Ace Frehley e seu "10,000 Volts"
Resenha - 10,000 Volts - Ace Frehley
Por Isaias Freire
Postado em 09 de março de 2024
Ace Frehley e Paul Di’Anno são dois caras, no mínimo, inusitados. Os dois fizeram coisas maravilhosas há cerca de 40/50 anos atrás, casaram com suas bandas e foram felizes para sempre. Até que algo deu errado. Separaram e não conseguiram aceitar o divórcio; falam mal de seus companheiros até hoje; de vez em quando ainda pedem um dinheirinho e não conseguem produzir algo novo e decente há muito tempo. Não estou aqui para analisá-los, nem de longe sou um psicanalista, mas vamos dar uma olhada no mais novo trabalho do eterno Spaceman.
Antes disso, tenho que admitir que sou fã do KISS e, para mim, os melhores discos são "Kiss", "Alive" e "MTV", os três discos contam com a participação de Ace, embora isso não seja o principal motivo de minha escolha.
Há algum tempo Ace vinha alardeando que iria lançar um superdisco. Esperou, esperou, esperou e acabou lançando "10,000 Volts" no mesmo mês que o álbum "Kiss" estaria fazendo 50 anos. De propósito, cabe aqui aquela analisada psicanalista.
A expectativa dos fãs e da mídia era grande, mas tenho que admitir que eu não estava empolgado, estava esperando algo meia bomba. O disco tem 11 músicas e 40 minutos, não sinto necessidade de falar de uma por uma, temos um bloco de nove músicas que são basicamente a mesma coisa; rock hair metal dos anos 80, sem criatividade, muito barulho, pouca qualidade, excesso de backing vocals e com direito a uma balada e outra com entonação a lá Mick Jagger. Em uma ou outra, um solo mais interessante, mas não justifica para ser considerado boa música.
De 11 músicas, tirando o bloco das 9, sobram duas que valem a pena comentar: "Life of a Stranger" é uma balada, também oitentista, mas está muito mais para "Seventh Star" do Black Sabbath do que para a farofa, e "Stratosphere", uma música instrumental com uma levada que lembra Jeff Beck, de longe a melhor música do disco.
A capa é egocêntrica e também sem criatividade. Minha memória diz que já vi algo parecido na discografia do "B.O.C.".
Ace devia falar menos de seus companheiros, olhar menos o seu lado "Poison" e focar mais no seu lado "Jeff Beck", isto sim iria trazer felicidade aos seus fãs.
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