Alter Bridge: Uma nova essência em "Fortress"
Resenha - Alter Bridge - Fortress
Por Guilherme Fernandes
Fonte: SL Music Magazine
Postado em 06 de outubro de 2013
O Alter Bridge reoxigenou o rock. Fato. Goste você da banda ou não. Surgido das cinzas do melancólico Creed, com a adição do vocalista Myles Kenney e do baixista Brian Marshall, o Alter Bridge hoje é uma das poucas bandas que conseguem traduzir a qualidade pessoal de seus membros em prol do conjunto. É difícil dizer que é uma das melhores bandas do rock atual, até porque reduzir seus lançamentos a esse estigma é relega-los à uma pressão desnecessária. É uma ótima banda, que possui uma discografia precisa, eficiente e de qualidade regular.
Se em "One Day Remains", seu debut, as influências "creedianas" ainda estavam no sangue do conjunto, em "Blackbird" isso foi esquecido completamente. Talvez o magnun-opus de sua discografia. Em 2010, nos apresentaram o ótimo "AB III". Um excelente álbum que, se não é melhor que o seu antecessor – talvez pela falta de um grande hit –, está bem próximo disso.
Depois desse lançamento e de uma extensa turnê, a banda entrou em um hiato, para que seus integrantes pudessem dar vazão a outros projetos. Myles se transformou no vocalista oficial do The Conspirations, banda que acompanha o guitarrista Slash, gerando, inclusive, dois ótimos registros – a saber, o ao vivo "Made In Stoke", e o disco de estúdio "Apocalyptic Love" – e uma turnê mundial, passando, felizmente, pela América do Sul.
Mark Tremonti e Scott Phillips reacenderam o Creed e também passaram pelas bandas de cá. Além disso, Tremonti também lançou um ótimo disco solo em 2012, "All I Was". Mais pesado que os seus trabalhos com o Creed e o Alter Bridge, o disco consolida-o como um dos grandes guitarristas de nosso tempo.
Passado esse hiato prolifero, a banda se reúne novamente para lançar seu quarto disco de inéditas, "Fortress". E o resultado não poderia ser melhor.
Não, não espere por um "AB IV", como o álbum foi apelidado durante sua gravação. "Fortress" é um disco complexo, de difícil audição, diferente de todos os seus outros lançamentos. Já esteja pronto para não se apaixonar por ele na primeira audição. Tudo em "Fortress" é elevado à décima potência: timbres gordos, palhetadas insanas, vocalizações inusitadas e grandiloquência. Quase megalômano. Beirando a soberba musical.
O disco começa com "Cry of Achilles". Transitando entre o progressivo e o clássico, não é uma música que irá apaixonar "de prima". Entretanto, depois de algumas boas audições, você já estará cantarolando seu ótimo refrão. Aliás, é digna de nota a facilidade de assimilação dos refrãos das novas canções.
"Addicted To Pain" foi o primeiro single liberado. Mais uma ótima canção, que remete facilmente ao trabalho solo de Mark Tremonti. Violenta e radiofônica ao mesmo tempo, "Addicted..." é um belo cartão de visitas do que irá acontecer durante o álbum inteiro: ecos dos lançamentos de Kennedy e Tremonti paridos no hiato do Alter Bridge.
Canções como "Bleed It Dry", "Waters Rising", "Cry A River" e "Peace Is Broken" poderiam estar facilmente no registro solo de Tremonti, enquanto os vocais de Kennedy em "The Uninvited" e "Lover" poderiam, com mais alguns retoques da pegada "slasheana", facilmente figurar nos lançamentos do homem da cartola. O Alter Bridge dos discos anteriores está muito bem representado nas ótimas "Farther Than The Sun" e na faixa título. Refrãos assimiláveis e levadas fáceis misturadas com passagens e breaks intrincados conduzem essas duas faixas.
Definitivamente o Alter Bridge mudou a sua essência. Talvez, fruto das experiências musicais e pessoais de seus membros durante o hiato da banda. "Fortress" possivelmente é o inicio de uma nova fase na carreira do grupo que, como dito antes, reoxigenou o rock. Com "Fortress", o Alter Bridge mostrou que, a partir de agora, irá exigir mais de seus admiradores.
E isso é algo bom ou ruim? Tai uma boa pergunta para você, leitor, responder.
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