Eddie Vedder: em solo, longe do estilo do Pearl Jam

Resenha - Into The Wild - Eddie Vedder

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Por Otávio Augusto Juliano
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Nota: 7

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Já famoso por ser vocalista do Pearl Jam, Eddie Vedder escolheu lançar seu primeiro trabalho solo de uma forma diferente. Aceitou o convite e o desafio de compor e interpretar as canções da trilha sonora do filme “Into The Wild” (no Brasil, chamado de “Na Natureza Selvagem”). Certamente, um jeito incomum de registrar um primeiro disco solo.
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O filme “Into The Wild”, uma adaptação do livro homônimo, escrito por Jon Krakauer em 1996, estreou no cinema americano em setembro de 2007 (no Brasil, em fevereiro de 2008), sob direção do astro Sean Penn.

Trata-se da história verídica do jovem Christopher J. McCandless, que após se formar na universidade, resolve tornar-se um andarilho rumo ao Alasca. Cansado dos costumes capitalistas da sociedade e saturado com a hipocrisia e as mentiras de sua família (principalmente de seu pai), resolve doar todas as suas economias a uma instituição de caridade e partir para a sobrevivência na natureza selvagem, até alcançar sua meta – o Alasca.

Não dá mais notícias à família e segue seu rumo, encontrando no caminho pessoas de características e qualidades diversas, vivenciando emoções novas a cada dia. Em suma, é a história de um jovem estudante bem sucedido e com uma carreira de futuro, que resolve largar tudo em troca de uma viagem de mochila mundo afora, abrindo mão de seus bens materiais e do convívio em sociedade.

E Eddie Vedder parece acertar nas composições escolhidas para embalar a aventura dramática de Christopher. Mas não espere muito do disco, além de 11 músicas parecidas, deixando no ar um clima de folk music. Com exceção de “Tuolumne”, que é instrumental (de 1 minuto de duração) e “The Wolf”, com apenas alguns gritos de Eddie, o disco é recheado de composições de violão, com letras fortes e adequadas ao filme. Um CD bastante calmo, ideal para se ouvir em momentos nos quais se busca mais tranqüilidade e menos agito.

Como destaque, tem-se as canções “Rise”, “Guaranteed” e “Setting Forth”, essa última lembrando um pouco as baladas do Pearl Jam, que já empolgaram e ainda empolgam muitos fãs em todo o mundo. Mas as principais são, sem dúvida, “Hard Sun”, escolhida para ser o “single” do álbum; e “Society”, música mais marcante do disco, de letras bem colocadas e totalmente adequadas ao contexto do filme. Curiosamente, estas duas faixas são as únicas do álbum inteiro que não foram compostas por Eddie Vedder.

É um CD de pouco mais de 30 minutos, com algumas faixas de duração bastante curta, criadas com a finalidade única de embalar determinadas passagens do filme. Enfim, um cd que talvez faça muito mais sentido para aquele ouvinte que previamente viu e gostou do longa metragem dirigido por Sean Penn. Impossível ver o filme, ouvir o CD e não lembrar das inúmeras paisagens retratadas e das aflições e angústias vividas pelo protagonista (personagem interpretado pelo ator Emile Hirsch).

Aliás, falando em paisagens, vale o registro: o filme tem uma belíssima fotografia e muitas das imagens reproduzidas na telona podem ser vistas no encarte do disco – encarte de extremo bom gosto, diga-se de passagem. Verdadeiros cartões-postais a cada página do encarte.

Para quem gostou do filme, é uma dica de compra, sem dúvida, interessante. Para quem é fã de Eddie Vedder e seus trabalhos com o Pearl Jam, vale como registro, mas não espere músicas muito parecidas com o som tirado pela banda de Seattle. Em resumo: um grande filme com uma boa trilha sonora.

Nacional – Sony/BMG

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Sobre Otávio Augusto Juliano

Otávio é paulistano, tem 29 anos e faz algo nada a ver com o Rock: é advogado. Por gostar muito de música e não possuir talento algum para tocar instrumentos musicais, tornou-se um comprador compulsivo de cds. Sempre interessado em leitura ligada ao Rock e Metal, começou a enviar algumas pequenas colaborações para a Whiplash e hoje contribui principalmente com textos relacionados ao Hard Rock, estilo musical de sua preferência. De qualquer forma, é eclético e não dispensa álbuns de todas as demais vertentes do Metal, sendo fã incondicional de W.A.S.P., Mötley Crüe e dos trabalhos do guitarrista Steve Stevens.

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