Sepultura: matar por religião - análise de "Mass Hypnosis"
Por Rodrigo Lourenço Costa
Fonte: Blog HM - História e Metal
Postado em 21 de novembro de 2013
Análise:
A abordagem dos brasileiros do Sepultura acerca do tema "Terrorismo" está relacionada, principalmente, ao fundamentalismo religioso que permeia as guerras do Oriente Médio, mas não exclusivamente a elas. O titulo da canção, Hipnose em Massa, por si só diz sobre aquilo que a canção quer dizer: a religião que controla os povos cegamente.

A letra traz sentimentos como o medo e o ódio dialogando intimamente, o que nos remete à situação dos chamados "Homens Bombas". Logo na primeira estrofe, o trecho "The silence agonizes, the words sound strong / look inside the eyes, leave this world" explicita isso ao ouvinte, dizendo o quanto os líderes teocráticos (e aqui podemos tomar com exemplo mais óbvio os radicais islâmicos) incentivam aos seus comandados que cometam o sacrifício supremo em nome da causa religiosa. Uma morte gloriosa para uma recompensa no Céu, é a mensagem em "deixe este mundo"
A segunda estrofe continua, mas agora em tom mais crítico, de alguém que analisa a situação de fora: "Uncertain of being back / They make you feel so good /everything's darkened obey like a fool". A situação é muito clara, quando o eu poético diz que não há certeza no regresso dessas pessoas, quando elas saem para essas missões. Muitas vezes, eles não sabem que terão que se sacrificar, mas são treinados para isso, sendo obrigados a faze-lo no momento oportuno. E para muitos, isso é desejado, pois os líderes lhes falam de recompensas no outro mundo, e que morrerão como mártires da causa. Na visão externa (como é o eu poético representado na canção) "são tolos" que estão condicionados a obedecer cegamente.

O refrão traz a essência da mensagem quando diz "Hate throught the arteries / mass hypnosis", pois desde crianças os combatentes são ensinados a odiar, e os ressentimentos são usados como arma ideológica dos líderes teocráticos. E o restante do refrão nos confere novamente a visão dos homens bombas: "soldiers going nowhere /believers kneeling over their sins".
Como forma de enfatizar a crítica aos conflitos religiosos, a terceira estrofe é, sem dúvida, a mais contundente, porque primeiro fala de "líderes covardes" , que nunca estão na linha de frente dos conflitos, fazendo que os outros se matem por aquilo que eles querem. O trecho "Tens of thousands hypnotized trying to find a reason why look inside your empty eyes obey 'till the end" fala abertamente sobre exércitos que são movidos para uma guerra sem sentido pessoal, onde os soldados estão munidos de ideologias que lhes foram impostas, e as quais devem seguir cegamente até o fim.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | O fundamentalismo islâmico foi a resposta aos anos de dominação a que foram submetidos pelas potências ocidentais durante a Guerra Fria, e o mundo que nasce desses escombros é mais conflituoso do que belicoso. (HOBSBAWN, 1995, p. 540-541).
Em sua estrutura melódica, Mass Hypnosis segue linhas bem definidas do que o Sepultura apresentou no álbum "Beneath the Remains". Guitarras rápidas e sujas, bateria cadenciada permeada de bumbo duplo, muitas mudanças de andamento e um grande destaque às linhas de solo de Andreas Kisser, para depois voltar ao peso e rapidez costurados com a linha vocal super agressiva de Max Cavalera. Tudo isso dá uma construção perfeita para a letra, aumentando a tensão nas palavras do jogo de medo e ódio sugerido nela.

O assunto das guerras religiosas é tão rico para o Thrash Metal, que são infindáveis as bandas que falam sobre isso. O próprio Sepultura voltará ao assunto em 1991 em Arise, mas isso fica para a próxima.
Mass Hypnosis
Sepultura – Álbum: Beneath the Remains (1989)
Looking inside, your future uncertain
The fear grows as a sickness uncured
The silence agonizes, the words sound strong
Look inside the eyes, leave this world
Hate throught the arteries
Mass hypnosis
Uncertain of being back
They make you feel so good
Everything's darkened
Obey like a fool
Hate throught the arteries
Mass hypnosis
Soldiers going nowhere
Believers kneeling over their sins
Inhuman instinct of cowardly leaders
Make the world go their own way
Tens of thousands hypnotized
Trying to find a reason why
Look inside your empty eyes
Obey 'till the end

Looking inside, your future uncertain
The fear grows as a sickness uncured
The silence agonizes, the words sound strong
Look inside the eyes, leave this world
Hate throught the arteries
Mass hypnosis
Soldiers going nowhere
Soldiers blinded by their faith
Hipnose em Massa (tradução)
Olhando por dentro, seu futuro incerto
O medo cresce como uma doença incurável
O silêncio agoniza, a palavra soa forte
Olhe dentro dos olhos, deixe este mundo
O ódio corre pelas artérias
Hipnose em massa
Incerto em estar de volta
Eles te fazem se sentir tão bem
Tudo está obscurecido
Obedeça como um tolo

O ódio corre pelas artérias
Hipnose em massa
Soldados indo a lugar algum
Fiéis que se ajoelham sobre os seus pecados
O instinto cruel de líderes covardes
Faz o mundo andar à maneira deles
Dez mil hipnotizados
Tentando achar uma razão, o por quê
Olhe dentro de seus olhos vazios
Obedeça até o fim
Olhando por dentro, seu futuro incerto
O medo cresce como uma doença incurável
O silêncio agoniza, as palavras soam fortes
Olhe dentro dos olhos, deixe este mundo
O ódio corre pelas artérias
Hipnose em massa
Soldados indo a lugar algum
Soldados cegos por suas crenças
Referências:
ARIÓSTEGUI, Júlio. A pesquisa histórica: teoria e método. Bauru(SP): Edusc, 2006.
CHRISTIE, Ian. Heavy Metal: a história completa. São Paulo: Editora Arx,2010.
HOBSBAWN, Eric. Era dos Extremos: O Breve Século XX (1914-1991). São Paulo; Companhia das Letras, 1995
JANOTTI JÚNIOR, Jeder. Heavy Metal com Dendê: rock pesado e mídia em tempos de globalização. Rio de Janeiro: E-papers, 2004
NAPOLITANO, Marcos. A História depois do papel. In PINSKY, Carla Bassanezi (org.) Fontes Históricas. 2ª Edição, São Paulo: Contexto, 2010.
______. História e Música: História cultural da música popular. 3ª Ed. Belo
Horizonte: Editora Autêntica, 2005.
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