Braia: música celta, progressiva e mineira no novo projeto de Bruno Maia

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Por Maurício Dehò
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Criatividade realmente não falta. Além de ser o principal compositor do Tuatha de Danann – mas não único –, o vocalista/guitarrista/flautista Bruno Maia resolveu alçar um vôo paralelo ao de sua banda principal. Com o nome de Braia, nada mais que a junção de seu nome e sobrenome, ele se aprofundou ainda mais no tema celta, com direito a músicos da Irlanda, além de se voltar também ao Rock Progressivo e à música mineira. Assim, foi lançado há cerca de um mês “... E o Mundo de Lá”, produzido pelo próprio mentor do projeto e que conta com todas as letras em português e a maioria dos vocais feitos por mulheres (Fernanda Ohara e Isabel Tavares) deve satisfazer quem gosta das viagens de Bruno. Confira o papo com o mineiro, que explicou mais sobre este projeto e, é claro, falou um pouco dos projetos do Tuatha, que andam a todo vapor para 2008.

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Faz pouco tempo do lançamento do Braia, mas algumas músicas já estavam disponíveis no Myspace. Como foi o retorno da galera?

Bruno Maia: Pois é, eu já tinha liberado uns trechos e muita gente vinha comentando, curtindo, e isso até ajudou a criar uma expectativa. O disco foi lançado há um mês e tem sido ótimo, muita gente comprou o CD, recebo muitos emails. Muita gente fora do Metal tem pirado no som e isso é legal, pois mostra uma outra faceta minha, que não é pop, nem comercial. Vamos ver no que dá.

Na outra entrevista que fizemos você contou bastante do processo de gravação, que durou cerca de um ano e teve passagens até pela Irlanda. Ao fim, você ficou satisfeito?

Bruno: Sim, fiquei muito satisfeito. Claro que hoje vejo que algumas coisas poderiam ter sido diferentes. Mas nada berrante. Apenas algumas interpretações, uma parte ou outra, esse tipo de coisa... Mas foi demais! Esse CD me perseguia e pude contar com muitos amigos e profissionais para realizar este empreendimento.

Como foi trabalhar com a produção deste trabalho?

Bruno: O lance da produção foi natural, até porque no Tuatha eu sempre meio que produzi os discos também. Eu que sempre chegava ao estúdio antes, montava todas as guias, os metrônomos e sempre tive uma visão meio que panorâmica dos álbuns, o que ajudava muito na hora de fazer o trampo. Claro que já trabalhamos com produtores e não quero de forma alguma reduzir o trabalho deles, mas sempre fui muito presente nessa parte; então a produção pra mim foi leve e prazerosa. E, principalmente nesse álbum, em que eu tinha o controle mais que absoluto de tudo que rolava e era pra rolar, não tinha jeito: a carapuça era minha mesmo.

Acabou sendo um desafio?

Bruno: Não encaro como um desafio, pois eu não queria provar nada pra ninguém. Queria apenas me desgarrar dessas músicas. Fiz do jeito que quis, com o que pude contar e achando ótimo. Foi mais uma realização que um desafio em si.

Em alguns momentos do disco, as faixas lembram alguns trechos de sons do Tuatha de Danann. Você cogitou levar algo disso, ou tentar algo diferente com a banda?

Bruno: Eu, sinceramente, não capto trechos parecidos, não. Inclusive, acho uma linguagem musical totalmente diferente, mas, talvez pela falta de referências e a tendência de querer enquadrar tudo em algum rótulo, acaba se aproximando do Tuatha. Mesmo quando o Tuatha apareceu muitas pessoas comparavam com Rhapsody, Blind Guardian. Não tem nada a ver. Mas não há como fugir. Eu faço parte da banda, componho bastante lá e minhas características musicais estarão impressas de uma forma ou de outra.

Acho que o motivo deste lançamento foi você ter muito material deste tipo guardado. Sempre foi fácil para você compor?

Bruno: Na verdade eu componho desde muito novo. O ato de compor, pra mim, é uma coisa mágica. Não vejo facilidades. Acredito que tenho um certo privilégio, por sempre receber essas músicas, que surgem quase sempre involuntariamente. Por isso acho que são presentes de alguma entidade... do mundo de lá... sei lá... Pelo menos comigo é assim...


Como surgem as letras para você e por que retratar a natureza e esse tipo de assunto?

Bruno: As letras têm a ver com a minha vivência, com minhas leituras, com o que acredito. Como qualquer um mesmo. A questão da natureza no Braia é mais um lance energético do que ecológico. É mais a harmonia e o amor que homem deixou de ter com a Terra e seus espíritos. É a magia que perdemos com nossa visão cética, a vida caótica e tal. É um abra os olhos! Não temos mais aquele contato de antes com a natureza e acho que só perdemos com isso. Mas no CD também há duas outras letras relativas a autores irlandeses: “Bloom” é uma homenagem a James Joyce, e “Falalafada”, uma paráfrase a (William Butler) Yeats, em seu poema “The Stolen Child”.

A faixa mais engraçada é a última, “A Pinga do Duende Maluco”. Conte um pouco sobre ela, que tem a participação de Adriano Jamaica no vocal.

Bruno: “A Pinga do Duende Maluco” é a mais viagem do disco. Ela é engraçada nas três primeiras estrofes, depois não mais. Nenhum trecho nela se repete e ela tem seis minutos. Começa com a menina pedindo ao duende para levá-la ao seu mundo (essa passagem se dá pela “pinga” do duende), e a história vai se desenvolvendo em torno disso com os diálogos entre eles, umas subversões de alguns contos de fadas, um ápice da loucura devido ao deslocamento de dimensões e se encerra numa epifania. O Jamaica é um velho amigo, músico das antigas e que tem uma voz única e já havia participado do hino do Roça´n´Roll. Nessa faixa ainda participa a Marta Pacífico, uma eximia violinista.

Você é um multi-instrumentista e mostrou ainda mais isso neste álbum. Você segue aprendendo novos instrumentos?

Bruno: Acho que isso se deve ao fato de eu não ser um músico unicamente voltado a um instrumento. Tipo, não sou “o” guitarrista, não passo horas a fio estudando, pegando técnicas novas. Admiro muito quem o faz, mas eu não consigo. Eu piro mais na parte da composição mesmo e as ilustro com esses instrumentos. Não fico procurando mil e um instrumentos, os que toco vão aparecendo, ou são os que eu me interesso mesmo.

Por que você escolheu trabalhar na maioria das faixas com vocais femininos? Achei que você poderia ter colocado mais sua voz no trabalho.

Bruno: Pois é, muita gente me questiona isso. É por que eu sou o vocalista do Tuatha e muitos esperam que eu cante mais. Mas eu escuto muito, mas muito mesmo, música celta. E muitas dessas bandas têm vocais femininos. Mesmo o Braia não sendo um trabalho de música celta tradicional, ele carrega muito desse estilo, é sua maior influência. Eu queria sintetizar um pouco de tudo que eu gosto: a música celta, o rock progressivo e a musica mineira (Clube da Esquina, Beto Guedes, etc.). E o mais louco é que a Fernanda Ohara é uma cantora lírica e não é muito comum esse tipo de vocal nesse tipo de som. Isso foi o que eu queria: fazer tudo diferente e do meu jeito. Além disso, a Fernanda e a Isabel Tavares – que participou em duas músicas – cantam muito. Eu nem precisava abrir a boca.

Quais são os planos de tocar as músicas do Braia ao vivo? Há chances?

Bruno: Claro que sim! Não quero que isso fique só no disco. Já estamos começando a ver esse lance de shows. Por que é aí que o bicho pega, né? O massa é que serão sete pessoas no palco, devido aos vários instrumentos. Será uma doidera!

Para tocar ao vivo você chamaria o pessoal do Tuatha, ao menos os que foram convidados no disco?

Bruno: Claro! Eles participaram do álbum justamente por serem muito bons no que fazem, gostaram muito e estamos juntos nessa.

Falando no Tuatha, vocês estão aí na expectativa de lançar novos materiais. Como andam os projetos?

Bruno: Estamos ensaiando bastante, pois temos dois lançamentos pra 2008: o ao vivo e o álbum novo. Estamos fazendo o máximo! Quando o disco sair, nossos fãs até esquecerão o tempo que levamos pra lançar algo novo, pois estamos caprichando na coisa.

Saíra mesmo o tão aclamado disco acústico?

Bruno: Sim, vamos gravar nos dias 5 e 6 de janeiro, em São Paulo, no Centro Cultural São Paulo. Temos alguns convidados, o que enriquece mais ainda o som, e será muito satisfatório, pois esperamos esse acústico ao vivo há eras.

Então, o que o público de São Paulo pode esperar dessa dupla apresentação?

Bruno: Faremos o show com musicas de nosso quatro álbuns. Músicas que não tocamos muito e as mais “clássicas” da banda. Teremos um violinista, um acordeon e dois percussionistas, além do vocal feminino em algumas músicas. Não deixem de ir, essas duas datas serão fodas!

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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