Pantera: Europa, Judas Priest e frango de merda
Por Felipoud Tramparia
Fonte: Rex Brown - Mark Eglinton
Postado em 13 de fevereiro de 2018
Os metaleiros americanos do Pantera ficaram em estado de êxtase, ao receberem o convite para abrirem os shows de uma turnê do JUDAS PRIEST.
Mas nem tudo foram flores nessa louca viagem pelo continente europeu. Os garotos texanos, ainda desconhecidos na cena heavy metal, passaram alguns perrengues dentro e fora dos palcos.
Esse grande passo na carreira do PANTERA, além de mais algumas loucuras, você confere no trecho retirado da biografia do baixista REX BROWN, do autor Mark Eglinton.
Quando estávamos em Toronto, em algum momento antes do Natal de 1990, tocando em um lugar chamado Diamond Club, chamamos a atenção de ROB HALFORD, que nos viu ser entrevistados - DIME usava uma camiseta do disco British Steel - na TV em seu quarto de hotel.
A sua banda, JUDAS PRIEST, também estava na cidade. Acho que, naquele momento, ele entrou em contato com DARREL, foi ao Diamond Club e, de repente, estava no palco tocando "Metal Gods" e "Grinder" conosco, músicas que costumávamos tocar quando fazíamos covers nas casas noturnas do Texas.
Logo depois disso, surgiu uma oferta para irmos à Europa com o JUDAS PRIEST, naquela parte da turnê Painkiller, em uma época em que pensávamos ser bons nesse negócio de turnê.
Foram três meses dividindo ônibus com os caras do Annihilator e, naquela época, na Europa, ninguém sabia quem éramos. Mas nem ligamos.
Éramos invencíveis e todos saberiam sobre nós, certo? Dezoito imbecis em um ônibus e simplesmente não era divertido.
Alguns dos caras apanharam algumas vezes, mas, no geral, nos dávamos bem.
Tocar com o JUDAS PRIEST causou mais problemas do que você possa imaginar porque, ao abrir para bandas como essa, o público fica impaciente para ver logo a banda principal: eles jogam garrafas com mijo em você e sabe Deus mais o quê, além de, muitas vezes, nem ligar pra banda de apoio, por princípios.
Não foi assim com o PANTERA, porém. Mais gente curtiu do que não curtiu. Era assim, com o PANTERA - tocávamos tanto e tão bem que eles tinham que gostar da gente.
Também tivemos muita sorte, mas éramos jovens e empolgadões demais para perceber isso.
Lá estávamos nós, um bando de moleques burros do Texas tocando na Europa em locais como K.B. Hallen, em Copenhague, onde bandas de verdade tinham tocado antes de nós - ZEPPELIN, BEATLES, - sabe, os caras grandes, que eu lia a respeito em livros como Hammer of the Gods e tal.
Eu adorava ler as histórias e o drama por trás das bandas de rock'n'roll e o que elas faziam nas turnês, ou seja, esses lugares realmente significavam algo pra mim.
Eu só queria ter passado mais tempo aproveitando aquelas cidades visitando pontos importante e explorando a cultura em vez de ficar jogado em um quarto de hotel, mas você nem pensa nisso quando é jovem e novo na cena.
Sim, nós queríamos dominar o mundo quando subíamos no palco, mas não curtimos a Europa como poderíamos; era tudo muito "estrangeiro" pra nós.
Estávamos acostumados em ter uns trocados no bolso e comprar uns burritos na loja de conveniência mais próxima.
Era basicamente disso que vivíamos: qualquer coisa que pudéssemos bancar.
Um sanduíche aqui, uma refeição para uma garota ali, qualquer coisa, então era bem esquisito comer esses lances que nunca havíamos provado antes.
Olha só, nos deram só alguns pedaços de pão, queijo e carne; se você não acordava cedo, se fodia.
Como DIME e eu acordávamos umas 3 horas da tarde, não havia mais porra nenhuma, e por isso acabávamos tomando cerveja.
Claro que VINNIE e DIME queriam as salsichas com feijão que sua mãe fazia ou o macarrão do jeito que ela cozinhava, mas você não encontra essas coisas na Europa. Phil e eu tínhamos a cabeça um pouco mais aberta, mas demorou um tanto para nos acostumarmos.
Afinal, não dá para viver só de frango na Alemanha. Tinha o mesmo gosto de merda do dia anterior e é a comida mais sem graça que você pode comer.
Essa matéria faz parte da categoria Trecharias BioRockers no Portalblog Misterial.
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