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Ceará: referência nordestina do Metal pt. I

Por Leonardo M. Brauna
Fonte: Hell Maraka Rockers
Em 11/06/13

O Metal no Ceará vive um de seus melhores momentos. Uma cena que surgiu timidamente ainda na primeira metade dos anos oitenta vem progredindo a cada período de forma grandiosa e maciça, tornando o estado hoje como sendo um dos maiores representantes do nordeste e que hospeda uma das cenas mais pulsantes do Brasil. Com um foco maior situado na capital, Fortaleza e em um dos municípios da região metropolitana, Maracanaú, o que antes era chamado de ‘pequeno movimento’ hoje predomina praticamente em todas as grandes cidades também do interior. Sobral e municípios da região do Cariri contribuem fortemente para essa progressão, assim como localidades litorâneas a leste e oeste de todo o território cearense.

"Numa época sem internet, sem tecnologia e sem ambições... mas feitos com uma enorme paixão, que era alimentada com fogo pelo público Headbanger." Assim definia o líder da banda DARKSIDE, Tales Groo, a cena de duas décadas atrás em Fortaleza. É claro que o guitarrista se referia ao público que naquela época já impulsionava os seus representantes participando e apoiando-os em todos os lugares a que viessem tocar. Assim a banda continua hoje com um dos melhores lançamentos de 2012, "Prayers in Doomsday" que já é mostrado a todo o Brasil pela banda tanto nos palcos como pelo comércio de CDs. Porém Darkside é apenas um exemplo vivo, muito antes da própria banda surgir, a roda do metal era movimentada com muita dedicação por outros nomes, alguns que por motivos diversos não conseguiram se estabelecer, mas que deixaram marcas impressionantes assim como grupos que ainda estão vivos e arrancando elogios do o público.

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No início as expectativas para se conseguir um material eram muito maiores que as de hoje, pois as dificuldades de intercâmbio doíam muito no bolso do "headbanger", internet era algo que iria acontecer muito no futuro, telefone era item muito caro para se ter numa residência, DDD e DDI então custavam os olhos da cara para os pais daqueles adolescentes (a cena oitentista era formada basicamente por jovens estudantes), muitos apelavam para a utilização de cabines da extinta Teleceará para troca de algumas informações. O jeito era utilizar ao máximo o serviço de correios para troca de contatos, zines, DT’s e até compra de muitos dos lançamentos da época. Até mesmo com as primeiras lojas surgindo a prática do escambo era muito presente entre os fãs de metal. Discos e fitas k7 atravessavam oceanos até o seu destino, quando o primeiro ponto de venda de artigos heavy metal abriu, logicamente já se via garotos cabeludos usando camisetas com gravuras do Metallica, Slayer e Venom nas praças da capital, isso em plena ditadura militar.

As bandas que começavam a surgir enriquecendo a cultura underground do metal cearense em sua maioria tocavam mais pela paixão que por qualquer outra coisa. Bandas como LEPROUS que surgiu em 1987 e OBSKURE em 1989 foram as primeiras do metal extremo a apresentarem um trabalho de estúdio. Leprous lançou uma DT chamada "Welcome to Future" em 1989 sendo a banda pioneira do estado a lançar um trabalho no estilo Death/Grind enquanto que o Obskure um ano depois apareceu com a demo "Uterus and Grave" impressionando o Brasil com a qualidade de seu som. Outras bandas da mesma família que chamavam muita atenção do "pequeno público" oitentista eram EVOKER, VOMIT que veio antes da Leprous, W.O.D. antecedendo o Obskure, BRUTAL VERMES e tantas outras. Apesar de apenas algumas estarem vivas atualmente, todas foram marcadas a ferro na memória de cada headbanger "quarentão" de hoje. As que conseguiram registrar as suas músicas em estúdios, naqueles tempos tiveram que trabalhar muito para fazê-las. Conta Amaudson Ximenes (guitarrista-Obskure) que antes do lançamento de "Uterus and Grave", ele junto do seu irmão Jolson Ximenes, baixista da banda, tiveram que se desfazer de alguns LP’s e vender caipirinha em uma feira para custear as despesas cujos horários eram pagos em dólar. "Foram três horas de gravação e mixagem, e a hora de estúdio custava 20 dólares, a inflação atingia o patamar de 90% ao mês", disse Amaudson.

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Bandas com som mais voltado para o thrash metal e power metal com alta melodia nos riffs também figuravam na cena alencarina naquele período de "instabilidade econômica", INSANITY que lançou a primeira demo em 1990, "In Search of Reason", ganhou mais popularidade com a chegada do compacto de duas músicas, "Cryogenization" de 1991. Com isso a banda ajudou a divulgar incansavelmente o nome do Ceará na década de noventa com seus outros trabalhos, "Phobia" de 1993 e "Mind Crisis" de 1998. Mas se tinha um grupo que não chegou a gravar um full length e ainda assim recebe o status de lenda do metal cearense, esse pessoal atende pelo nome de BEOWULF. A banda assim como todas as outras citadas surgiu nos anos oitenta e deixou dois registros, "Beowulf - DT ‘90" gravada em outubro de 1990 e "The Black Forest", outra DT, essa gravada em setembro de 1992. A banda que fazia uma música muito bem encaixada na melodia utilizando riffs e solos virtuosos pode ser considerada uma das primeiras no Brasil a fazer power metal tendo em vista também o conteúdo de suas letras. A paixão dos cearenses por essa banda é tanta que o seu líder Silvio Beowulf (vocalista) está convocando os seus membros para uma reunião e com isso satisfazer o gosto dos antigos e do crescente número de novos fãs.

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Essa primeira parte é apenas uma idéia de como se formou os primeiros movimentos de uma cena que só vem crescendo e acrescentando mais qualidade ao metal brasileiro. Muito deverá ser dito e claro que cometerei o pecado de utilizar esse espaço apenas para um resumo, pois a força do metal cearense a ser comentada por completo merece rechear um livro de algumas centenas de páginas, porém alguns dos pontos mais importantes certamente serão lembrados com muito cuidado, veja a próxima matéria (link abaixo).

Ceará: referência nordestina do Metal pt. II

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Sobre Leonardo M. Brauna

Leonardo M. Brauna é cearense de Maracanaú e desde adolescente vive a cultura do Rock/Metal. Além do Whiplash, o redator escreve para a revista Roadie Crew e é assessor de imprensa da Roadie Metal. A sua dedicação se define na busca constante por boas novidades e tesouros ainda obscuros.

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