Faith No More: A estreia desses californianos malucos e criativos
Resenha - We Care A Lot - Faith No More
Por David Torres
Postado em 31 de maio de 2015
Donos de uma criatividade tão absurda quanto as suas maluquices, o Faith No More tornou-se ao longo dos anos uma das bandas de Rock mais importantes e bem sucedidas do planeta. Formada em São Francisco, Califórnia (EUA), no ano de 1982, a banda nasceu das cinzas do Faith No Man, um grupo composto e liderado por Mike "The Man" Morris. O tecladista Roddy Bottum, o baterista Mike Bordin e o baixista Billy Gould já tocavam juntos e integravam a banda e decidiram se livrar de Morris e, ao invés de demiti-lo, optaram por fundar uma nova banda. Devido a uma sugestão de um amigo, batizaram a nova banda de Faith No More, uma vez que Mike "The Man" Morris ("o cara") "não mais" (em inglês, "no more") integraria a banda.
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Substituindo "The Man", entrou o guitarrista Jim Martin. Nesse período, os mais diversos músicos ocuparam a vaga de vocalista. Dentre eles, a então namorada de Roddy Bottum na ocasião, Courtney Love. Reza a lenda que Courtney teria implorado para entrar no grupo, sendo expulsa após algumas apresentações. De acordo com ela, "eles queriam uma banda de machos". Fato ou ficção, os integrantes decidiram recrutar Chuck Mosley para assumir os vocais. O vocalista chegou a gravar os dois primeiros álbuns, "We Care A Lot" (1985) e "Introduce Yourself" (1987). Nesse mês, "We Care A Lot", o disco de estreia do Faith No More completou 30 anos. Lançado pela extinta gravadora Mordam, em maio de 1985, esse "debut" foi produzido por Matt Wallace, que colaborou com a banda na maioria de seus registros de estúdio e também já foi engenheiro de som em uma "demo" do Possessed e produtor em uma "demo" do Death Angel. O álbum não é uma obra prima, mas já apontava que o grupo californiano tinha um tremendo potencial.

O baixo pulsante de Billy Gould ecoa pelos alto falantes tocando os primeiros acordes daquela que é a faixa de abertura do registro. Adivinhe qual é? O hino "We Care A Lot". Não há muito que falar a respeito dessa composição. Cativante, simples e direta, é um clássico nato do Faith No More. No álbum seguinte, "Introduce Yourself", os músicos optaram por regravar a música, com uma produção evidentemente superior e acrescentando "backing vocals" em algumas partes, além de terem produzido um videoclipe para a segunda versão. "The Jungle" é a segunda faixa. Ela inclui alguns elementos interessantes, como bons "riffs" e linhas consistentes de baixo e bateria, mas falta algo mais nela para fazer a canção decolar. Ainda assim, não é uma faixa ruim.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | O disco prossegue com "Mark Bowen", uma composição mais interessante e que faz alusão ao nome de um guitarrista que integrou a banda antes do "debut" ser lançado. Nela, temos um arranjo surreal que permeia a canção inteira. Os teclados hipnóticos de Roddy Bottum são algo de outro mundo e teletransportam o ouvinte para um mundo completamente alucinante. Na sequência, temos a curta, porém bela faixa instrumental tocada pelo guitarrista Jim Martin, intitulada apenas "Jim", já emendando com "Why Do You Bother", cujo arranjo de teclados percorre toda a composição. Há um sentimento bastante kafkiano nessa faixa.

A faixa "Greed" começa lenta e progressivamente, com os vocais de Chuck Mosley. Depois temos um baixo bem vivo e pulsante e acordes interessantes e viajantes. Ainda que tenha um eficiente trabalho instrumental e bons elementos em sua sonoridade, é uma faixa apenas razoável. A destruidora instrumental "Pills for Breakast" vem logo em seguida. A faixa se inicia muda e então o som cresce gradativamente, revelando as linhas potentes da bateria de Mike Bordin. Pouco depois, entram os "riffs" certeiros do guitarrista Jim Martin e os teclados sempre impecáveis de Roddy Bottum. Após isso, a banda toda entra em cena e detona em seus respectivos instrumentos. Um arrasa quarteirão!
Excepcional, "As the Worm Turns" possui um arranjo de teclados sublime e fantástico, repleto do mais genuíno "feeling". Essa composição foi regravada anos mais tarde e lançada como uma faixa bônus da edição japonesa do álbum "Angel Dust" (1992). Outro grande destaque do álbum. A penúltima do álbum é "Arabian Disco", uma faixa que traz mais acordes surreais, "cozinha" de baixo e bateria descomunais e melodias bem construídas. "New Beginnings" encerra o álbum com mais uma canção repleta de viagens psicodélicas e experimentações. Ainda não era o Faith No More atacando com força total, mas já tínhamos uma demonstração sutil do que a banda iria apresentar alguns anos depois.

"We Care A Lot" é a primeira entrega do Faith No More em sua aclamada carreira e jornada musical. Ainda que não seja um álbum tão envolvente e criativo como os trabalhos que vieram depois, possui boas composições e serve como uma prévia para o que estava por vir.
Escrito por David Torres
01. We Care A Lot
02. The Jungle
03. Mark Bowen
04. Jim
05. Why Do You Bother
06. Greed
07. Pills for Breakfast
08. As the Worm Turns
09. Arabian Disco
10. New Beginnings

Chuck Mosley (Vocal)
James B. Martin (Guitarra)
Bill Gould (Baixo)
Mike Bordin (Bateria)
Roddy Bottum (Teclado)
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