Savatage - Entrevista exclusiva com o guitarrista Chris Caffery

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O Savatage com certeza é uma das bandas norte americanas mais bem sucedidas da atualidade. Com uma carreira que já tem a marca da maioridade (é, 18 anos de banda), o grupo se prepara para lançar seu mais novo disco, previsto para ser lançado em Setembro/Outubro desse ano. Chris Caffery concedeu esta exclusiva ao Whiplash! direito de Nova Iorque.

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Perguntas: Fábio Trovão e Andre Toral

Tradução: Haggen Kennedy

Whiplash! / O Savatage decidiu abrir seu próprio selo para distribuição do próximo CD. Qual seria o motivo desta decisão?

Chris Caffery / Bem, uma das coisas mais legais que se tem nisso [criar uma gravadora] é poder controlar você mesmo tudo o que é feito, criativamente. E... ao distribuirmos o álbum pela Nuclear Blast... bem, eles estavam bastante instigados com ele e também por terem o Savatage em seu cast. E o que queremos fazer com o nosso próximo lançamento é chegarmos a níveis de peso e a outros lugares, também, como por exemplo a América do Sul e até mesmo a América do Norte, que não estava recebendo a atenção pessoal que a gravadora dedicava a Europa e Japão. Então, tendo o nosso selo e escolhendo quem distribuirá nosso CD, possibilitará ficarmos mais perto de como está sendo feita a distribuição, e nos ajudará a chegar no nível desejado.

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Whiplash! / Então a antiga gravadora teve uma influência na decisão, certo?

Chris Caffery / A Atlantic Records era o nosso antigo selo na América, mas não sei ao certo o que aconteceu lá. Digo, fizemos discos bons e estivemos com ela por bastante tempo, só que sentimos que podíamos fazer ainda melhor e tudo flui mais espontaneamente se você tiver seus próprios meios de realização.

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Whiplash! / Sobre Al Pitreli... ele primeiro foi "emprestado" para o Megadeth, depois passou a ser um guitarrista contratado para atuar nesta banda, deixando de tocar com o Savatage. Quais razões você acha que ele teria considerado para tomar esta decisão?

Chris Caffery / [pensando] Sabe, eu acho que o Al estava num ponto importante na vida dele, e quando o Megadeth o chamou, era uma oferta que ele não poderia recusar. Al teve uma oportunidade única e embarcou nela. Ele sempre gostou do Megadeth antigo, aquele que fez "Rust In Peace", então para ele foi demais poder tocar com o pessoal da banda; esse, tenho certeza, foi o motivo principal que o moveu a ir tocar com eles. E eu, como seu amigo, tenho que honrar essa decisão. É claro que eu sinto falta dele, é uma pessoa muito legal e eu gostaria que ele não tivesse deixado o Savatage, lógico. Mas continuaremos seguindo em frente e desejo toda a sorte do mundo pra ele e para o Megadeth.

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Whiplash! / Vocês são amigos ainda, certo? Mantém contato?

Chris Caffery / Ah, sim, claro. Vamos continuar nos falando, somos amigos. Olha, o Al é uma ótima pessoa e tenho quase certeza de que voltaremos a trabalhar juntos novamente algum dia. É só que agora ele está comprometido com o Megadeth, e o Savatage tem que seguir adiante, temos a nossa carreira. Claro que é difícil para nós, afinal ele era parte da família, mas temos que continuar nosso trabalho. Além do que, tenho certeza de que é isso que ele gostaria que fizéssemos.

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Whiplash! / Se puder, dá uma ligada pra ele e pede pra ele dar uma melhorada na atual fase da banda...

Chris Caffery / [rindo] Ah, sim... bem, ele é um fã do velho Megadeth. Provavelmente, vai destilar bons fluidos no Mustaine. [risos gerais]

Whiplash! / O que você acha que o Savatage perdeu com a saída do Al, considerando o lado pessoal e profissional?

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Chris Caffery / [pensa um pouco] Não acho que realmente tenhamos perdido alguma essência na banda ou coisa do tipo. Quero dizer, pros shows ao vivo, é claro que sim, e até já decidimos procurar por alguém para substituir o Al, pois nossa música chegou a um ponto em que as partes vocais e as orquestrações realmente precisam ter outra pessoa no palco. Mas quanto ao processo de criatividade e escrita do disco, em especial esse disco, foi eu e o Jon Oliva que escrevemos tudo, de qualquer forma, então o que perderíamos seria apenas um outro solo, provavelmente. Então, mesmo que ele ainda estivesse conosco, isso não afetaria muito o processo de composição. Então, eu vou tocar sozinho todas as partes de guitarras agora até que encontremos alguém que gostemos e que decidamos que deveria se juntar a nós. Até lá, sou eu quem vai fazer tudo [das partes de guitarra] no disco, mesmo...

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Whiplash! / Mas vocês já têm alguém em mente para substituir o Al? Pelo menos nos shows ao vivo...

Chris Caffery / Não, na verdade, não. Falamos com algumas pessoas, algumas conhecidas, outras não, mas ainda não temos em mente alguém do tipo "é esse cara que queremos para o Savatage". Sabe, queremos escolher alguém que realmente se disponha a ficar na banda e que entre pelos motivos certos. Até poderíamos chamar alguém e anunciá-lo como guitarrista temporário, mas precisamos de alguém que fique conosco e que saibamos que quando olharmos para essa pessoa, ela vá estar lá.

Whiplash! / Ainda sobre guitarristas. Alex Sckolnic foi um excelente guitarrista em "Handful of Rain"; e na tour deste álbum, se mostrou perfeito para um membro do Savatage – além de possuir uma grande amizade com vocês. Estes requisitos poderiam fazer com que ele pudesse voltar à banda?

Chris Caffery / Muita gente tem me perguntado a mesma coisa, mas não acho que isso vá acontecer, pela mesma razão de ele não ter permanecido no Savatage. Ele é um ótimo guitarrista e realmente fez um trabalho maravilhoso em "Handful of Rain", mas desapontava quando tocávamos ao vivo as antigas músicas da banda. Ele tocava Alex, e não Savatage. Não me entenda mal, ele é um ótimo guitarrista, apenas não deu certo.

Whiplash! / Na sua opinião, qual o álbum divisor de águas na carreira do Savatage?

Chris Caffery / [pensando] Olha, é muito difícil dizer, eu não sei ao certo. Acho que o Savatage sempre seguiu uma trilha bem original, bem Savatage, mesmo. Não acho que a diferença entre a banda de início de carreira seja tão diferente da atual. Digo, são estágios diferentes, amadurecemos, claro, ficamos melhores. Mas em termos musicais, há um padrão bem nosso. Talvez os primeiros discos com o Zak [Stevens, vocalista], afinal a perda de Chris [Oliva, antigo guitarrista, irmão de Jon Oliva] foi algo trágico. Talvez "Edge of Thorns"... mesmo assim, acho bastante difícil dizer com clareza algo do tipo "ah, foi esse aqui". Não é bem assim, não há uma demarcação sólida, eu acho...

Whiplash! / Tudo bem. Sobre o novo disco agora, "Poets and Madmen" é um disco que está demorando bastante pra sair, e há muito se vem falando nele. Dizem que a banda voltaria às raízes... é verdade? Você poderia comentar um pouco sobre ele?

Chris Caffery / [divagando] Raízes... bem, tudo bem, talvez nossos últimos discos tenham se distanciado um pouco "Hall of the Moutain King", por exemplo, mas ainda acho que há o padrão Savatage lá. Mas sobre o novo disco, acho que você poderia chamar de "volta às raízes", se quizesse, por um lado. Porque realmente temos vários elementos que usávamos no início do grupo nesse novo álbum. Por outro lado, diria que não porque sem sombra de dúvida, esse é um disco bem mais amadurecido musicalmente. Realmente acho que é o melhor petardo que já fizemos em toda a carreira e...

Whiplash! / Ei, espera lá... você tem certeza disso?!

Chris Caffery / [rindo] Bem, na minha opinião, é. Vou lhe explicar: esse disco tem muitas, bastante orquestrações e tem bastante peso também. Não digo que foi um "meio-a-meio" porque não é metade uma coisa e metade outra. As contrapartes se entretecem e formam algo de grandeza única. Tem o fato de que Jon Oliva vai cantar também, fazendo as partes do louco e o Zak vai fazer as bases vocais do poeta ["Poetas e Loucos", traduzindo o nome do disco]. Realmente o nível das composições estão de parabéns; Jon compôs 90% do que está no álbum e eu não tenho do que reclamar, está muito bom.

Whiplash! / E quando vai ser lançado?

Chris Caffery / Temos previsão de lança-lo em Setembro ou Outubro.

Whiplash! / Você há pouco mencionou o fato de Chris Oliva ter morrido e que foi trágico perdê-lo. Relacionando, o que levou Jon a sair da banda no Edge of Thorns? É verdade que por problemas com o antigo manager?

Chris Caffery / Ah, na verdade, vários motivos. Sabe, perder o irmão é algo bastante trágico, como eu disse, e é bastante duro suportar toda a barra. O cara tem que ser mesmo muito forte. Então, naquele momento, Jon estava muito mal, muito triste por causa da morte dele [de Chris] e quis se afastar de tudo pois precisava de um tempo para si. Além disso, o manager sentiu-se contrariado pois não queria que Jon saísse, com medo de que prejudicasse a imagem da banda. Mesmo com Jon explicando os motivos – que acho que nem precisava – o cara não se importou e disse que ele [Jon] tinha a obrigação de permanecer em voga, não importa o que tivesse acontecido. Apesar de que ele [Jon] só pediu um pouco de tempo, não foi atendido. E o disco tinha data para ser lançado, aquele monte de pressões que a gravadora exerce. Então, o Jon teve uma discussão séria com o manager. A bem da verdade, o Jon continuou por trás dos bastidores, dando força pra gente na hora de gravar, de compor e etc., apenas não apareceu no encarte porque ele mesmo não quis. O Jon é uma pessoa muito boa e é meio tímido, às vezes. Mas só às vezes, hein. [risos]

Whiplash! / E como foi o processo de produção do "Handful of Rain", já que a banda ainda passava por um período ruim por causa da morte de Oliva?

Chris Caffery / É como eu disse, é sempre difícil, mas tivemos que fazê-lo, afinal é como um trabalho normal. Um parente seu morre, mas a vida continua, você tem que ir ao trabalho, tem que cumprir com suas obrigações, senão você não ganha seu dinheiro e morre também, de fome [risos]. Então, tínhamos trabalho a fazer, apesar de não ganharmos dinheiro [risos], e tivemos que seguir em frente. Foi um pouco difícil, mas o fizemos.

Whiplash! / Há alguma chance da banda lançar um álbum ao vivo com a formação com o Al Pitrelli, já que lançaram discos ao vivo com Criss e Alex Skolnick?

Chris Caffery / Na verdade, iríamos realmente lançar um com o Al, mas por problemas de grana e de tempo, não deu certo. Também pelo fato de que a gravadora sempre gosta que a banda lance discos novos, composições novas. Mas não abandonamos a idéia, e pretendemos lança-lo, num futuro próximo.

Whiplash! / Sobre o Trans-Siberian Orchestra... há planos para alguma turnê?

Chris Caffery / Olha, nós já fizemos shows, mas não foi exatamente uma tour extensa em todo o globo. Tocamos em alguns lugares na Europa, mas não foi muita coisa. Também, é bastante complicado excursionar com a Trans... não só pelo fato de ser complexo musicalmente falando como por causa do tempo e da grana que se gasta pra excursionar. Fica meio complicado, mas garanto que não é por falta de vontade.

Whiplash! / Então não rola uma passagem pro Brasil?

Chris Caffery / Olha, realmente gostaríamos pois adoramos o Brasil. Na turnê do "Wake of Magellan" nós estivemos aí duas vezes, não foi? Digo, no mesmo ano. Uma em um festival [N do E: Monsters of Rock] e a outra como headliners. Foram experiências maravilhosas e todos nós esperamos voltar assim que possível. Porém, não depende exclusivamente de nós, da banda. É preciso que os produtores aí no Brasil entrem em contato e chamem o grupo.

Whiplash! / Falando em festivais e headlining, como você analisa estar nessas duas situações? Qual é melhor?

Chris Caffery / Bem, certamente que tanto um show em um festival quando um show como banda principal tem suas vantagens. Mas acho que, no geral, é melhor ir como banda principal, mesmo. Um festival é muito bom, só que são várias bandas num mesmo dia. Por um lado é bom porque se alguém vai por causa de uma banda grande, eles verão sua performance, você vai divulgar a banda enormemente, afinal o público é imenso. Por outro lado, justamente por haver várias bandas, você pode passar despercebido. Você tem apenas 30 minutos pra se apresentar e nem dá pra se aquecer direito, você não rende: é uma faca de dois gumes. Já no show principal, você consegue o melhor som, você tem as coisas mais fáceis. O público que vai lá é pra ver você e então já sabe que vai ser uma boa apresentação, afinal um show com fãs seus lá embaixo gritando as músicas é algo fenomenal, não há como não se empolgar. Os dois são legais, mas ser a atração principal é um pouco melhor.

Whiplash! / Falando em shows, quais os melhores lugar na sua opinião para se tocar ao vivo? Aonde é que a platéia é mais louca, mais animal?

Chris Caffery / [respondendo rapidíssimo] Brasil e Grécia, definitivamente.

Whiplash! / Concordo, Grécia é demais! À propósito, você ouviu o "Alive in Athens" do Iced Earth?

Chris Caffery / Nossa, ouvi. Cara, me diga, que platéia é aquela? Parece um bando de alucinados! Fala pra mim, como é que não gosta de um lugar daqueles? Mas é engraçado, a Grécia tem bastante coisas similares ao Brasil [N do E: acredite, leitor, tem mesmo]. A platéia é uma delas.

Whiplash! / É, dependendo da banda... você já teve a oportunidade de ouvir "Scream For Me Brazil"? O público está animal, também.

Chris Caffery / Ah, é aquele disco novo do Bruce Dickinson, não? É uma pena, mas ainda não o ouvi. Espero comprá-lo em breve.

Whiplash! / Só pra finalizar, ouvi dizer que o Dr. Butcher se juntaria novamente para gravar um disco novo. O que há de verdade nisso?

Chris Caffery / Na verdade, realmente compomos algumas coisas para o projeto, mas não há nada certo ainda. Não paramos ainda para decidir o que vamos fazer. Esse projeto é uma coisa bem relax, então não nos preocupamos muito. Vamos compondo à medida que sentimos vontade, é algo bastante natural. De qualquer modo, provavelmente lancemos um disco, sim.

Whiplash! / Isso é muito bom. Obrigado pela entrevista e até mais.

Chris Caffery / Sem problemas. Abraços ao pessoal brasileiro. Keep rocking!

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