Television: considerada "nerd" para os padrões do início do punk
Resenha - Marquee Moon - Television
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 22 de março de 2013
CBGB'S, Cavern Club, Whisky A Go Go – a mera menção de nomes como esses já fazem o aficcionado do rock n'roll viajar ao que eu chamo de "nostalgia não vivida"- quem nunca se pegou fantasiando estar em show dos ainda iniciantes BEATLES, RAMONES ou os DOORS atuando como meras bandas de boteco? Longe da imagem glamorosa, esses ambientes já foram descritos como sendo- à época- botecos cheirando a urina, quentes e desconfortáveis; entretanto, em nosso imaginário são templos de respeito, que oportunizaram ao mundo um folclore farto e impagável.
Aos fãs de punk e pós punk, o primeiro clube mencionado é dado como o verdadeiro berço do gênero; antes dos ingleses surrupiarem as idéias musicais de PATTI SMITH e DEAD BOYS, o porão localizado na Beecker Street em Nova York, cujas atividades foram encerradas em 2006, comprou a ideia de três acordes toscos que emergiam das ruas e, além dos já citados, deu vida ao TELEVISION, CRAMPS, THE FLESHTONES e mais uma pancada de nomes de fodões do gênero.
Dentre os felizardos, estava uma banda que, até certo ponto, considerada "nerd" para os padrões do início do punk: o TELEVISION era, por assim dizer, uma banda com o pé tanto na pancada quanto no refinamento primitivo de seus contemporâneos do WIRE. Formado pelo genial letrista TOM VERLAINE (vocal , guitarra e teclado), RICHARD LlOYD ( guitarra e vocais), FRED SMITH (baixo) e BILLY FICCA (bateria) a banda lançou, em 1977, aquele que é considerado um dos melhores registros do gênero, "Marquee Moon".
Produzido por ANDY JOHNS, o disco pode ser considerado como o marco zero do pós-punk, ao menos no que se refere a presença de elementos significativos para o estilo na década seguinte. Idolatrado por gente como REM e GANG OF FOUR, "Marquee" rasga a cartilha do curto e grosso e põe na mesa elementos de proto punk – a exemplo da influência de NEW YORK DOLLS em "See No Evil"- contando, inclusive, com um "sacrílego" solo de guitarra. Quer mais? Que tal uma faixa, em um disco punk, de quase onze minutos (a própria faixa título) onde fica nítido a influência de art rock, cheia de mudanças rítimicas e outras "frescuras" para os padrões da época?
Já ouviu comparando os STROKES a essa banda? Pois acredite – do timbre vocal ao entrecruzamento de guitarras - tudo aqui remete à CASABLANCAS e companhia – "Venus" "Friction" que o digam. Entretanto, como a natureza é cíclica, as influências de DAVID BOWIE (" Guiding Light") e LOU REED ( " Torn Curtain") também não deixam por menos- e mostravam que a banda buscava mais do que o "mais do mesmo". Ouça e reouça.
Track List:
1. See No Evil - 3:58
2. Venus - 3:54
3. Friction - 4:45
4. Marquee Moon - 10:47
5. Elevation - 5:10
6. Guiding Light - 5:37
7. Prove It - 5:05
8. Torn Curtain - 7:01
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