Bruce Springsteen: de qualidade desconcertante
Resenha - Magic - Bruce Springsteen
Por Ricardo Seelig
Postado em 12 de abril de 2008
Nota: 9 ![]()
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Existem alguns artistas cuja obra possui uma ligação tão grande e intrínseca com sua terra natal que, fora de seus países, seu trabalho acaba não alcançando o tamanho e o reconhecimento que lhes é conferido em seu chão.
Bruce Springsteen - Mais Novidades
Bruce Springsteen é um destes caras. Mais conhecido no Brasil por ser o autor de "Born In The U.S.A.", mega-hit oitentista que por aqui foi considerado erroneamente uma apologia aos Estados Unidos da era Ronald Reagan (quando na verdade fazia justo o contrário, criticando em sua letra as políticas adotadas pelo ex-ator, um dos principais responsáveis pela onda de conservadorismo que varreu aquele país nos anos 1980), Springsteen é uma espécie de "work class hero" para o americano médio.
Dono de uma carreira sólida, que teve início em 1973 com o álbum "Greetings From Asbury Park, N.J.", alcançou seu ápice criativo em trabalhos como "The Wild, The Innocent & The E Street Shuffle" (também de 73), "Born To Run" (1975), "Darkness On The Edge Of Town" (1978) e, principalmente, no clássico "Nebraska", lançado em 1982.
Mas Bruce estava dando voltas ao redor do próprio rabo nos últimos anos. Ainda que seus discos recentes indicassem que o cantor e compositor estava retornando à velha forma, foi justamente com um álbum de releituras que Springsteen conseguiu entregar aos seus fãs um trabalho digno de sua história. "We Shall Overcome: The Seeger Sessions", lançado em 2006 e focado na obra do compositor Peter Seeger, fez com que Bruce olhasse para as suas origens, fator fundamental para o nascimento de "Magic", seu décimo-quinto disco de estúdio.
O novo trabalho de Springsteen apresenta uma qualidade desconcertante. Coeso, consistente e inspirado, olha para o passado do compositor, pescando suas melhores características, mesclando-as com a experiência acumulada pelos anos, injetando novos ares na história de um artista que não precisa provar mais nada para ninguém.
Suas doze faixas (sim, doze, porque há uma última, "Terry´s Song", escondida) proporcionam um imenso prazer a quem se aventurar pelo disco. Há desde rocks de arena oitentistas a hinos estradeiros, passando por lindas baladas e momentos mais intimistas. Bruce fala sobre relacionamentos nas letras de todo o disco, sejam elas com a pessoa que você ama, com os seus amigos, com os indivíduos que você vai encontrando pelo caminho e que, mesmo inconscientemente, mudam a sua vida. São pequenos contos que aproximam o trabalho do artista da vida de quem está do outro lado, ouvindo o disco, fazendo com a identificação entre ambos seja imediata e inevitável. Você já viveu o que Bruce canta, e ele sabe disso.
Músicas como "Radio Nowhere", "You´ll Be Coming Down", a deliciosa "Girls In Theis Summer Clothes", "Magic" e "Long Walk Home" estão entre as melhores de toda a carreira de Springsteen, e são destaques em um álbum que apresenta um artista renovado, inspirado e de bem com a vida.
"Magic" é um excelente trabalho, uma prova de que a experiência fez bem à Bruce Springsteen. Um disco do mais alto nível, à altura de um artista que não carrega a alcunha de "The Boss" à toa.
Apenas seis letras: compre!
Faixas:
1 Radio Nowhere
2 You'll Be Comin' Down
3 Livin' in the Future
4 Your Own Worst Enemy
5 Gypsy Biker
6 Girls in Their Summer Clothes
7 I'll Work for Your Love
8 Magic
9 Last to Die
10 Long Walk Home
11 Devil's Arcade
12 Terry's Song
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