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Resenha - Fighting the World - Manowar

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Por Rafael Marques
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9

Depois dos excelentes 4 primeiros álbuns que contemplavam o um dos mais puros heavy metal já produzidos (Battle Hymns, Into Glory Ride, Sign of the Hammer e Hail to England), os cavaleiros do true metal tentam algo diferente, sem perder sua irreverência e originalidade. O resultado desta mudança é Fighting the World, álbum que está completando 30 anos em 2017 e não seria correto deixar de relembrar seus feitos.

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Primeiramente, Fighting The World não é só um marco na mudança sonora da banda (mudança esta que acompanhará a banda até os dias de hoje), mas um dos álbuns pioneiros em um dos gêneros mais importantes para o metal: o Power Metal. Mais rápido, mais dinâmico e mais explosivo, o gênero deu o gás que o metal precisava e firmou a divisão Hard Rock/Heavy Metal que não era completamente discernível na maioria das bandas na década de 80.

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Porém, apesar dos elementos pioneiros do Power Metal, a banda também não negligenciou suas origens de Hard Rock e Heavy Metal. E essa mistura deu uma aparência muito mais comercial ao álbum, talvez sendo essa a intenção de DeMaio no fim das contas. O peso que a banda vinha apresentando nos álbuns anteriores deu lugar à velocidade, os instrumentais deram lugar a mais efeitos de estúdio e a brutalidade deu lugar a um riffs manjados e refrões grudentos.

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Para os veteranos no mundo do metal, a reação não poderia ser outra: a banda renunciou ao metal que vinha fazendo e se jogou na onda do Hard Rock por dinheiro. Mas como uma banda que prezava pela "pureza" do metal entra em tal enrascada? De Maio, que não é bobo nem nada, sabe que a sonoridade mudou, mas talvez com o mesmo comportamento de "reis do metal", a mudança passasse desapercebida. E passou.

As letras continuavam falando sobre morte, vingança e batalhas, verdadeiras odes ao metal. Quanto às vestimentas, nada de diferente do ridículo usado anteriormente, mas convenhamos: o que não era ridículo em termos de roupa na década de 80? Vamos dar esse desconto pros caras. Enfim, a banda continuava com a mesma postura que havia anteriormente.

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Uma curiosidade que vale a pena citar é a semelhança notável com "Destroyer" do Kiss. A capa de ambos os álbuns foi feita por Ken Kelly, responsável também pelo design dos próximos álbuns do Manowar. Quando indagado numa entrevista, Eric Adams disse que a arte do álbum foi ideia do artista, e até disse respeitosamente que não gosta do Kiss, mas que há membros na banda que são fãs. Mas tá aí, mesmo que um mero detalhe, mais um exemplo de aproximação com o "mainstream".

Sem mais, vamos ao álbum:

1º Fighting the World - 3:46 (Nota 8,5)

O álbum já começa com uma mudança perceptível até na mixagem. O som passa por uma "oitentizada" e soa diferente de álbuns anteriores. Com um refrão grudento e os gritos de uma multidão "Fight!" mostram de fato para o que a banda veio. O solo também é a personificação pura do Hard Rock. Cheio de tapping, Ross the Boss arrebenta.

A música convence e funcionava muito bem ao vivo. Contudo, atualmente a banda tem um certo receio de tocar algumas músicas do álbum ao vivo, talvez porque o próprio álbum soasse um pouco fora de contexto dos shows da banda.

2º Blow Your Speakers - 3:36 (Nota 8.5)

Essa música foi uma das primeiras que ganhou um videoclipe. No vídeo, podemos ver claramente uma tentativa de "aproximação" do Rock a lá MTV. Jovens entediados vibrando ao som de um riff pegajoso e gerando caos, era a fórmula do sucesso.

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Sobre a canção, essa talvez seja a música mais "pegajosa" do Manowar. Refrão grudento, riff grudento, solo cadenciado e voz nas alturas. Exemplifica bem a proposta do álbum. A letra, por outro lado, é uma crítica a própria indústria da rotulada da música, com refrões como "Wrote a letter to the M.T.V, what's goin' on now? Don't ya care about me", e " People want music to get them moving.
We don't want labels, we want music on the table"

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Vale lembrar que a banda já fez outras críticas dessa mesma natureza anteriormente, como em "All Men Play on Ten" de Sign of the Hammer.

3º Carry On - 4:08 (Nota 9)

Nesta aqui já fica mais evidente o Power Metal citado no começo da resenha. Tem uma intro espetacular, excelentes versos, um bom refrão mas que soa um pouco infantil e um solo limpo. A letra já demonstra também o que seria tendência da banda nos anos que se seguiriam: canções sobre fé em si mesmo e essas coisas de "autoajuda". Pode parecer bobo, mas no fim das contas tornou marca da banda e todo mundo hoje adora, desde o garoto que acaba de conhecer o rock até alguns barbudos por aí. Enfim, boa música.

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4º Defender - 6:01 (Nota 10)

Aqui temos uma verdadeira pérola da banda. A música já abre com uma narração de nada menos que Orson Welles, cineasta que morreu em 1985, 2 anos antes do lançamento do álbum, mas que em seus derradeiros momentos nos presenteou com um emocionante discurso de um pai que se foi para seu filho, possível escolhido para ser "Defensor".

Eric Adams, fazendo o papel do filho já adulto e com a missão de se tornar um "Defensor", começa seu ato já uma voz poderosíssima descrevendo a sua determinação em ser defensor. Um solo rasga a música no meio e finalmente entra um refrão épico, um dos melhores que já escutei, intercalando a voz de Orson e Adams, com Ross the Boss segurando a música até o final com competência.

Enfim, a melhor música do álbum e uma das melhores do Manowar.

5º Drums of Doom - 1:18

Drums of Doom é uma pequena intro para a faixa seguinte, Holy War. É o prenúncio de uma "guerra", com cavalos e trovões juntamente com Scott Columbus. Columbus passa um pouco desapercebido, não se aventura e faz o básico com competência.

Às vezes, um baterista tem que se ater ao padrão, à precisão cirúrgica de suas batidas e ao timbre, e isso Columbus faz muito bem em seu trabalho no Manowar. É difícil ver um baterista com essa mentalidade, ainda mais no metal onde alguns acham que o melhor é aquele que "toca mais rápido" ou "usa mais o bumbo duplo". Columbus tinha estilo e originalidade antes de tudo, então que descanse em paz o "Drummer of Doom"!

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7º Holy War - 4:40 (Nota 8)

Aqui mais uma Power Metal, usando e abusado das vozes e efeitos. Começa muito bem com o DeMaio e Eric Adams, continua com um bom refrão estilo Carry On (intercalando Adams e vozes pré-gravadas com gritos de guerra) e temos um bom solo.

A letras volta com aquele velho jargão da banda "lutamos pelo verdadeiro metal", requirindo todos os fãs para a guerra.

8º Black Wind, Fire and Steel - 5:17 (Nota 10)

Se um dia o Manowar se propôs como banda que toca mais alto, rápido e pesado que todos, nesta aqui com toda certeza eles conseguiram. Com DeMaio voando baixo nas palhetadas e Eric Adams atingindo notas altíssimas, a música tem um excelente refrão e encerra o álbum com chave de ouro.

Um detalhe que é importante ressaltar é que essa é a única música do álbum que ainda marca presença em quase todos os shows da banda. E não pensem que Adams com seus 62 anos ainda não arrebenta nessa música ao vivo, é impressionante a voz desse baixinho depois de tantos anos.

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Infelizmente para apresentações ao vivo a banda tem se esquecido um pouco deste álbum, marcando sempre apenas a última faixa. Mas é compreensível diante de tantos álbuns, tantas músicas e tantos clássicos que a banda precisa tocar para agradar a todos. Gostaria de ouvir Defender ao vivo, mas também não gostaria de perder Mountains ou Battle Hymns. Tocando ao vivo ou não, o álbum de estúdio está marcado na história não só da banda, mas do Power Metal em geral.

Podemos concluir que o álbum apresenta de fato uma sonoridade mais comercial do que a banda tinha feito até então. Contudo, a essência da banda ainda continua a mesma, principalmente em relação à postura e composição das letras, pelo bem ou pelo mal, sempre lutando contra todos.

O Manowar lutou "contra o mundo" em toda sua carreira. Mas, às vezes, como neste álbum, acabou fazendo parte dele.


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