A banda de Schrödinger: Um relato angustiado de uma fã viciada
Por Tayana Teister
Fonte: Metal Injection
Postado em 16 de outubro de 2015
Imagine você — true metalhead — que um dia ouviu a música de uma banda muito boa e logo pensou: "Isso é foda demais! Quero ouvir o álbum inteiro". E você o faz, incessantemente.
Você nota que, diferente das outras bandas, as músicas não te enjoam, por mais que ouça. Não são como um chiclete que vai perdendo o sabor e logo o obriga a mascar outro.
E aí você parte para o segundo álbum e percebe que não existe música que não o agrade, todas são perfeitas. Alucinado, você quer mais.
Então você descobre que não existe um terceiro álbum! A banda, porém, não deixou de existir oficialmente e você já está completamente viciado.
Procura fanpages, site oficial, twitter... Nada atualizado! Não existe um meio de comunicação sequer com a banda, nenhuma notícia, nada! Nada que possa pelo menos abrandar sua compulsão — e a essa altura você já está tomado pelo desespero, querendo consumir qualquer nova migalha dessa banda, já leu todas as notícias de 5 anos atrás, já viu todos os vídeos de baixa qualidade no youtube, já fez de tudo!
É hora de desistir.
Você procura novas bandas, escuta dez, quinze, vinte e algumas são ótimas, mas... tarde demais para conhecê-las. Por melhor que sejam, nenhuma é igual nem melhor que aquela banda. Nada o sacia, nada o preenche da mesma forma. Além disso, todas as outras bandas que você já gostava chegaram a perder ligeiramente o sabor.
Você, meu caro headbanger, havia aberto um considerável espaço no peito para caber aquela banda e agora tudo o que sobrou foi um enorme vazio impossível de ser ocupado.
Assim como o gato de Schrödinger, NECROPHAGIST está simultaneamente viva e morta.
Como metalhead, você deve conseguir imaginar o tamanho dessa angústia. Se ainda não conseguiu, imagine que o mesmo ocorreu com sua banda favorita ou qualquer outro objeto de idolatria.
Imagino não estar só nessa agonia. Imagino que outros fãs de NECROPHAGIST, assim como eu, estão engolindo esse nó da garganta, fingindo que essa angústia não existe, que o vício está controlado, mas a verdade é que continuam esperando, porque seus padrões nunca mais foram os mesmos. E a cada vez que tornam a ouvir a banda de Schrödinger, tornam a se atormentar com a mesma pergunta sem resposta de sempre: Quando teremos um novo álbum? (Se é que teremos um).
Eu continuo esperando — feito mulher de soldado em campo de guerra — que um dia MUHAMMED SUIÇMEZ volte.
Enquanto continuamos ouvindo os ecos de sua música, continuamos eternamente esperando.
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