Kansas: Um som atual, mas que não agradará aos fãs dos 70s
Resenha - Prelude Implicit - Kansas
Por Bruno Sampaio Barbosa
Fonte: facebook.com/redeprog
Postado em 23 de setembro de 2016
Nota: 7 ![]()
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Depois de 16 anos, Kansas lança seu álbum de inéditas pelo selo alemão Inside Out Music. Sem seus principais pilares, a icônica voz de Steve Walsh e letras e arranjos de Kerry Livgren, a banda conta com compositores de fora da banda, além de seus novos membros: o vocalista Ronnie Platt, experiente vocalista escolhido a dedo por Phil Ehart (John Elefante foi convidado, mas recusou), o tecladista David Manion (Seventh Key) e o produtor e guitarrista Zak Rizvi da banda de Jazz Fusion 4 Front. A banda vinha querendo lançar um álbum há muito tempo, mas Walsh se negava. A vontade era tanta que lançaram um álbum sem o Walsh sob o nome de Native Window, numa veia acústica. Quando Walsh deixou a banda por cansaço e não poder entregar vocalmente uma performance digna de seus tempos áureos, abalada pela idade e abuso de substancias ilícitas por anos, a banda encontrou em seus novos membros e gravadora o impulso para compor um novo álbum e abrir um novo capitulo na história da banda. Se completam aos novos integrantes o baixista Billy Greer, na banda desde 1985, o violinista (e por vezes guitarrista) David Ragsdale de 91 a 97, retornando em 2006 e os co-fundadores Rich Williams na guitarra e o chefão Phil Ehart na bateria.
1 -"With This Heart" - 4:13 (Rizvi / Platt / Ehart / Williams / Ragsdale)
Evocando clima empolgante e edificante no AOR mais classudo e letras ala Kerry Livgren, Ronnie consegue passar com sentimento e confiança o que canta, sua voz lembra logo John Elefante e não Steve Walsh. Uma música com estrutura simples, com chorus, porém elegante solo de violino no meio.
2 - "Visibility Zero" - 4:27 (Rizvi / Platt / Ehart)
Chama atenção pela letra de cunho critico-político, clichê, mas sempre atual na sua mensagem, fator importante no Rock. Riffs simples e efetivos, mais uma vez o destaque de solo é o violino, mais cortante e dramático como a música pede. Como segunda faixa do álbum, se encaixa com a primeira perfeitamente.
3 - "The Unsung Heroes" - 5:02 (Byrd / Platt / Ehart / Manion / Ragsdale / Rizvi / Williams)
Uma das principais características da banda dá as caras nesta faixa, já começando com aqueles lindos floreios de violino, com uma conversa de guitarra e violino nos solos e Phil imprimindo uma marcha militar na bateria, propriamente temático. Balada reflexiva, de essência blues e tempo lento. Temos nesta faixa o que todo fã do Kansas gosta e espera ouvir.
4 - "Rhythm in the Spirit" - 5:58 (Rizvi / Platt)
Riff pesado, bateria propulsiva e órgão fazendo uma teia, assim começa a primeira faixa que surpreende instrumentalmente. Conseguimos capturar a linha de violino que nos remete a "Icarus" do álbum Masque, faixa clássica da banda. Destaque para a linha de baixo "funkeado" que compõe um clima para uma dobrada de vozes entre Greer e Platt numa linha melódica e suave. Temos nessa faixa a primeira batalha de solos de guitarra do álbum. Faixa que soa fresca, composta por Zak e Ronnie, e ainda soa como Kansas. Sem dúvida uma faixa que mostra como deve ser o Kansas nesse novo capitulo e marca o álbum.
5 - "Refugee" - 4:23 (Slamer / Greer / Ehart / Manion / Platt / Ragsdale / Williams)
Guitarras acústicas em dedilhados, piano e violino compõem a canção em arranjos simples e de bom gosto que junto aos vocais passionais nos brindam como uma espécie de prece musical. Linda.
6 - "The Voyage of Eight Eighteen" - 8:18 (Rizvi / Platt / Ehart)
Logo de inicio, o instrumental te leva direto aos anos 70 e remete a sons como "Song For America" . A parte cantada, Platt nos entrega a letra com bonita melancolia e esperança. Toda marca registrada do Kansas acontece nesta faixa. Todos os integrantes solam, há mudança de tempos e tudo aquilo do estilo Kansas-proggy de ser. Uma homenagem ao legado da própria banda.
7 - "Camouflage" - 6:42 (Rizvi / Platt / Ehart)
Introdução com órgão de tubos e bateria criam suspense até que riffs pesados que remetem uma parte de "Icarus II" chutam a porta. Harmonias vocais precisas e bateria marcante. Solo de violino sobre riffs de guitarra e bateria pulsante.
8 - "Summer" - 4:07 (Rizvi / Greer / Ehart / Williams / Manion / Ragsdale)
Seu começo explosivo dá o tom da faixa: up tempo, alegre, AOR e pesada. Billy Greer lidera os vocais aqui e pra quem conhece sua carreira na banda Seventh Key, certamente irá perceber que esta faixa se encaixaria perfeitamente em um álbum deles. A faixa dá um bom respiro de troca de clima dentro do álbum e é de fácil digestão radiofônica.
9 - "Crowded Isolation" - 6:10 (Rizvi / Platt / Ehart / Greer / Manion / Ragsdale / Williams)
Guitarras acústicas nos entregam um falso preludio para a entrada de um coro no teclado com baixo e bateria em propulsão progressiva até que as guitarras entram com o riff que brindará o resto da faixa. O refrão te cativa logo de primeira e temos um solo de sintetizador no meio da faixa seguido por um de violino. Um pequeno solo de hammond fecha a faixa com chave de ouro. Uma das melhores musicas do disco.
10 - "Section 60" - 3:59 (Rizvi / Ehart)
Única instrumental do álbum, conclui o álbum com lindos solos de violino e guitarra e bateria militar "funebre" em fade-out. Faixa dedicada em forma de memorial aos militares mortos na guerra do Afeganistão e Iraque, que descansam na Seção 60 do Cemitério Nacional de Arlington.
O álbum talvez não agrade aos fãs mais ferrenhos, preso aos anos 70 ou quem espera um Prog Rock de altíssimo calibre em virtuose e estrutura tipica deste estilo, mas consegue entregar dignamente um som atual, com carimbo Kansas, arranjos de qualidade, produção impecável e letras inspiradas. Na capa a pintura de uma linda e poderosa fênix mostra a que veio a banda nesse novo capitulo na história. Nada mais apropriado
A banda segue em turnê, agora tocando músicas do novo álbum e o clássico Leftoverture na íntegra, comemorando 30 anos da obra-prima.
Produzido por: Zak Rizvi, Phil Ehart e Richard Williams
Engenheiro: Chad Singer
Gravado em: Real 2 Reel Studos, Jonesbro, GA
Mixado por: Zak Rizvi e Jeff Glixman
Produtor de Mixagem e Masterização: Jeff Glixman
Engenheiro de Masterização: Vlado Meller
Artwork: Denise de la Cerda
Phil Ehart - bateria
Billy Greer - baixo, vocais, vocal principal em Summer
David Manion - piano, teclados, órgão e sound design
Ronnie Platt - vocais, piano em The Voyage of Eight Eighteen
David Ragsdale - violino, vocais
Zak Rizvi - guitarra elétrica, vocais
Richard Williams - guitarra elétrica e acústica
Site oficial:
http://kansasband.com/
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