Resenha - Sonic Firestorm - Dragonforce
Por Sílvio Costa
Postado em 21 de maio de 2004
O Dragonforce é uma banda que está a quilõmetros de distãncia, em termos de qualidade, das centenas de bandas clones de Helloween, Gamma Ray e Stratovarius surgidas nos últimos cinco ou seis anos. É, sim, uma banda de metal melódico, mas não é "mais uma" banda de metal melódico. Alguns detalhes fazem com que o Dragonforce seja uma das bandas mais incríveis surgidas nos últimos tempos e que este Sonic Firestorm seja um fortíssimo candidato a melhor disco do ano.
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Em primeiro lugar, o background dos músicos da banda é algo, no mínimo inusitado. Três dos seis integrantes já passaram por bandas de black metal. Herman Li e Sam Totman tocaram no Demoniac - uma das maiores bandas da Nova Zelândia. O baterista David Mackintosh gravou dois discos com o grande Bal-Sagoth. Isto explica por que o Dragonforce é a banda de metal melódico mais rápida que eu já tive o prazer de ouvir e também explica por que, apesar da excelente performance do tecladista Vadim Pruzhanov, são os riffs furiosos criados por estes fantásticos guitarristas (de tão velozes, devem ter deixado Yngwie Malmsteen preocupado...) que determinam o direcionamento de todo o álbum. Poderíamos chamar o Dragonforce de "extreme power metal", já que a banda alia com perfeição a melodia com a velocidade e o peso típicos em grupos com propostas mais agressivas.
A faixa mais "black metal" do disco é Fury of the Storm. Com um lindíssimo refrão (o vocalista ZP Theart tem uma voz que lembra muito o Bon Jovi em seus melhores momentos), esta música tem levadas de bateria típicas de bandas como Dimmu Borgir ou mesmo o saudoso Immortal. Tudo isso acompanhado por muita melodia e por solos inacreditáveis. É claro que ao fazer referência a estes ícones do black metal não estou querendo dizer que o Dragonforce pratique um estilo parecido ou nada do gênero. O Dragonforce se aproxima do black metal apenas em termos de velocidade. Para comprovar o que eu estou dizendo, ouça a introdução de Fields of Despair ou a genial dobra de guitarra e teclado em Once in a Lifetime. A banda também cria climas intimistas, como na balada Dawn Over a New World (em que o grande destaque é mesmo a voz de ZP Theart) e também é capaz de momentos épicos, como em Soldiers of the Wasteland.
Este disco é capaz de conquistar mesmo quem não é fã de metal melódico (como é o caso deste que vos escreve). Isto talvez se explique pelo fato de o Dragonforce não se apresentar como uma banda típica do estilo. Apesar de as letras tratarem basicamente dos mesmos temas recorrentes em inúmeras formações do estilo, a mescla de influências (especialmente a forte presença de peso e velocidade características do black metal) acabam criando um som inovador. Nada mal, se levarmos em conta que a banda tem apenas cinco anos de existência (apenas três com o nome Dragonforce) e que este é apenas o seu segundo disco.
Quem quiser conferir "em cores" toda essa ladainha que estou falando, basta ir ao site oficial da banda (www.dragonforce.com) onde está disponibilizada a faixa My Spirit Will Go On para download. Quem não acredita que é possível praticar metal melódico sem querer ficar eternamente à sombra dos mestres do estilo deve conhecer o Dragonforce. Aliás, eu acho que o Timo Tolkki, em vez de ficar dizendo e fazendo bobagens, deveria conhecer esses jovens músicos ingleses e, quem sabe, aprender um pouco com eles. Sonic Firestorm é altamente recomendável para fãs de metal melódico e para aqueles que acham que boa música é feita com garra e muito talento.
Tracklist:
01. My Spirit Will Go On
02. Fury of the Storm
03. Fields of Despair
04. Dawn Over a New World
05. Above the Winter Moonlight
06. Soldiers of the Wasteland
07. Prepare for War
08. Once in a Lifetime
Line-up:
ZP Theart - Vocal
Herman Li - Guitarra, Backing vocal
Sam Totman - Guitarra, Backing vocal
Adrian Lambert - Baixo
David Mackintosh - Bateria
Vadim Pruzhanov - Teclados, Backing vocal.
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