Cobalto: fazendo acontecer

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Por Ben Ami Scopinho
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Natural de Salvador, Bahia, o Cobalto está na ativa desde 1999. Mas podemos dizer que as coisas começaram realmente a acontecer com seu primeiro álbum, "Elemental" (05), quando os músicos tomaram coragem e se mandaram para a Europa, onde, sem expectativa nenhuma, conseguiram o devido apoio e passaram praticamente um ano tocando nos palcos do Velho Mundo, onde o ponto alto foi o Masters Of Rock, festival anual que ocorre na República Tcheca.

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Daniel Dattoli (guitarra), Chris Gomes (baixo) e Louis (bateria) agora contam com a voz de Viktor Lemoz, e estão de volta com "Metamorphic", um segundo álbum que é puro Heavy Metal. O Whiplash! conversou por e-mail com Louis, num bate-papo que apenas confirma um velho ditado que diz mais ou menos o seguinte: "Qualquer jornada se inicia com um primeiro passo". Como o leitor perceberá na entrevista, o resto geralmente acontece sozinho...

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Whiplash!: Olá pessoal! Que tal começarmos do início? Como foram os primeiros anos na carreira do Cobalto?

Louis: Salve! Bem... Os primeiros anos foram turbulentos, com o enorme problema de não conseguir um baterista que vestisse de verdade a camisa. Mas isso não impediu a banda de produzir duas demos, uma delas a "Mindiversity", que recebeu elogios da mídia especializada. Nessa época, Jera Cravo era o homem das baquetas, e também o produtor da demo, mas seu estúdio demandava muito tempo e ele ficou impossibilitado de continuar na banda. Então Daniel e Chris me fizeram o convite pra entrar, e depois de pensar um pouquinho (eu tocava em outras bandas) eu topei a parada. Foi com essa formação (Daniel Dattoli - Guitarra / Chris Gomes - Baixo / Louis - Bateria / Jan - Vocal) que entramos no estúdio, novamente com a produção de Jera Cravo, e gravamos o "Elemental" (05).

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Whiplash!: Foi com este "Elemental" que vocês partiram para a Europa como ‘simples mochileiros’. Como foi este período, que tipo de planejamento o Cobalto atentou para esta aventura?

Louis: Foi bem louco, confesso. Algo do tipo: "Vamos jogar tudo pra cima?". O que tínhamos no início eram as passagens e uma dose "extra-grande" de coragem, e foi aí que as coisas começaram a acontecer. A banda tinha decidido pela Bélgica, por ser um país central e ter fácil acesso a quase toda Europa. Chris embarcou pra Londres dois meses antes a fim de estudar um pouco inglês, e nós, que ficamos, compramos os tickets para início de dezembro de 2005. Isso era mais ou menos final de outubro, e Jan mandou toneladas de e-mails aos produtores e bandas européias. Duas semanas depois um finlandês louco leu o e-mail que o vocalista de uma banda de lá repassou para ele, e resolveu dar uma ouvida no som. O cara curtiu muito e entrou em contato com Jan, pedindo material nosso. Acionamos Chris em Londres, que enviou o material no outro dia, e três dias depois o cara enviou um e-mail dizendo: "Venham pra Finlândia que eu arrumo shows pra vocês". E foi exatamente o que fizemos! Compramos passagens da Bélgica para a Finlândia (Chris comprou Inglaterra – Finlândia) para chegarmos no aeroporto de Helsinki no mesmo dia, encontramos o finlandês maluco no aeroporto e dois dias depois já fazíamos o primeiro show na gringa.

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Whiplash!: Quais os melhores momentos e as maiores dificuldades que quatro baianos enfrentaram pelo Velho Mundo (fora o frio da Finlândia, naturalmente...)?

Louis: Pra mim o primeiro momento inesquecível foi a decolagem no aeroporto daqui pra realizar um sonho antigo. Para a banda toda com certeza foi reencontrar Chris no aeroporto de Helsinki, já que fazia dois meses que não víamos o cara. Outros momentos foda existiram, acho que cada show na Europa era um momento único, uma conquista à parte. Com certeza subir no mesmo palco que grandes bandas como Whitesnake, Kreator, Helloween, dentre tantas outras, no festival Masters Of Rock, foi o ponto máximo da coisa toda. Ter pessoas como Roope Latvala (Children of Bodom), Gas (H.I.M) e Niclas Etelävuori (Amorphis) assistindo e curtindo um show nosso também foi foda! Quanto às dificuldades, bem, a maior delas acho que foi a falta do Brasil e das nossas famílias. A convivência também foi difícil, pense só em cinco caras (o manager finlandês estava incluso) vivendo juntos, cada um com suas manias... O resto vocês imaginam! Só pra ter uma idéia, eu vivia acordando às 4 da madrugada com alguém chegando em casa bêbado e colocando Pantera no último volume! Não consigo ouvir Pantera desde que voltei (risos)!

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Whiplash!: Ehehe! Pelo jeito o Cobalto fez bonito por aqueles lados. Como ocorreu o contrato com os selos finlandeses Dethtrone e Forkwork para o licenciamento de "Elemental" na Europa? Deve ter sido um sonho realizado, não?

Louis: Com certeza. O Tony, nosso Manager, na época trabalhava em parceria com a Dethrone, o que foi meio caminho andado para a coisa acontecer. O fato de todo mundo começar a falar da gente também ajudou, e isso foi graças aos shows, porque sempre dávamos até nossa última gota de sangue neles. Quando os shows começaram a crescer e veio o Masters Of Rock, alguns convites começaram a aparecer, e o pessoal da Dethrone e da Forkwork compraram a idéia da banda!

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Whiplash!: Vocês passaram nove meses rodando pela Europa. Como você compararia todo o cenário metálico europeu com o brasileiro?

Louis: Respeito e união. Isso foi o que vimos na Europa. Aqui, músico de Metal é mal visto por quase todos, mas lá fora, não importa seu estilo, você é um músico, desempenha seu papel e é respeitado por isso. E não existe segregação dentro do Metal. Aqui no Brasil você não tem o respeito da grande maioria do povo, e ainda sofre com a segregação dentro do seu próprio mundo. Quem gosta de Death odeia quem gosta de Heavy, que odeia quem curte Thrash, que abomina o Melódico, que não suporta o Black, que odeia todo mundo inclusive outros fãs de Black, e todo mundo junto odeia o New Metal, que até hoje é um rótulo bem vago pra mim... Metal é Metal e ponto. O que importa é a qualidade, em minha opinião. Tá na hora da galera acordar e ver que se unir pode trazer benefícios para todos. Afinal, somos nós, os headbangers, contra todo o resto do mundo, ao que parece...

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Whiplash!: Sim, é verdade... Esta falta de união complica muita coisa. Bom, mas por que o vocalista Jan decidiu abandonar seu posto quando vocês já estavam novamente no Brasil? Afinal, vocês deram um grande passo com seu debut...

Louis: Cada um tem seu momento. Ele tinha as coisas pessoais dele para resolver, e isso não incluía ter uma banda. Respeitamos a decisão dele, continuamos grandes amigos e o cara ainda continua fazendo contatos para o Cobalto, como sempre fez. Eu acredito que a banda não perdeu um membro, mas ganhou outro. E cada um faz o que pode para que a coisa aconteça!

Whiplash!: Independente dos motivos, sua saída complicou a situação da banda, mas o selo Torto Fono Gramas Records acreditou e investiu no Cobalto. Como vem sendo a parceria entre vocês?

Louis: Foi fundamental a ajuda da Torto Fono Gramas. Com a saída de Jan, num primeiro momento a gente se olhou e disse: "ferrou!", mas continuamos compondo e ensaiando apenas em trio, até que o dono do Selo apareceu no ensaio e curtiu as músicas novas. Era só o que precisávamos para tomar novo fôlego. Fomos à luta e em menos de dois meses tínhamos o disco todo composto nas mãos e um novo vocalista.

Whiplash!: O novo vocalista Viktor Lemoz tem personalidade e é bastante versátil. O quanto ele acrescentou à sonoridade da banda?

Louis: Muito! O cara tem um botão de ajuste na garganta que é foda! Dattoli, Chris e Jera Cravo tinham uma idéia, passava para o cara, ele apertava o botão e lá ia ele com uma voz completamente diferente da voz de dois minutos atrás! Mas, sem brincar, o cara é versátil até demais... Se alguém não tivesse gritado "CHEGA" na gravação, estaríamos criando novas linhas vocais intrincadas até hoje.

Whiplash!: Seu novo álbum, "Metamorphic", é conceitual. Qual é a estória abordada?

Louis: Não é bem uma estória, com começo, meio e fim. É mais um retrato do que estávamos passando, e do que tínhamos passado na Europa e tudo mais. A idéia central é que todos têm medo do desconhecido, medo do futuro, mas todos têm também a força necessária pra vencê-lo, bastando apenas acreditar que podemos.

Whiplash!: Musicalmente, quais as diferenças entre "Elemental" e "Metamorphic"?

Louis: O Elemental é uma "Colcha de Retalhos", porque tem músicas das duas demos que tinham sido compostas com outros bateristas, e músicas compostas comigo. Eu procurei aproximar ao máximo as músicas das demos ao meu jeito de tocar, e você pode ouvir isso nitidamente se tiver "Mindiversity" e "Elemental" para comparar. Já o "Metamorphic" é mais coeso, mais centrado. Digamos que é um Cobalto amadurecido. Ainda temos que comer muito arroz com feijão, mas acredito que é perceptível o amadurecimento obtido.

Whiplash!: O vídeo-clip de "Fearing To Bleed" é bastante simples, mas de impacto. Como foi seu processo de gravação?

Louis: Basicamente uma câmera na mão, uma idéia na cabeça, pouco dinheiro no bolso e pessoas que acreditavam no trabalho da banda. O pessoal da Papperball vestiu a camisa e resolveu apostar tanto quanto os músicos, tanto que eles vão a quase todos os nossos shows e registram tudo em vídeo. Usamos o Teatro Sitorne pra fazer as imagens da banda e um quartinho nos fundos da casa de um dos caras da Papperball pra fazer as imagens de Julio Gouveia (Veuliah). Depois os caras foram editando e nos passando o que tinham pronto, para juntos termos idéias. Gostei muito do resultado, temos mais planos para vídeos e com certeza vamos trabalhar mais vezes com eles!


Whiplash!: O quanto toda a experiência conquistada nos últimos anos facilitou a vida para vocês em relação à recepção do público e espaço nos veículos de comunicação?

Louis: Eu acho que não existe muito esse negócio de vida fácil pro Cobalto, não... Ao contrário do que alguns podem imaginar. A experiência nos ajudou a descobrir formas de não quebrar a cara com facilidade, nem esmorecer ante qualquer dificuldade, só que atingir o público e os veículos de comunicação continua sendo um trabalho árduo. Mas tudo que vem com suor vale mais a pena.

Whiplash!: E na própria Bahia, como está atualmente o cenário underground deste estado? Boas bandas não faltam...

Louis: Não faltam boas bandas, com certeza. Como eu disse antes, o que está faltando é um pouco mais de união do público. Tenho visto gente criticar produtores de shows porque sempre trazem as mesmas bandas para tocar aqui, mas o que os caras podem fazer se tomam prejuízo trazendo bandas diferentes, porque o povo fica em casa, de birra, só porque não curte a banda? Se essas pessoas fossem sempre aos shows (mesmo que só pra tomar uma cerveja com os amigos) e os produtores não tomassem prejuízo, com certeza a Bahia seria incluída nos roteiros de grandes bandas, o que fortaleceria ainda mais a cena, e teríamos uma maior diversidade nos shows, podendo agradar a todos. Mas vai tentar explicar isso pra eles!

Whiplash!: Quais as metas para 2008? Há excursão ou lançamento de "Metamorphic" planejado para outros países?

Louis: Ainda no primeiro semestre estamos agendando alguns shows no estado de São Paulo. Quanto a viajar pra fora, dessa vez está sendo um pouco mais planejado. Nada de comprar passagens e colocar a mochila nas costas sem nada programado. Temos algumas propostas que estão sendo estudadas, e assim que entrarmos em acordo, estaremos divulgando as novas datas da tour.

Whiplash!: Pessoal, agradeço pela entrevista! Fica aqui um grande abraço e o espaço é de vocês para alguma mensagem final:

Louis: Nós do Cobalto é que agradecemos o espaço. Para a galera que estiver lendo estas linhas eu digo que em breve nos encontraremos na tour! Vamos bater cabeça juntos! Grande abraço a todos! Stay Metal!

Whiplash!: E, já que o Louis não disse, digo eu: acessem o fotolog do Cobalto - www.fotolog.com/_cobalto_/24206749 - há muita coisa legal ali, que mostra toda a aventura e euforia da banda pela Europa em 2005/2006!

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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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