Max Cavalera: o luto e a ira que o levaram à gênese do Soulfly

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Por Nacho Belgrande, Fonte: Playa Del Nacho
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Do texto ‘Soulfly Is Born’, de autoria de GLORIA CAVALERA


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“Depois do show na [tradicional casa de shows de Londres e que agora mudou de nome] Brixton [Academy] e do colapso do Sepultura, nós voltamos para casa mentalmente exaustos e fisicamente esgotados. O Natal estava bem próximo e o clima em nosso lar era de desespero. Nós tentamos seguir em frente por causa das crianças, mas com o irmão deles tendo partido pra sempre, era quase impossível. Na véspera de Natal, nós recebemos uma carta dizendo que todo o saldo de todas as contas do Sepultura havia sido bloqueado pela justiça por causa da separação. Aquilo foi a gota d’água. Sem dinheiro, sem Sepultura e pior ainda, sem o Dana… a vida estava despencando, cada vez mais fundo, para o sombrio desconhecido.

Na manhã de Natal nós todos assistimos a um vídeo de nosso Natal no ano anterior. Dana estava entregando os presentes e Zyon estava pirando ao som de ‘Bored’, do Deftones. Parecia que fazia uma eternidade. Só o que podíamos fazer era dançar de acordo com a música.

1997 chegou como uma tormenta. O sol estava brilhando no Arizona, mas nossa casa estava repleta de melancolia. Max e eu estávamos lutando contra colapsos o tempo todo. Nós vivíamos da energia um do outro, um tentando segurar o outro. Nossas vidas eram tão frágeis nesse período.

Eu sabia que algo estava errado com a abordagem que a polícia havia feito do acidente que tirara a vida de Dana. Eu soube imediatamente que ele havia sido assassinado. Por que a polícia não conseguia ver isso?? Eu me aliei à namorada de Dana, Kristen Cameal, e nos tornamos investigadoras. Se a polícia não conseguia resolver esse mistério, nós o faríamos. Eu coloquei uma peruca de Cleópatra de uma fantasia de Halloween para cobrir meu cabelo verde, coloquei uma camiseta regata e fomos até os territórios das gangues. Eu nunca disse a Max ou qualquer outra pessoa o que estávamos fazendo. Eu não queria que ele se preocupasse conosco. Nós, garotas, não tínhamos nada a perder.

Max criara sua própria terapia. Ele montara seu equipamento de gravação na cozinha, como ele havia feito desde que ‘Chaos AD’ fora composto. De uma hora pra outra, ele era o Criador! A primeira música que ele escreveu foi “Eye For An Eye”. Eu só podia ficar maravilhada com o brilhantismo da composição dele! A paixão do estado emocional de nosso lar estava absorta na raiva e na dor dele. Suas letras originais, as quais ele revisou depois durante as gravações, diziam tudo…

“You stole what I create, playing with my fate, integrity is not a game.

Who do you think you’re fooling, pretending that you’re ruling,

Can’t you see it’s not the same…”

Fizemos uma curta viagem até Sedona, para um lugar favorito nosso, The Enchantment Resort. Tínhamos nos hospedado ali por muitas vezes antes e eu achei que poderíamos espairecer nossas mentes um pouco. Quando Roxanne, nossa filha, e eu chegamos, quase tivemos um ataque cardíaco! Bem ali no balcão da recepção, John Kennedy Jr., fazendo check in. Ficamos sem fala! Nossa, o cara ficava bonito de terno! Ele olhou pra gente, com meu cabelo verde gritando e disse ‘Diferentão!!’ Nós todas rimos. Saímos pro carro e contamos a Max e aos meninos sobre nossa aventura.

De cara, no quarto, Max pegou seu gravador de quatro pistas e começou a compor de manhã. Ele compôs o clássico ‘No’ nessa hora. A letra original também incluía ‘No JFK, No Courtney Love’. Talvez eu tenha dito que JFK Jr. era bonito por vezes demais pro gosto de Max…??

De volta ao lar, Max continuou a cuspir sucessos!! Eu ficava tão espantada cada vez que ele me deixava ouvir outra música. ‘Tribe’, ‘Primitive’, ‘Bumba’, ‘Quilombo’, ‘The Song Remains The Same’, elas saíam da mente dele como um breve pensamento! Mas também honrara um colega artista brasileiro que falecera em um acidente de carro logo após Dana cujo nome era Chico Science. Ele intitulou a faixa de ‘No Hope, No Fear’. ’Bleed’ foi escrita durante esse período de raiva e dor. Isso ajudou Max a liberar suas emoções em relação à falta de justiça e o sofrimento de perder alguém abruptamente para a violência. Ele também compôs músicas que nunca foram gravadas… ’Loser’ e ‘Judas’, dentre outras. Foi também nesse período que ele escreveu ‘Head Up’, uma fita cassete que ele levaria consigo até Seattle muito tempo depois. Eu sabia que meu marido estava se curando lentamente.

Eu liguei para Monte Conner na Roadrunner e disse a ele que Max estava pronto pra que ele ouvisse as músicas. Eu sabia que ele tinha músicas suficiente para um CD matador e eu percebia que Max estava pronto para entrar em estúdio. Nós fomos de avião até Nova Iorque, músicas na mão e fé no coração. Iríamos superar nosso período de trevas.

Nos reunimos com Cees, Wessels e Monte e discutimos a possibilidade de um novo contrato e sessões de gravação. Monte adorou as músicas e nós conseguíamos sentir um raio de luz entrar em nossas vidas. Eu expliquei que não tínhamos uma banda e garanti a eles que não demoraria até que tivéssemos uma formação. Para nossa surpresa, e esperanças secretas, nosso projeto foi aceito e um obstáculo gigante superado.

De volta à Phoenix, Marcelo Dias, um amigo de longa data foi contratado para tocar baixo. Lúcio, o guitarrista de Chico Science, foi chamado pra tocar guitarra e um jovem que havíamos acabado de conhecer, Roy Mayorga, oferecido o posto de baterista. Nós ainda não tínhamos ideia alguma do nome da banda. Ele viria muito depois, do nada, em companhia do Deftones.

Logo estaríamos em Malibu no Indigo Ranch, onde havíamos gargalhado com Dana e o Sepultura. Parecia a coisa certa a se fazer. Nós caminhamos pelos arredores da propriedade, em um penhasco que servia de mirante para um vale exuberante. Um cacto enorme guardava a vista. Talhados em sua macia plumagem estavam os nomes de amigos que haviam estado ali… Dana, Chino, KORN, e mais. Nós sabíamos que estávamos exatamente onde deveríamos estar…”

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande foi desde 2004 um dos colaboradores mais lidos do Whiplash.Net. Faleceu no dia 2 de novembro de 2016, vítima de um infarte fulminante. Era extremamente reservado e poucos o conheciam pessoalmente. Estes poucos invariavelmente comentam o quanto era uma pessoa encantadora, ao contrário da persona irascível que encarnou na Internet para irritar tantos mas divertir tantos mais. Por este motivo muitos nunca acreditarão em sua morte. Ele ficaria feliz em saber que até sua morte foi motivo de discórdia e teorias conspiratórias. Mandou bem até o final, Nacho! Valeu! :-)

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