Blondie: a Marilyn Monroe não-trágica da música pop
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 16 de março de 2017
Difícil imaginar uma vocalista que tenha impactado como Debbie Harry, do Blondie. De Madonna a Lady Gaga, passando por (semi-)esquecidas como Dale Bozzio, Wendy James e Tracy Tracy, a coelhinha norte-americana foi símbolo sexo-musical dos anos 70/início dos 80. Mesmo quem não copiou descaradamente o visual de baranga glam de Harry, foi afetada. Christine, dos góticos Siouxsie and the Banshees tem seu quinhão de Blondie, por exemplo.
Fundado em 1974, o Blondie ganhou esse nome porque caminhoneiros e operários da construção civil viviam chamando Debbie Harry assim. Meio despenteada e com o cabelo mal tingido de loiro – ela mesma passava a tintura – a gostosona e seus companheiros, que mal conseguiam tocar afinada ou sincronizadamente, impactaram o movimento punk então nascente, numa Nova York falida, cheia de buracos, apagões e greves de lixeiros. No fétido e agora lendário clube CBGB, Deborah Harry e artistas como Ramones, Television, Talking Heads, Suicide, Patti Smith (que odiava Debbie por perceber nela o potencial de diva) ajudaram a delinear a música pop de gerações.
O documentário Blondie One Way or Another (BBC, 2006) delineia essa trajetória do underground ao topo das paradas mundiais, com as perdas e ganhos inerentes ao processo. O trabalho do produtor é essencial para confecção de gemas pop: a descrição da feitura da clássica Heart of Glass é notável nesse aspecto. Mas, na industrialização da música do capitalismo, esse profissional também pode (tentar) asfixiar uma banda, vendo-a como meros peões. Isso está igualmente bem descrito no documentário.
Quando o Blondie estourou – na Inglaterra, antes de nos EUA – e Debbie Harry tornou-se o tesão da virada 70’s pra 80’s, ela passara dos 30. Blondie One Way or Another mostra como o poder advindo da fama pode ser fugaz. No topo num ano, no poço no outro. Foi o que ocorreu com Blondie, corroído por litígios judiciais, uso de drogas muito pesadas, descaminhos financeiros e azar (uma doença genética num dos membros). The Hunter (1982) - último álbum antes da ressurreição blondiana, em 1999 – vendeu menos de 20 mil cópias! O documentário atribui o fiasco às drogas. Correto, mas também os tempos já eram outros. Basta ver o exagero do cabelão tipicamente oitentista de Debbie Harry na capa do álbum: ela não mais ditava a moda, mas a copiava. Ambições por carreiras-solo também não ajudavam muito, embora ninguém tenha tido sucesso sozinho.
Blondie ainda faz turnês e lança álbum de vez em quando e deixou legado respeitável para a música e cultura pop. Heart of Glass será sempre uma canção pop perfeita. E Debbie será sempre desejada quando os vídeos forem assistidos.
Recheado de depoimentos de integrantes da banda e outros músicos (Iggy Pop, entre eles, claro!, esse cara deve viver para gravar depoimentos agora!), Blondie One Way or Another não santifica Debbie Harry e dá razoável dimensão de parte da história da menina adotiva que fantasiava ser filha de Marilyn Monroe e se transformou em seu equivalente no universo da música popular.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Geddy Lee não é fã de metal, mas adora uma banda do gênero; "me lembram o Rush"
Bruce Dickinson já questionou a posição de Steve Harris no Iron Maiden
Jimmy Page celebra 25 anos de show do Iron Maiden no Rock in Rio III
Helloween coloca Porto Alegre na rota da turnê de 40 anos; show antecede data de SP
Shawn "Clown" Crahan fala sobre o próximo álbum do Slipknot: pausa agora, criação em andamento
O polêmico disco nacional que Renato Russo disse ser um dos melhores do rock de todos os tempos
Os baixistas que influenciaram John Myung, do Dream Theater
O hit do Van Halen que Eddie se recusou a regravar mesmo com erros técnicos na guitarra
Fabio Lione rompe silêncio e fala pela primeira vez sobre motivos da sua saída do Angra
Filmagem inédita do Pink Floyd em 1977 é publicada online
Cinco álbuns que foram achincalhados quando saíram, e que se tornaram clássicos do rock
A voz mais pura do rock de todos os tempos, segundo Bruce Springsteen
Com problemas de saúde, Mick Box se afasta das atividades do Uriah Heep
Fabio Laguna quebra silêncio e fala sobre não ter sido convidado pelo Angra para reunião
Como EP de apenas três músicas mudou o rumo do rock dos anos 2000, segundo a Louder


Apesar de ter um novo disco, Debbie Harry não sabe se o Blondie voltará à estrada
A canção punk que Frank Zappa adorava, e que talvez não seja tão punk assim


