Rage: "Soundchaser", tão avassalador quanto o "Unity"
Resenha - Soundchaser - Rage
Por Giales Pontes
Postado em 22 de novembro de 2014
Nota: 10 ![]()
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Confesso que não esperava nada demais deste ‘Soundchaser’ (2003) quando de seu lançamento, uma vez que seu antecessor ‘Unity’, lançado um ano antes, soava tão magnífico que eu sinceramente achei que a banda ainda demoraria um certo tempo para igualar a façanha. Mas adivinhe! Para a minha felicidade, eu estava redondamente enganado. O "Caçador de Sons" mostra-se tão avassalador quanto ‘Unity’, até mesmo superando-o em certos momentos.
A intro ‘Orgy Of Destruction’ invade os alto-falantes com os bumbos duplos de Mike Terrana como linha condutora. Teclados climáticos e contratempos da guitarra de Smolski dão apoio para uma narração sussurrante e distorcida, onde "Soundchaser", o monstro que ilustra as capas da banda, ameaça os ouvintes: "I have heared your voice. Now I have no choice. You must face your fatal end". Após esse interlúdio ela explode em riffs pesados que já emendam sem mais delongas na segunda faixa, ‘War Of Worlds’. Esta é uma típica música do Rage dos anos 2000, com muito peso, com a classe de sempre nas guitarras, seja nos inacreditáveis solos de Victor, seja pelo baixo poderoso, seja pelas linhas de bateria que "não dão sossego", ou pelo refrão irrepreensível, ‘War’ é a típica música "rolo compressor", passando por cima de tudo sem pedir licença!
‘Great Old Ones’ é o que eu chamo de "metal de arena". A música é inegavelmente Heavy Metal, mas possui um apelo capaz de agradar até mesmo quem não é muito chegado ao estilo. O refrão é indescritivelmente grudento, e fica na cabeça por horas! Os riffs de guitarra são perfeitos! A levada de bateria... também! Mas que diabos esses dois! O tal de Victor e esse tal de Mike! Será que são humanos mesmo? A precisão desses caras chega a ser enervante! Pô, os camaradas não erram nunca! O bom gosto impera nos trabalhos do Rage desde que esses caras entraram para a banda.
A faixa-título é arrasadora, com a guitarra cuspindo riffs no melhor estilo metal tradicional, meio Accept, meio Saxon. O refrão é aquele, do tipo "impossível não cantar junto". ‘Defenders Of The Ancient Life’ tem algumas mudanças de andamento, e segue a sonoridade grandiosa predominante no álbum. Outra que seguramente agradará qualquer fã de metal tradicional. ‘Secrets In A Weird World’ apesar de não fugir muito do estilo das outras, surpreende no refrão com uma base meio orquestrada, dando um tempero diferente e muito interessante à faixa.
‘Flesh And Blood’ é a minha "queridinha". Olha, é sério, se essa música fosse uma mulher, seria com ela que eu me casaria. Coisa linda de se escutar! Nem vou tentar descrever, pois esta música é uma experiência para ser vivida, não para ser explicada.
‘Human Metal’ configura outro grande momento metálico em ‘Soundchaser’. Tudo nela é bem cuidado, dosado com precisão cirúrgica. Desde os riffs com microfonias muito fodas, passando pela cozinha que costura tudo sem errar um único ponto, e chegando nas linhas vocais irretocáveis de Peavy. O pré-refrão é lindo, e ajuda a criar a expectativa para o também ótimo refrão onde Peavy avisa: "Eu sou um metal humano. Sim, eu sou real. Eu sou um metal humano". A nona música ‘See You In Heaven Or Hell’, é a mais melódica deste trabalho, e dispensa maiores comentários, pois é tão grandiosa quanto as demais.
Bem, se por um lado, eu considero ‘Flesh And Blood’ como o grande momento do álbum, por outro devo salientar que ela não é o único. Pois as duas partes de ‘Falling From Grace’ estão ali palmo a palmo com ‘Flesh’. A Parte 1, ‘Wake The Nightmares’ tem uma introdução ao violão capaz de emocionar até um cadáver. Os riffs quase Thrash que Victor impõe após a calmaria do início logo desfazem o momento sublime, e a música ganha ares de pesadelo. Para em seguida termos de volta a melodia, mas agora acompanhada do peso da guitarra. O solo de Victor nessa faixa é para mim o melhor do play, disparado! Aqui ele faz uso inteligente do efeito wah-wah, esbanjando feeling. Sem mais demora, o finalzinho emenda na parte 2 ‘Death Is On It's Way’ com uma entrada apoteótica que logo deságua em uma daquelas suítes com violão e guitarras acústicas, lembrando aquela sonoridade dos tempos de ‘XIII’ (1998) quando a banda investia muito nessa sonoridade mezzo acústica mezzo orquestrada.
De resto, ‘Death Is On It's Way’ é outra peça musical de arrepiar a espinha de qualquer fã de metal, bastando dizer que ela é mais um exemplo da perfeição alcançada pelo Rage. E que eu considero esta como sendo a fase mais criativa da carreira da banda, ou seja, o período que vai do álbum ‘Welcome To The Other Side’ (2001) até ‘Speak Of The Dead’ (2006).
Line-up:
Peter "Peavey" Wagner (Vocal/Baixo)
Victor Smolski (Guitarras/Teclados)
Mike Terrana (Bateria)
Track-list:
1 . Orgy Of Destruction
2 . War Of Worlds
3 . Great Old Ones
4 . Soundchaser
5 . Defenders Of The Ancient Life
6 . Secrets In A Weird World
7 . Flesh And Blood
8 . Human Metal
9 . See You In Heaven Or Hell
10. Falling From Grace, Pt. 1: Wake The Nightmares
11. Falling From Grace, Pt. 2: Death Is On It’s Way
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