Resenha - Unleashed In The East - Judas Priest
Por Swancide
Postado em 23 de fevereiro de 2005
À primeira vista, um dos melhores discos ao vivo de todos os tempos, documentando a banda-símbolo do Heavy Metal no fim dos anos 70 e início dos 80.
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Claro, estamos falando do JUDAS PRIEST, então no seu auge, após quatro clássicos em seguida, expandindo o vocabulário do Heavy Metal para além do legado glorioso do BLACK SABBATH. Sad Wings Of Destiny, Sin After Sin, Stained Class, Hell Bent For Leather já tinham mostrado qual era a melhor banda do estilo em estúdio. Faltava, então, documentar toda a experiência, JUDAS PRIEST tocando seus clássicos em frente a platéias sedentas.
Pena que, coisa comum nos anos 70, o disco foi substancialmente refeito em estúdio. Por exemplo, Rob Halford, o eterno vocalista do JUDAS, confessou em entrevistas que seus vocais tinham sido gravados de forma terrível ao vivo, sendo depois refeitos INTEGRALMENTE em estúdio, num só take.
À parte essa decepção, o disco é um poderoso documento da melhor banda de Heavy Metal do mundo anabolizando seus números mais marcantes com peso e velocidade inauditos no período pré-Thrash (sem aquela sujeira toda do MOTORHEAD, claro).
A influência do JUDAS no Heavy Metal era clara à época e hoje, inegável. Confira por si quantos desses números deram nome a bandas e discos (e plágios): "Running Wild" (em versão venenosa com as guitarras duplas de KK Downing e Glenn Tipton uivando como nunca antes), "Exciter" (cujo riff apareceria depois em "Wicker Man", dos rivais IRON MAIDEN), "Genocide" (mais rápida, mas menos pesada que a original), "The Ripper" (com Halford rasgando o gogó como seu substituto Tim Owens - "batizado" pelos fãs com essa música - jamais conseguiria), "Victim of Changes" (borrando com tinta metálica a linha que separa as duas partes dessa grande canção, a primeira cortesia do vocalista original Al Atkins, a segunda um antigo número da banda solo de Rob Halford, HIROSHIMA), "Sinner" (em sua versão definitiva, com Ian Hill assombrando no baixo e Les Binks matando na bateria) e a subestimada "Tyrant", um dos clássicos perdidos de Sad Wings.
O disco ainda conta com duas covers extraordinárias, demonstrando a versatilidade do JUDAS em transcrever canções de outros estilos para o vocabulário do Heavy Metal. "Diamonds and Rust", da cantora folk JOAN BAEZ, se torna uma melancólica câmara de texturas mórbidas e riffs desencapados. "The Green Mahalishi (With The Two-Pronged Crown)", clássico Blues do FLEETWOOD MAC da fase Peter Green, é eletrocutado como seus autores jamais teriam pensado.
Enfim... Um disco que supera com sobras seu "mal de origem", tornando-se adição obrigatória na discoteca do apreciador de Heavy Metal e JUDAS PRIEST. 44 minutos de energia incessante. Ao vivo e em estúdio.
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