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"Rainbow Rising" é um clássico que você deve ter na sua coleção

Resenha - Rainbow Rising - Rainbow.

Por Leonardo Machado
Postado em 19 de janeiro de 2024

Quando eu, ainda imberebe, nos idos dos anos 80, garimpava LPs nas (diversas) lojas de discos de vinil usados na Tijuca (bairro outrora aprazível da cidade do Rio de Janeiro, onde residi a infância e adolescência) tentando fazer render meus parcos caraminguás para adquirir mais alguns itens para minha coleção (pra quem não sabe, nos anos 1980, não tínhamos acesso ao que temos hoje com o advento dos "youtubes" e "spotifys" da vida. Pra resumir: se você quisesse conhecer alguma banda, você tinha que comprar o LP ou comprar uma fita K7 e gravar do seu amigo e, no nosso Brasil da época, a oferta de discos de rock não era muito grande e, adquirir itens importados era proibitivo). Mas, digressionei. Onde parei mesmo?

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Ahh, sim, Eu me dirigi à saudosa e falecida Sub-Som e estavam chegando às prateleiras dois discos novinhos em folha e recém lançados no Brasil: Strange New Flesh (do Colosseum II) e o Rainbow Rising (objeto desta resenha). Meus minguados cascalhos não conseguiam pagar por ambos e adivinha qual escolhi? Acertou em cheio! Escolhi o do Colosseum II.

Cheguei em casa e, ávido, coloquei a bolacha no prato e quando desci a agulha, decepção total. Não me interpretem mal, a formação do Colosseum II era um time de respeito com o guitarrista Gary Moore e o tecladista Don Airey entre eles, porém, o som era tipo um jazz progressivo com muitas longas passagens instrumentais que, na época, não fazia minha cabeça (tenho esse vinil até hoje e eu recomendo: é excelente).

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Não precisa dizer, mas eu fiquei frustrado, puto e beeeemmm triste. Pior, com o bolso liso. Não me estenderei mas, como vocês devem ter percebido, gosto de contextualizar: o destino me sorriu imediatamente na forma de uma prima mais velha. Ela estava nos visitando e, notando minha consternação me perguntou o que tinha acontecido. Depois do relato (o mesmo que vocês leram acima), ela prontamente sacou da bolsa a quantia necessária para que eu pudesse voltar ao mencionado estabelecimento e adquirisse, agora sim, o Rainbow Rising! E, quando a agulha tocou o vinil... Bang!!!! O petardo me atingiu!!

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Foto: Capa Rainbow Rising
Foto: Capa Rainbow Rising

Ritchie Blackmore saiu do Deep Purple porque estava descontente com a direção funk e soul que a banda estava tomando e, pra encurtar muito, ele pegou a banda que abria os shows do Purple na época, chutou o guitarrista e, com eles, gravou o debut da banda, chamado de Ritchie's Blackmore Rainbow.

Mas, o soturno guitarrista (The Man In Black) ainda não estava completamente satisfeito: chutou todo mundo mantendo apenas o vocalista, nada mais nada menos que Ronnie James Dio que, por si só, já é um adjetivo. Trouxe para a banda o tecladista americano Tony Carey, o baixista escocês Jimmy Bain (que se tornaria parceiro de Dio na banda de mesmo nome) e o renomado baterista Cozy Powell (uma espécie de dínamo humano). Pronto estava formado o time que gravou o segundo disco do Rainbow.

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O álbum começa com os teclados de Tony Carey dando um clima fantástico para a excelente e subestimada (e mencionada anteriormente) Tarot Woman (o Rainbow nunca a tocou ao vivo. Dio a resgatou anos mais tarde na sua banda solo). Destaque para o riff inicial de Ritchie Blackmore e o baixo pesado de Jimmy Bain. Em seguida vem Run With The Wolf, outra que nunca tocaram ao vivo, e vou ser breve: uma canção excelente, curta para os padrões do Rainbow, porém com o azar de estar inserida no meio de canções clássicas e eternas. Starstruck e Do You Close Your Eyes vem em seguida e podemos dizer quase a mesma coisa de Run With The Wolf. A primeira fala de uma groupie azarada que (provavelmente) cruzou o caminho da banda ou mesmo do próprio Dio enquanto a segunda, o que podemos acrescentar, é que, ao vivo a música era (muito) esticada com vários solos e improvisos. Trabalho pra lá de competente.

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Mas o "cremé de la cremé" fica pro segundo lado do vinil: Stargazer! Mas o que acrescentar a Stargazer que já não tenha sido dito antes? Trata-se de um clássico absoluto do cancioneiro Heavy Metal, ou melhor, do cancioneiro etéreo e eterno. Seu arranjo de cordas a performance vocal, a performance da banda a letra, não vou fazer você perder mais seu tempo. Vá, ouça e curta. E, por fim, a maravilhosa A Light In The Black. Na humilde opinião deste escriba essa é a música "marco zero" do que viria a ser chamado de Power Metal. O Dio não curte muito. Ele já disse, talvez não com essas palavras, que essa canção seria um exercício de autoindulgência de Cozy Powell e Ritchie Blackmore. Mas a verdade é que esses dois e mais o tecladista Tony Carey brilham intensamente nessa música de quase 9 minutos.

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Rainbow Rising é um clássico que você deve ter na sua coleção, uma aula de peso, de Heavy Metal bem feito por músicos talentosos e soberbos e que não vai te decepcionar. Nota 10.

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