Primal Fear: nada revolucionário, mas faz diferença

Resenha - New Religion - Primal Fear

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Por Thiago El Cid Cardim
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Nota: 9


Assim como "The Black Halo" marcou o início de uma nova era para o Kamelot, refletida mais tarde em "Ghost Opera", o mesmo pode ser dito de "New Religion", novo lançamento dos alemães do Primal Fear, em seu papel de disco-sucessor de "Seven Seals".

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É bem verdade que a recente dobradinha de álbuns ajudou o Kamelot a consolidar um estilo absolutamente próprio e reconhecível dentro do chamado "metal melódico" - o que, de fato, não acontece com o grupo de Mat Sinner. Sim, a sua sonoridade continua sendo essencialmente aquele eficiente power metal alemão salpicado de Judas Priest (usando e abusando do tom semelhante da voz do vocalista Ralph Scheepers) que eles vêm mostrando desde o início de sua discografia. A diferença, no entanto, fica pela bem-vinda vontade de ousar, de ir além do óbvio, de experimentar um tantinho mais, de beber em fontes diferentes.

Nada revolucionário, mas que faz uma baita diferença na eterna busca pela identidade musical, fugindo do estereótipo "melhor banda cover do Judas que existe" (acredite: o Ricardo Seelig não é o único que pensa assim). Se para você, caro purista, "Seven Seals" representou uma quebra brusca com relação a discos como "Jaws of Death" ou "Devil's Ground", acredite: é melhor ficar longe de "New Religion". Mas como eu me surpreendi muito positivamente com a evolução sentida em "Seven Seals", gostei muito de descobrir que o "new" do título do disco não é apenas uma escolha aleatória, representando certa dose de renovação.

Se você sente falta daquele Primal Fear mais, digamos, "template", não faltam opções para você em "New Religion". Basta ouvir músicas como a própria faixa-título ou ainda "Face The Emptiness", "Blood On Your Hands", "The Curse of Sharon", "World On Fire"... Todas muito boas, inegavelmente, impossível dizer qualquer coisa em contrário. Indicadíssimas para bater cabeça, devem funcionar fantasticamente ao vivo. Mas todas são facilmente "encaixáveis" em qualquer outro disco prévio dos camaradas.

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Os bons ventos da mudança passam a ser sentidos na canção que abre "New Religion", a brutal "Sign of Fear". Com uma dobradinha de riffs quase thrash, os guitarristas Stefan Leibing e Henny Wolter entram rasgando e sentando o braço sem dó. Em "Psycho", o baixista e líder do grupo Mat Sinner incorpora a levada mais hard rock de seu projeto-solo, o Sinner, criando um heavy-rock com ares grooveados, divertido e quase sacana.

Indo da porradaria para a delicadeza, Scheepers faz um delicioso dueto com a bela Simone Simmons, do Épica. "Everytime It Rains" é uma power ballad emoldurada por violinos e que, com seu refrão absolutamente grudento, revela uma inspiração até mais pop, podendo se encaixar com facilidade em qualquer rádio mainstream que esteja tocando, por exemplo, o recente single do Evanescence, "Good Enough". Amy Lee que me perdoe, mas "Everytime It Rains" é que é uma balada metálica de verdade. No meio do disco, o Primal Fear arrisca ainda um momento mais "Seven Seals" na gigantesca "Fighting The Darkness", uma canção de tom épico dividida em três partes e que alterna belos momentos de orquestração com um heavy metal quase sinfônico. Bela, sutil e, ao mesmo tempo, cheia de potência.

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No entanto, o grande momento de "New Religion" ficou mesmo guardado para o final, na faixa de encerramento "The Man (That I Don't Know)" - e que é, sem dúvida alguma, uma das melhores (se não "a" melhor) obras deste quinteto germânico que já ouvi em minha trajetória metálica. Soturna, melancólica e sombria, a música tem uma excelente letra introspectiva sobre um homem que não se reconhece mais ao olhar no espelho. O vocalista aproveitou o momento cheio de significado e entregou uma de suas performances mais sublimes e emocionadas. O resultado final é simplesmente de arrepiar, deixando um gosto enorme de "quero mais" no ar.

Para alguns ouvintes, em especial dentro do universo heavy metal, "amadurecido" é sinônimo de "envelhecido". Se o músico resolve mudar, é sinal de que a idade chegou e ele virou um daqueles "tiozões" que não conseguem mais soar como nos "primeiros álbuns". Com sua nova religião, o Primal Fear mostra que existe uma diferença gigantesca entre as duas definições. Cada vez mais desenvolvendo um rosto muito próprio, a banda ganha corpo e contornos mais definidos. E tudo que posso fazer é repetir o que disse ao final da resenha de "Seven Seals": eles finalmente encontraram o seu caminho rumo ao Olimpo do metal. Amém.

Line up:
Ralf Scheepers - Vocal
Stefan Leibing - Guitarra
Henny Wolter - Guitarra
Mat Sinner - Baixo
Randy Black - Bateria

Tracklist:
1. Sign Of Fear
2. Face The Emptiness
3. Everytime It Rains
4. New Religion
5. Fighting The Darkness: Fighting The Darkness
6. Fighting The Darkness: The Darkness
7. Fighting The Darkness: Reprise
8. Blood On Your Hands
9. The Curse Of Sharon
10. Too Much Time
11. Psycho
12. World On Fire
13. The Man (That I Don't Know)




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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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