Morbid Angel: Talvez seja a grande decepção de 2011
Resenha - Illud Divinus Insanus - Morbid Angel
Por Lord Destructo
Postado em 02 de julho de 2011
Nota: 7 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Quem se liga em música extrema sabe que o MORBID ANGEL é uma banda crucial para o desenvolvimento de várias tendências do Death Metal do final dos anos de 1980 para cá. Muitos atribuem, com justiça, o epíteto de "Reis do Death Metal" à banda da Trey Azagthoth e cia. É quase unânime entre as grandes bandas de Death Metal de todo o mundo a reverência aos seus trabalhos. Algumas características são bem marcantes como o timbre da guitarra (riffs, frases e solos) de Trey que dão um tom obscuro e pesadíssimo às músicas; a interpretação e o vocal gutural de David Vincent com sua voz barítono imortalizado, por exemplo, na música "God of Emptiness" do álbum "Covenant" (1993); e a bateria insana de Pete Sandoval, que com certeza pode ser classificado como um dos bateristas mais rápidos e técnicos do Metal.
Contudo, a banda naturalmente foi passando por altos e baixos ao longo dos anos e neste processo o vocalista David Vicent saiu para tocar outros projetos. Isto foi há 15 anos. Neste intervalo o Morbid Angel lançou discos muito bons como "Gateways to Annihilation" (2000) e "Heretic" (2003) com Steve Tucker no vocal e baixo. Mas, em 2008 foi anunciada a volta de David Vincent ao line-up da banda, notícia recebida com entusiasmo pelos fãs. Após fazer algumas turnês com a formação clássica, eis que Trey e cia decidiram lançar um novo disco.

E então... Decepção.
"Illud Divinus Insanus" talvez seja a grande decepção de 2011 para o Metal Extremo. Nele não encontramos, na íntegra, o velho Morbid Angel que conquistou fãs fiéis mundo afora e foi inspiração para muitas bandas. Neste álbum temos uma infeliz mistura de elementos industriais e eletrônicos com o peso das guitarras de Azagthoth. A abertura do disco ficou até legal, mas quando soam os primeiros acordes de "Too Extreme!" é difícil acreditar que se trata de um disco do Morbid Angel. Com uma batida industrial e efeitos incompatíveis com o Death Metal primoroso da banda, esta música irrita e decepciona. Entretanto, o disco tem momentos de alento que remetem ao Death Metal característico da banda como as matadoras "Existo Vulgoré", "Blades for Baal", "10 More Dead", "Nevermore". As faixas "Destructos Vs. the Earth/Attack", "Radikult" seguem a linha da experimental que vem gerando polêmica em torno deste lançamento. Porém, o ponto mais problemático é a última e irritante faixa "Profundis – Mea Culpa". Após várias audições não foi possível digeri-la.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Sendo mais flexível, é até possível considerar como interessante a atmosfera densa criada pelo trabalho de guitarra de Trey em "Destructos...", mas a estrutura da música como um todo está muito descaracterizada para ser considerada como um trabalho do Morbid Angel que conhecemos e gostamos.
Não sou contra inovações e experimentalismo, mas tudo tem que ser feito com bom senso, talvez de forma gradual. Imagine, por exemplo, se o CANNIBAL CORPSE lança um disco com vocais femininos líricos e batidas eletrônicas? Não que estes elementos musicais sejam ruins, mas num contexto equivocado pode soar estranho e inadequado.
O MORBID ANGEL nunca foi uma banda repetitiva, isto é, que lança discos parecidos uns com os outros sem inovar. Pelo contrário, sua discografia é rica em inovações de um disco para o outro e até mesmo experimentalismos como no álbum "Formulas Fatal To The Flash" (1998). Experimentar os limites da guitarra pesada com afinação em freqüências abaixo do normal sempre foi característica de Trey Azagthoth, e isto é um dos fatores que ajudaram a consagrá-lo como um compositor de mão cheia e um guitarrista criativo e talentoso. Entretanto, as experimentações tentadas neste álbum são mal sucedidas mesmo se considerarmos um contexto de Metal Industrial na sua estrutura consagrada por bandas como MINISTRY, FEAR FACTORY, WHITE ZOMBIE, STATIC-X e RAMMSTEIN. Soa forçado.

A inovação no metal é muito bem vinda, ainda mais em estilos como o Death Metal que por vezes carece de criatividade por parte de bandas mais novas, mas tudo com equilíbrio para evitar a descaracterização.
É entristecedor ver um lançamento que, embora tenha momentos positivos, tinha tudo para ser um dos melhores do ano e um marco positivo na discografia da banda, ser desperdiçado com experimentalismos fadados ao fracasso no contexto de uma banda que é referência de peso, criatividade, talento técnico, velocidade e letras ácidas. Resta-nos esperar o próximo lançamento e torcer para que Trey e cia retomem sua criativa e estimulante arte de fazer nossas cabeças bangear e sentirmos toda a energia e poder que o Death Metal bem feito tem.

Ponto alto: "Blades for Baal"
Ponto baixo: "Profundis – Mea Culpa"
Morbid Angel – "Illud Divinum Insanum"
Pais: EUA
Lançamento: junho de 2011
Selo: Season of Mist
Line-up:
David Vincent – Vocais/baixo
Destructhor - Guitarras
Trey Azagthoth - Guitarras
Tim Yeung – Bateria (Pete Sandoval não pôde participar da gravação deste álbum, pois teve que submeter-se a uma operação)
Tracklist:
01. Omni Potens 02:28
02. Too Extreme! 06:13
03. Existo Vulgoré 03:59
04. Blades for Baal 04:52
05. I Am Morbid 05:17
06. 10 More Dead 04:51
07. Destructos Vs. the Earth / Attack 07:15
08. Nevermore 05:08
09. Beauty Meets Beast 04:57
10. Radikult 07:37
11. Profundis - Mea Culpa 04:06

Outras resenhas de Illud Divinus Insanus - Morbid Angel
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Thiê rebate Dave Mustaine e diz acreditar em sondagem por Pepeu Gomes no Megadeth
A lendária banda de heavy metal que ficou quase 7 anos seguidos sem fazer um único show
Por que Jimmy London do Matanza não gosta de Megadeth, segundo o próprio
Jason Newsted deixou o Metallica por ter se tornado "um viciado terrível"
Dave Mustaine explica por que não vai convidar Kiko Loureiro para show com Megadeth
Zakk Wylde anuncia atrações para a edição 2026 do seu festival, Berzerkus
O cover gravado pelo Metallica que superou meio bilhão de plays no Spotify
70 shows internacionais de rock e metal para ver no Brasil em maio
As 10 músicas mais emocionantes do Slipknot, segundo a Metal Hammer
Quatro bandas internacionais que fizeram mais de 50 shows no Brasil
Entre as 40 atrações, alguns dos destaques do Bangers Open Air 2026
Para Nicko McBrain, volta de Bruce Dickinson ao Iron Maiden estava "nos planos de Deus"
O disco do Black Sabbath que causa sensação ruim em Geezer Butler
Judas Priest escondeu por 10 anos que vivia sem dinheiro, segundo K.K. Downing
Rolling Stones anuncia novo álbum de estúdio, "Foreign Tongues"
James Hetfield revela o passatempo exótico que tem em comum com Neil Peart
Slash revela quais são os dois hits do Guns N' Roses que ele ficou "enjoado" de tocar ao vivo
Quando o Lynyrd Skynyrd irritou Mick Jagger ao abrir o show dos Rolling Stones

O melhor disco de death metal de cada ano, de 1985 até 2025, segundo o Loudwire
Pete Sandoval nega ter deixado o Morbid Angel por motivos religiosos
"Morbid Angel é mais progressivo que Dream Theater", diz baixista do Amorphis
Iron Maiden: Somewhere In Time é um álbum injustiçado?

