Tremonti: Um bom álbum, mas não acrescenta novidades
Resenha - Cauterize - Tremonti
Por William Esteves
Postado em 15 de junho de 2015
Nota: 7 ![]()
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Em 2010, a banda ALTER BRIDGE entregava ao ouvinte seu álbum "III", um emaranhado de músicas repetitivas, sem o brilho de outrora. Era inevitável chegar ao final da audição sentindo-se cansado. Mas a mente criativa de Mark Tremonti não havia esgotado seus truques. Nos anos seguintes, o guitarrista lançou "All I Was" (2012) por meio de seu projeto pessoal, TREMONTI, mostrando também possuir dotes vocais; e o ALTER BRIDGE ganhou novo fôlego com o surpreendente "Fortress" (2013), reafirmando o sucesso da dobradinha entre ele e o vocalista Myles Kennedy.
Com riffs criativos, mudanças de andamento e refrões cativantes, os dois trabalhos estabeleceram Mark (vou usar o primeiro nome para designar o músico e o sobrenome para me referir à banda, assim evitamos maiores confusões, ok?) como um dos principais nomes do hard rock atual. Porém, uma indagação ficou no ar: Teria o músico novas facetas a apresentar? Num primeiro momento, a resposta é não.
Lançado em 9 junho de 2015, "Cauterize", da banda TREMONTI, não supera as expectativas do já exigente fã de seu trabalho. É consenso que os admiradores do ALTER BRIDGE também curtem o som de TREMONTI, dadas as semelhanças de harmonização, estrutura musical, climatização etc. Portanto, esperam "o melhor dos dois mundos", o que significa ser tragado por canções memoráveis e viciantes de ambos os grupos. Não sei se existem, mas apenas fãs do finado CREED que nunca ouviram "Fortress" ou "All I Was" seriam capazes de se surpreender com "Cauterize".
A faixa "Radical Change" abre o álbum como um petardo, deixando as expectativas lá no alto. Ponte com riff solado, alternância entre velocidade e breakdown nos versos, refrão cantado a plenos pulmões. Não chega a ser a mudança radical sugerida pelo título na direção de tudo que Mark já fez, mas cumpre perfeitamente o papel de boas vindas.
A melhor faixa do disco vem logo em seguida. "Flying Monkeys" arregaça de forma cadenciada, com um dos melhores riffs já criados por Mark, funcionando como golpes contínuos na cabeça. A voz dele não poderia ser melhor colocada. Ele realmente está cantando muito bem! O que surpreende na música é o refrão, que não tem cara de refrão: um coral feminino o acompanha numa escala de notas melodicamente melancólicas. A viagem noturna se acentua ainda mais no instrumental que antecede o final.
A faixa-título mantém uma boa pegada, tendo como trunfo a introdução pesada aliada a um refrão com apelo pop. Tem cara de single e dá vontade de ouvir outras vezes. Fecha-se assim a trinca de ouro do álbum.
"Arm Yourself" é pancadaria pura, mas parece ser sobra do disco anterior da banda. É aquela música que funciona bem ao vivo para mosh pits. Não passa disso. A música a seguir, "Dark Trip" tem um belo arranjo e dá esperança de estarmos diante de uma bela obra. É um som que te deixa a contemplar a genialidade obscura de TREMONTI.
O primeiro single do álbum, "Another Heart", anunciado com antecedência em um lyric video, tem riffs excelentes e refrão (apenas regular) com a marca registrada de Mark. Porém, a música não tem potencial para alavancar o sucesso do grupo nem angariar novos seguidores.
A qualidade do trabalho despenca com a dobradinha "Fall Again" e "Tie The Noose". Não que sejam desagradáveis, mas você termina de ouvi-las com cara de "é só isso?". A primeira passa a sensação de preguiça, desleixo, é óbvia demais. A outra só viu a luz do dia por causa do bom refrão, que de positivo, apresenta o impressionante alcance vocal do barítono Mark. Tomara que no palco ele consiga fazer jus à gravação.
Neste regular álbum, chegamos à penúltima faixa com a maravilhosa balada "Sympathy". Aqui, Mark Tremonti coloca toda sua alma. Remete-nos às composições mais tocantes de ALTER BRIDGE e CREED. A consolidação dele como frontman é nítida e deve ser vista pelo fã como o principal marco em "Cauterize".
"Providence" mal começa e já vem à mente "All Hope Is Gone", do álbum "III", do Alter Bridge. Estão em tons diferentes, uma é no violão e outra na guitarra, ok, mas coloque as introduções uma após a outra. Gente, é comum artistas fazerem auto-referência, e até auto-reverência, mas não é o ideal para caras que estão sempre se reinventando, ou que se supõe que o fariam. A música é bela, porém, fica aquela ponta de decepção por não te pegar desprevenido. Especialmente por conta do refrão apresentar acordes já usados para resolver canções de TREMONTI e ALTER BRIDGE. Aparentemente, Mark está no piloto automático e se repete quando não vê outra forma de preencher os espaços das canções. O ouvido mais atento irá perceber isso e irá julgar como um detalhe sem importância ou uma estagnação do artista.
Quando o álbum termina, pode-se dizer tranquilamente que este não atingiu o nível de excelência de "All I Was" e "Fortress". É um bom álbum, mas não acrescenta novidades à carreira de Mark Tremonti, tampouco diminui sua relevância. Só confirma o que todos que o acompanham já sabem: ele é um músico expecional. Capaz de "Dust", lançamento do TREMONTI já confirmado para 2016, ser mais do mesmo, já que foi gravado na mesma leva de "Cauterize". Esperemos que a saída da zona de conforto aconteça, de fato, na próxima reunião do ALTER BRIDGE.
TREMONTI é:
Mark Tremonti - vocal e guitarra base
Eric Friedman - guitarra base, guitarra rítmica e backing vocals
Garrett Whitlock - bateria
Wolfgang Van Halen - baixo e backing vocals
Track listing:
01. Radical Change
02. Flying Monkeys
03. Cauterize
04. Arm Yourself
05. Dark Trip
06. Another Heart
07. Fall Again
08. Tie The Noose
09. Sympathy
10. Providence
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