Nando Reis: disco agradará românticos e roqueiros

Resenha - Sei - Nando Reis

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Por Victor de Andrade Lopes
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Acompanhado pela banda OS INFERNAIS, NANDO REIS lança em 2012 seu sétimo disco de estúdio, Sei. Um nome curto e grosso, condizente com a sonoridade de algumas faixas do álbum, que estão mais cruas e diretas do que em lançamentos anteriores. A pegada está nitidamente mais rock 'n' roll. Só que essa pegada tem outro nome além de Nando Reis: Jack Endino. Isso mesmo. O renomado produtor em cujo currículo constam nomes como SOUNDGARDEN, NIRVANA e TITÃS (banda na qual NANDO começou sua carreira no papel de vocalista e baixista) recebeu em Seattle o cantor e compositor paulista para a gravação do álbum.
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Há outro detalhe que não pode ficar de fora da resenha: o álbum é independente, e Nando tirou proveito de sua autonomia de forma ousada: disponibilizou Sei na íntegra em seu site oficial e ainda pediu para os próprios fãs determinarem um preço para a obra. O valor final será calculado com base no julgamento dos internautas.

Por meio da Rádio UOL, Nando lançou sete das quinze faixas que compõem o álbum, sendo uma por dia. A primeira foi "Sei", faixa-título que assumiu o papel de single do disco. Era uma escolha óbvia, por ser uma das típicas baladinhas românticas do cantor, apesar de que "Coração Vago", a penúltima a ser divulgada, e várias outras faixas também não soam muito diferente. Em "Pré-Sal", a segunda a ser liberada, o rock fica mais evidente, e a letra, sem refrão, mais complexa e misteriosa. "Back in Vânia" (praticamente uma regravação de "Back in Bahia", de Gilberto Gil) traz temperos de blues e várias referências a locais do estado de São Paulo e do mundo, inclusive Ubatuba, cidade litorânea onde Nando gravou seu disco Luau MTV em 2007.

O romantismo volta em "Pra Quem Não Vem", mas desta vez acompanhado de uma instrumentalização bem mais poderosa e trabalhada. Em "Eu & a Bispa", há uma crítica quase explícita à Igreja Universal, evidenciada pela ênfase na palavra "universal" na segunda estrofe. Também pode ser uma crítica à gravadora Universal, que não quis renovar o contrato com o cantor antes de ele optar pela independência. A letra traz um momento repentino de sujeira no verso "Nem a punheta fode pelo pau que não fode a buceta", o lado "na lata" de Nando Reis, que já fora trabalhado em canções antigas como "Isso Para Mim é Perfume", do disco titânico Tudo ao Mesmo Tempo Agora. A última música a ser divulgada, "Lamento Realengo", traz um momento raro e brando de negatividade ao trabalho (a começar pelo título), mas é dotada de um trabalho instrumental que não nos deixa esquecer das propriedades roqueiras do disco. Aqui, a banda conseguiu combinar com sabedoria o blues e o reggae, dois estilos que aparentemente resultariam em uma mistura heterogênea.

Se as faixas lançadas na UOL tinham como objetivo abrir o apetite musical dos fãs, elas conseguiram. Para matar a fome auditiva, as outras oito faixas estão aí, e podem ser divididas em dois grupos: O primeiro é o das baladinhas, formado por "PERSxPECTIVA", "Luz Antiga", "O Que Eu Só Vejo em Você" e "Declaração de Amor", embora esta última seja bem menos melosa que suas colegas, talvez devido à emoção trazida pela sua pegada mais forte ao final. O outro grupo, formado por "Ternura & Afeto", "Praça da Árvore" e "Sem Arrefecer", traz letras mais complexas, profundas e trabalhadas. "Zer∅ Muit∅", composta originalmente para o disco Não Tente Compreender, da cantora Mart'nália, tem alguns paralelos do amor com a matemática ("o amor não tem razão, sua raiz é uma nação sem ser lugar"), e faz ainda algumas possíveis referências à bissexualidade do cantor ("você não curte o que eu curto, o mesmo sexo, outro prazer").

A presença de Jack Endino se faz evidente em alguns momentos e imperceptível em outras, o que é mais um ponto positivo para Sei, um trabalho nitidamente marcado por seu produtor, mas sem sombra de dúvidas fruto do trabalho de seu autor.

Num disco que agradará a todos (românticos e roqueiros), Nando Reis deixou clara sua maturidade musical e os benefícios que um nome como Jack Endino podem trazer para o trabalho de um artista. Assim como Zé Ramalho, que lançou há pouco tempo seu mais recente álbum, Sinais dos Tempos, Nando mostrou também que tornar-se independente pode trazer certa liberdade ao músico, permitindo a ele lançar mão de recursos impensáveis dentro de uma gravadora, como pedir que os fãs determinem o preço do disco. Um bom lançamento de um músico bom.

Abaixo, o single "Sei":
http://www.youtube.com/watch?v=0Io9uaA-kiA

Track-list:
1 - Pré-sal
2 - Sei
3 - Back in Vânia
4 - Pra Quem Não Vem
5 - Declaração de Amor
6 - Eu & a Bispa
7 - Coração Vago
8 - PERSxPECTIVA
9 - Ternura & Afeto
10 - Luz Antiga
11 - Praça da Árvore
12 - O Que Eu Só Vejo em Você
13 - Sem Arrefecer
14 - Zer∅ Muit∅
15 - Lamento Realengo

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Sobre Victor de Andrade Lopes

Victor de Andrade Lopes é jornalista (Mtb 0077507/SP) formado pela PUC-SP e membro do Grupo de Usuários Wikimedia no Brasil. Paulistano e morador de Carapicuíba (Granja Viana), tem um blog de resenhas musicais e outros assuntos chamado Sinfonia de Ideias. Apaixonado por livros, ciências, cinema, games, viagens, ufologia, e, é claro, música: rock, metal, pop, dance, folk, erudito e todos os derivados. Além de ouvir, também toca piano e teclado, compondo algumas bobagens de vez em quando.

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