Benediction: Morte, simbolismos, virtudes, imperfeições e necessidade
Resenha - Transcend The Rubicon - Benediction
Por Ricardo Cunha
Postado em 30 de agosto de 2019
Nota: 10 ![]()
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Para comemorar o retorno do mestre Dave Ingram ao front do Benediction, falaremos de um dos discos mais marcante da carreira desta que é uma das bandas mais representativas do death metal inglês.
Fundado em fevereiro de 1989 com uma formação composta de Paul Adams (baixo), Ian Treacy (bateria), Darren Brookes e Peter Rew (guitarras) e Mark (Barney) Greenway (vocal), na cidade de Birmingham, o grupo chamou a atenção da Nuclear Blast records com sua primeira demo The Dreams You Dread. Após o lançamento do seu primeiro álbum Subconscious Terror em 1990, BARNEY deixa a banda e logo reaparece como o vocalista do Napalm Death. Ele foi substituído por DAVE INGRAM.
Transcend The Rubicon é uma coleção de grandes composições que tiveram suas profundidades obscurecidas por uma produção que privilegiou os timbres graves (baixos). Felizmente, a escolha serviu bem ao propósito de traduzir para o ouvinte a experiência de transcender o Rio Rubicão, ou seja, fazer um percurso marcado pela presença da morte, simbolismos religiosos, virtudes, imperfeições e a necessidade de transcendê-las.
A narrativa está ancorada em fatos históricos: o direito romano no período da República proibia qualquer general romano de atravessá-lo com suas tropas. Tal medida visava a impedir que os generais manobrassem grandes contingentes de soldados no núcleo do Império Romano, evitando riscos à estabilidade do poder central. Porém, quando Júlio César atravessou aquele rio, em 49 a.C., (em perseguição a Pompeu), violou a Lei e tornou inevitável o conflito armado. Segundo consta, foi nessa ocasião que César teria proferido a famosa frase "Alea jacta est" (A sorte está lançada). A partir daquele momento, a frase "Atravessar o Rubicão" passou a significar qualquer tipo de decisão impetuosa e irrevogável.
Nesse contexto, 1) Unfound Mortality, introduz bem o ouvinte na atmosfera da obra ao falar de santidade sem sacralidade. 2) Nightfear fala do medo do esquecimento. 3) Paradox Alley nos coloca o paradoxo de desafiar a morte para ser eternizado perante os vivos. 4) Bow to None fala de orgulho arrogante e resignação. 5) Painted Skulls faz uma crítica a ilusão criada pelas religiões. 6) Violation Domain incita a superar as próprias limitações ao declarar: "não fique estagnado dentro de si. Transcenda o Rubicon". 7) Face Without Soul é mais uma crítica a religião e se refere ao Deus bíblico como uma entidade anômala. 8) Bleakhouse trata o corpo físico como uma morada solitária e sombria. 9) Blood From Stone passa a ideia de benevolência motivada por recompensa. 10) Wrong Side of the Grave é uma versão para a música do The Accüsed*. 11) Artefacted / Spit Forth fala de rituais necromânticos e diabólicos.
Por fim, o álbum (que totaliza 47 min e 38 seg) foi produzido, mixado e masterizado por Paul Johnson, que já trabalhou com nomes como Cathedral, Gomorrah e Cerebral Fix. A bela arte da capa foi concebida por Dan Seagrave, responsável por capas consagradas como as de The Key (Nocturnos), Left Hand Path (Entombed) e Altars Of Madness (Morbid Angel). *À título de curiosidade, a faixa "Wrong Side of the Grave" foi gravada ao vivo no estúdio.
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