Vision Divine e Labyrinth: Entrevista coletiva com as bandas
Postado em 23 de novembro de 2000
Formada na Itália em 1991, a banda de power metal Labyrinth lançou em 1995 seu primeiro álbum, No Limits, obtendo sucesso imediato na Europa e Japão. Seus integrantes usam pseudônimos, à exceção do vocalista Joe Terry, que resolveu assumir seu nome de batismo, Fabio Lione. Após desentendimentos com o baterista e produtor da banda, Frank Andiver, Lione saiu para integrar a banda Athena, e logo em seguida rumou para uma das maiores bandas italianas de heavy metal da atualidade, o Rhapsody. Simultaneamente tornou-se vocalista da banda Vision Divine, também italiana. Com o novo vocalista Rob Tyrant, e sem Andiver, o Labyrinth explodiu nos EUA, através do selo Metal Blade, que lançou o álbum Return To Heaven Denied. Em 1998 a banda foi uma das maiores atrações do Gods Of Metal, festival europeu que reuniu nomes como Black Sabbath, Helloween, Blind Guardian, Iced Earth e Stratovarius. Com o seu 3º cd, Sons Of Thunder, a banda está no Brasil para mostrar um trabalho conceitual, requintado, mais sutil, e ao mesmo tempo com todo o peso do melhor power metal melódico. Além de Tyrant, o Labyrinth traz Mat Stancioiu (bateria), Andrew McPauls (teclados), Olaf Thorsen (guitarra-líder), Chris Breeze (baixo) e Anders Rain (guitarra).
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Thorsen, Stancioiu e McPauls também integram o Vision Divine, ao lado do baixista Andrea "Tower" Torricini e do líder e vocalista Fabio Lione (que continua no Rhapsody). Segundo Thorsen, o Vision Divine, formado em 1998, "era originariamente para gravar meus discos solo, totalmente instrumentais, mas quando Fabio juntou-se a nós, decidimos criar uma banda de verdade, não somente um projeto". E Lione conta "no começo não tínhamos idéia de que nome dar à banda, mas sabíamos que o disco teria que se chamar Divine. Pouco depois, pensamos em Vision para nos batizar, mas logo vimos que as duas palavras juntas soava mais legal". Em 1999 o álbum Vision Divine explodiu nas paradas, com um som diferente do praticado pelas outras bandas dos integrantes. Este álbum, assim como o último do Labyrinth, Sons Of Thunder, está sendo lançado no Brasil pela Rock Brigade/Laser Records. Para esses lançamentos e os shows que irão acontecer no Brasil, o selo nacional promoveu uma entrevista coletiva com os integrantes de ambas as bandas, na Via Funchal, em SP. Confira os principais trechos:
Por Paulo Haroldo
Pergunta - Fale sobre o último álbum do Labyrinth.
Rob Tyrant / Na gravação desse álbum ocorreram muitos problemas, principalmente com a produção. Nós brigamos com o produtor e tivemos que remixar o álbum inteiro, para deixá-lo mais pesado. Nessas circunstâncias, acho que o resultado final ficou muito bom.
Pergunta - Vocês têm formação clássica?
Olaf Thorsen / Sim, com exceção do Fabio. E não necessariamente música clássica, mas eu por exemplo dedico bastante do meu tempo ao estudo de música em geral (os demais não se manifestaram).
Pergunta - Como vocês vêem o crescimento das bandas italianas no cenário do Heavy Metal mundial?
Fabio Lione / Bom, sem dúvida agora está mais fácil para as bandas italianas fechar um contrato e gravar um álbum. Como conseqüência surgiram muitas bandas novas, mas por outro lado várias dessas bandas são ruins, por esse motivo é que acredito que o diferencial para o reconhecimento do seu trabalho é investir na sua personalidade, realizando algo bem pessoal.
Pergunta - O que vocês acharam do resultado do cd-tributo ao Helloween – The Keepers Of Jericho ?
Olaf Thorsen / Os tributos são uma moda, mas nesse caso específico acho que ficou muito bom, por que juntaram algumas das melhores bandas do metal atual.
Pergunta - Existe algum tipo de rivalidade entre as bandas na Itália?
Olaf Thorsen / O país é pequeno, com poucas lojas, poucos selos, poucos zines e poucos amigos... e acho que por isso mesmo o Labyrinth está numa boa situação. Nós fomos os primeiros a disparar essa cena. Mas não acho que exista uma rivalidade, exatamente.
Pergunta - O que você acha do rock dos anos 80?
Fabio Lione / Prefiro, na verdade, as bandas de rock dos anos 80. Elas têm atitude e feeling diferentes. Iron Maiden, Queensryche, Skid Row, Whitesnake... são as melhores, o que não quer dizer que as bandas atuais sejam ruins.
Pergunta - Você foi influenciado por algum vocalista?
Fabio Lione / Claro... todos querem imitar o Geoff Tate ou o Michael Kiske... eu também os admiro.
Pergunta - Que tipo de cuidado você tem com a sua voz?
Fabio Lione / Eu não fumo, não bebo e estudo técnicas vocais freqüentemente... brincadeira! Eu fumo e bebo pra caramba e não estudo nada...
Pergunta - Como está aquele projeto de reunir somente guitarristas do metal?
Olaf Thorsen / Nada certo por enquanto. E eu só entro nessa se for para fazer algo realmente pesado.
Pergunta - Como você divide seu tempo entre as bandas?
Fabio Lione / Não há problema. O Rhapsody não ocupa muito do meu tempo, então eu posso me dedicar mais ao Vision Divine.
Pergunta - O que vocês conhecem de música brasileira?
Todos / Na área de metal, vários: Angra (principalmente a música "Angels Cry", diz Rob Tyrant), Dorsal Atlântica, Viper... e fora disso, bossa nova, Tom Jobim... (adoro Tom Jobim repete Andrew McPauls). N.E.: nesse instante, risos surgem na platéia e os músicos ficam intrigados, até que perguntam ao tradutor por quê estão rindo – enquanto este entrevistador observa constrangido.
Pergunta - Fale alguma coisa sobre o último disco do Rhapsody, Dawn Of Victory.
Fabio Lione / Nesse álbum o Luca (Turilli) tocou mais guitarras, as letras estão mais fortes, a capa está mais feia e o som mais pesado, agressivo. Tentamos fazer algo diferente.
Pergunta - Como foi cantar ao vivo com o Vision Divine?
Fabio Lione / No começo foi estranho, por que somos uma banda nova e nunca tínhamos tocado ao vivo, e foi corajoso fazer 40 shows logo de cara, abrindo para o Stratovarius.
Pergunta - É muito cansativa a vida de roqueiro?
Olaf Thorsen / Nós damos o máximo no palco, então naquele momento é cansativo, mas acho muito menos cansativo do que trabalhar numa fábrica, por exemplo.
Pergunta - Quando sai o novo disco do Labyrinth?
Olaf Thorsen / Vai sair em 2001 e vamos tocar uma música nova, dele, nos shows.
Pergunta - Vocês vão tocar juntos em outros lugares?
Olaf Thorsen / Aqui na América do Sul, por causa do custo da turnê, e em um festival na Alemanha. Porém, vamos procurar dividir as coisas, por que queremos que as pessoas saibam diferenciar as bandas, reconhecendo o som de cada uma.
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