Opeth: "Não queremos apenas ser diferentes!", diz Mikael Akerfeldt
Por Deivis Queirolo Vieira
Fonte: Irish Times
Postado em 12 de novembro de 2006
O Jornal "The Irish Times" conduziu em novembro de 2006 uma entrevista com o líder do OPETH, Mikael Akerfeldt.
Sobre o ângulo de visão mais amplo das influências da banda:
Mikael: "Eu não vejo sentido em tocar numa banda e seguir somente um caminho quando você pode fazer de tudo. Seria impossível para nós tocar só death metal; é a nossa raiz, mas agora somos uma mistura de tudo, e não puristas de um estilo musical. É impossível para nós fazer isso, e francamente, eu acharia entediante estar em uma banda que toca apenas metal. Não temos medo de experimentar, ou sermos pegos "com as calças abaixadas", por assim dizer. É isso que nos faz seguir em frente."
Sobre a obsessão da banda em experimentar:
Mikael: "Não é que nós acordamos de um dia pro outro com um pensamento de fazer um riff de jazz e jogar numa mistura. Um critico do nosso mais recente álbum estava pronto para o pior quando disse que soamos como ELTON JOHN e BOYZ II MEN. E daí? Estou tranquilo com isso, é ótimo. Eu não sinto que temos qualquer limite. Nós não queremos ser diferentes apenas pelo prazer de ser diferente; se eu venho com algo que soa bem, então isso será utilizado, não importando se algumas pessoas pensam que soa ruim."
Sobre se ele vê as possibilidades de experimentação como sendo intermináveis:
Mikael: "Quando eu disse que não temos qualquer limite, não é totalmente verdade, pois ainda há alguns certos tipos de música que eu não gosto - como hip-hop, ska, dance. Então não as experimentaríamos. Não haverá nenhum tipo de rap em nossos álbuns tão cedo, com certeza."
Mikael: "Eu tinha um gosto bem mais purista quando era mais jovem. Se alguém nos dissesse pra tocarmos funk, eu diria não. Queríamos ser pesados e extremos, o que vinha a ser nossa forma de rebelião, assim como funciona com crianças e o heavy metal. Ainda há um elemento de fora, e é disso que gostamos. Com o passar dos anos aprendemos a tocar melhor nossos instrumentos e ganhamos mais influências musicais. Eu não tinha medo de dizer que essa música do ELTON JOHN ou aquela do STEVIE WONDER eram boas. Mas ainda nos inclinamos para nossas raizes do metal, pois a amamos."
Sobre a negativa percepção clichê do metal e seus vários sub-gêneros:
Mikael: "Eu gosto de tipos mais sombrios de letras e músicas, mas é apenas meu gosto - não faz necessariamente de mim uma pessoa negativa. Várias pessoas concordariam que você pode retirar boas emoções de músicas negativas. Leonard Cohen é um bom exemplo de sentimentos de vida vindos de suas músicas. Eu gosto de momentos felizes nas canções também, mas aquelas felizes-dançantes fazem com que eu me afaste até uma certa distância. Algumas pessoas não acreditam quando eu digo isso, mas eu prefiro a vibração negativa. A maior parte do estilo de vida do metal é um tanto quanto sombria, e é assim que ela é. Eu fui imensamente influenciado por isso, mas como eu disse, ainda prefiro músicas felizes."
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