode recriar o mosh pit de 1992. Simplesmente não vai acontecer.

Tem muito material que eu tentei tocar em ensaios e eu só digo para a banda, "Não, não soa certo." A banda soa muito contemporânea, esse é o melhor jeito de descreve-la. Nós estamos na corda bamba tentando soar contemporâneos sem ficar sentimental. Eu acho que sentimentalidade com música é a morte.

No fim do dia, não importa quais sejam minhas origens, eu estou basicamente tocando uma forma bastarda de música pop. E música pop e sentimentalismo são uma má mistura. Então, do jeito que eu vejo as coisas - por exemplo, nós estamos fazendo uma versão da minha música "Star." E o modo como eu abordo isso e como eu tento cantar a letra é diferente daquele menino de 25 anos que cantou sobre abuso infantil. Estou aqui como um homem de 43 anos que tem uma nova visão sobre o mundo. Então a letra soa diferente. E eu não trato isso como um momento especial na minha vida, eu trato isso como uma coisa muito relevane que tem um significado diferente para um cara de 43 anos, em contraste com o cara de 25 anos que eu era quando a escrevi. Eu aprendi muito com o Bob Dylan sobre essa abordagem.

TST: Parece que a audiência está acompanhando a mudança?

BC: Escuta amigo, quem sabe o que a audiência acompanha, você me entende? (risos) Eu aprendi há muito tempo a fazer o que eu gosto e deixar que as fichas caíssem onde deveriam. Estou frequentemente espantado pelo jeito que as pessoas interpretam o que eu faço, para melhor ou para pior. Nesse ponto, eles vêem fantasmas onde não existem fantasmas e ouvem vozes onde não existem vozes. Estou em um lugar feliz. Estou muito entusiasmado por tocar minha música. Na minha carreira, esse é um bom momento. Eu sinto uma sensação de realização só de estar em um lugar saudável, com uma banda saudável. Fãns se empolgam com os shows. Eu só não entro mais nessa porque é uma montanha russa.

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Eu tive que chegar num ponto onde como um homem eu tenho que estar bem com meu sistema e não ser pego no de mais ninguém. Porque, acredite, eu ouvi isso por 25 anos, a (palavrão) do mundo indie dizendo como você deve ser, como deve se vestir, como deve pensar, como deve agir, seus shows, sem solos de guitarra, toda essa merda. Você se cansa de ouvir isso.

TST: O sentimento contemporâneo da banda que você mencionou - parece uma boa justificativa para continuar sobre o nome SMASHING PUMPKINS, tocando essas músicas, mesmo com as críticas.

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BC: Vamos examinar essas coisas um pouco. Número um, o nome da banda. Bom, todo lugar que eu vou as pessoas dizem, "É aquele cara do SMASHING PUMPKINS" (risos) Então eu sou o SMASHING PUMPKINS quer eu queira ou não. Como um indivíduo, eu gosto de ser o SMASHING PUMPKINS. Então é minha escolha, é algo que eu escolhi fazer. E acredite em mim, ser o SMASHING PUMPKINS vem com muita bagagem. Não é um patrimônio limpo.

Então eu posso estar aqui e dizer com toda integridade que eu sou SMASHING PUMPKINS porque eu quero ser. E o fato de estar lançando nova música, estou sendo um artista progressivo, estou tocando novas músicas nos shows, estou lançando música de um jeito que muitas pessoas não teriam coragem de fazer - eu acho que isso é evidente. Para mim essas questões falam mais sobre a opnião sentimental das pessoas do que o que elas querem que eu seja, preso aos CDS dos anos 90 ou algo assim. Por que o SMASHING PUMPKINS não pode continuar?

Quando Michael Jordan saiu da aposentadoria, as pessoas pensaram, "Ele está arruinando um legado!" Bem, ele queria jogar basquete" Eu só não entendo isso. Por que eu não posso fazer o que eu quero? Você é criticado como um artista se você se rende às opiniões alheias e aqui eu estou, não me rendendo e ainda sendo criticado por isso. Eu não entendo a lógica que eles seguem, mas ele não entendem a lógica sobre a qual eu vivo.

Estou feliz! Essa é uma coisa que as pessoas deviam compreender. Não estou miserável, implorando por um cheque. Estou feliz! Estou tão feliz quanto eu estava em 1996 com o SMASHING PUMPKINS. Isso não é importante? Por que as pessoas não falam sobre isso? Para mim essa é a cultura de morte que quer tudo em uma caixa organizado. E não vivemos mais em um mundo organizado. Por que o U2 não se aposenta? Eles não fizeram dinheiro suficiente? Por que os ROLLING STONES ainda saem em turnê? Só há Mick Jagger, Keith Richards e Charlie Watts. Por que eles não se aposentam? Eu não entendo. Se as pessoas querem tocar e querem ir, que (expletivo) de diferença faz?

Para melhor ou pior, eu fui uma força cultural, pelo menos no meu canto do mundo, por 20 anos. E eu ainda tenho um pouco desse poder, um pouco foi adquirido, outro pouco me foi dado e o resto só me segue no mito. Mas eu ainda estou aqui fazendo coisas boas. Quero dizer, estou andando por ai como um cara de 43 anos, não bebo ou uso drogas há 10 anos. Falo abertamente sobre Deus. Estou aqui feliz, sorrindo, as pessoas me verão feliz. Qual é o problema? Não há problema. Existe um problema sendo criado de uma necessidade intelectual de se explicar algo inexplicável.

TST: A implicação é que você nunca será tão bom quanto antigamente.

BC: Ouça, não há maior insulto pra mim como artista do que basicamente dizer implícito que você nunca será tão bom quanto você foi. Minha resposta para tudo isso é (palavrão)! Volte e viva na terra dos vídeos, leia (a revista) Rolling Stone de 94 e leia sobre integridade indie, veja Kurt de pé no morro com uma camiseta "Corporate Magazines Suck". Você pode viver isso para sempre. Pra mim já deu. Estou me mudando para a próxima cidade. Você sabe? Eu tenho um cavalo diferente e eu estou cavalgando para um novo horizonte. E as pessoas que estão em volta parecem estar se divertindo.

TST: Vamos falar sobre as coisas novas. Você ouviu sobre o movimento da 'slow food'?

BC: Não.

TST: É o contrário do fast food - da fazenda para a mesa, agricultura sustentável, uma abordagem meticulosa e pensada para a comida. O que você está fazendo online - demorando quatro anos para lançar um álbum, música por música - soa quase que um movimento da 'música lenta'.

BC: Eu gostei da sua observação. Há um ingrediente chave que irá fazer desse um trabalho de longo termo: A música tem que ser fantástica. Se a qualidade baixar na terceira ou quinta ou sétima música, já era, as pessoas não voltarão. Isso põe a pressão no máximo sobre minha cabeça para que eu eleve o nível.

Adoro estar de volta no momento da pressão. Veja, quando eu era mais novo pressão era, "Você pode me dar um hino do rock? Você pode me dar uma música que irá tocar na MTV?" Todas essa pressões se foram agora, então onde eu vou achar tal nível de estresse? Eu tive que criá-lo sozinho.

Coloquemos desse modo: Eu não vou ganhar uma crítica boa do Pitchfork. Eu não vou receber esse tipo de... apoio. Eu preciso descobrir um meio de sustentar meu próprio nível de integridade baseado no meu próprio sistema de autenticidade, e não no de outra pessoa. Porque todos esses sistemas estão quebrados, quer alguém perceba isso ou não. Porque a falta de alto nível na música que vem dos show alternativos está se tornando muito precoce. E a qualquer hora que qualquer artista se torna muito precoce ele se torna precioso sobre si mesmo e então basicamente agoniza e morre. Até que alguém venha atrás e descubra um jeito de fazer isso de um modo mais fácil e divertido. Porque eles estão se tornando muito intelectuais daquele lado da cerca. E quando a música vai pra lá, isso é o pior. Isso é realmente pior que hair metal quando você atinge isto.




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Sobre Amanda Dumont

Formada em jornalismo é colaboradora no site desde 2011. Cobriu o Rock In Rio de 2011 e 2013 como integrante da TV Rock In Rio e atualmente trabalha com assessoria de imprensa. Apaixonada por música, está sempre atrás de novidades e curiosidades.

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