De Dimebag Darrell até Rebecca Schaeffer: Quando a "paixão" passa de todos os limites.
Por Mateus Ribeiro
Postado em 10 de dezembro de 2018
Dia 08 de dezembro de 2004. Tinha tudo para ser mais um dia normal na vida de Dimebag Darrell. Caso você não saiba de quem estou falando, Dimebag foi guitarrista do Pantera, uma das maiores bandas de metal dos anos 90.Após o fim do Pantera, Dimebag montou o Damageplan, banda que tinha seu inseparável irmão Vinnie Paul como baterista.
E foi no distante, fatídico e inesquecível dia 08 de dezembro que a banda fez seu último show. Logo no início da apresentação, um maluco (que não merece ao menos ter seu nome citado aqui) subiu armado no palco, atirou em Dimebag e em mais algumas pessoas, o que resultou em quatro mortes, além de mais duas pessoas feridas. Entre as pessoas mortas, estavam Nathan Bray (fã da banda, que tentou impedir o ataque), Erin Halk (um funcionário do local), Jeff Thompson (segurança da banda) e Dimebag Darrell. O atirador foi morto por James Niggemeyer, policial que estava no local, o que evitou mais mortes, ou uma possível fuga do atirador.
A morte de Dimebag foi amplamente divulgada, causando uma comoção mundial. No Brasil, infelizmente, um palpiteiro (que provavelmente nunca ouviu um disco do Pantera na vida) utilizou seu espaço na maior rede de televisão do país para destilar o ódio contra o heavy metal, comparando shows com "missas negras", dizendo ainda que era "uma música péssima e sem ideal". Triste, mas nada surpreendente para um país onde o sensacionalismo reina, e vidas são tratadas com uma indiferença que chega a ser constrangedora.
Ninguém sabe ao certo a motivação do crime, mas muito se fala que o assassino era fã de Pantera, e não havia aceitado muito bem o encerramento das atividades por parte da banda. A solução encontrada pelo criminoso foi acabar com a vida de um dos fundadores da banda. Uma atitude estúpida, totalmente desnecessária, e que além de deixar milhões de fãs entristecidos, acabou custando a vida de quem cometeu o ato.
O assassinato de Dimebag se torna mais intrigante e icônico pelo fato de que também em um 08 de dezembro, só que em 1980, John Lennon foi assassinado. Da mesma forma que Dimebag, John foi baleado por um "fã", que alegou ter ouvido vozes, além de um monte de baboseiras que nem de longe justificariam um crime do tamanho de um assassinato. Dentre todas as besteiras proferidas pelo assassino, alegou que começou a odiar John Lennon por contas de suas declarações sobre Deus e religião. Motivações muito plausíveis, não? O assassino cumpre pena de prisão perpétua, e desde 2000 tenta liberdade condicional, falhando em todas as suas tentativas.
Infelizmente, esses não são casos isolados. Em 1989, a jovem modelo e atriz Rebecca Schaeffer também foi baleada por um "fã" ciumento, que já a perseguia desde meados de 1986, e que não gostou de ter visto a atriz protagonizando uma cena de amor tórrida, o que havia tirado dela a imagem de pureza e inocência. Em um ato muito singelo e inocente, a solução foi encontrada na bala de um revólver. Soa quase poético, não? Não contente, o cidadão que cometeu o crime disse que "Exit", do U2, foi uma das influências para ele perseguir a atriz.
Anos mais tarde, em 1995, Selena, uma cantora norte americana de muito sucesso, foi covardemente assassinada por uma pessoa obcecada, que além de ser responsável pelo fã clube, também era administradora de parte das lojas da cantora. A "fã", que desviava dinheiro dos negócios da cantora, ficou indignada quando seus crimes foram descobertos, e que consequentemente, perderia a confiança e a amizade de Selena. Protagonizou um ataque de ciúmes, e acabou com a vida da cantora, atirando pelas costas.
Selena até hoje é cultuada, enquanto a covarde atiradora passará o resto de sua existência na cadeia.
Todos os casos são tristes, seja você fã ou não, afinal, estamos falando de vidas. Cada caso com sua particularidade, todos possuem algo em comum: a "paixão" que acaba se tornando obsessão.
No caso de Dimebag, o fim não foi bem aceito. John Lennon desagradou uma pessoa por ter "traído" a sua confiança. Já Rebecca mexeu com os sentimentos mais apaixonados de um cara que ela nunca teve uma relação, mas se achava o dono do coração da jovem estrela. E Selena não aceitou os caprichos de uma pessoa que mesmo fazendo o errado, achava que estava certa, e que o outro lado da historia tinha obrigação de achar tudo normal. Todos pagaram com a vida, da maneira mais injusta possível.
Infelizmente, nos acostumamos com notícias parecidas. Basta ligar a TV, ler um jornal, ou entrar em qualquer grande portal, que manchetes similares irão pipocar. É o namorado ciumento que mata a namorada por ciúmes, é o pai espancando o filho por não entender as escolhas do herdeiro, é o "torcedor" que joga bomba no centro de treinamento porque não aceitou o desempenho do jogador, é o maníaco que persegue a vítima por se achar dono dela. Vale ressaltar também que apesar dos erros gigantescos, os culpados sempre tentam justificar os atos, geralmente da maneira mais absurda possível.
A relação pode parecer distante, mas não é. E esse comportamento parecido com o de Richard Ramirez tem se tornado cada vez mais comum, além de parecer longe de ter um basta. Dê uma olhada no seu círculo de amizades. A chance de você achar alguém "stalkeando" a vida alheia é grande. Isso não é bonito. Isso não é legal. Isso não é romântico. Isso é terrível. Isso é estupidez em grau elevado.
Nesta data tão triste, cabe a cada um de nós apenas lamentar sobre os ocorridos, e torcer para que todo esse sentimento de posse diminua um pouco, já que devido ao grande número de pessoas desequilibradas no planeta, é utopia imaginar que toda essa onda vá acabar.
Seja ouvindo "A New Level", viajando ao som de"Imagine", assistindo "My Sister Sam", ou bailando ao som do Tex-Mex executado por Selena, vale a pena tirar o dia de hoje (e todos os outros) para fazer algumas reflexões sobre nosso comportamento!
Um abraço, e até a próxima!
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