Van Halen: anos depois do VH 3, louros para Gary Cherone
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 25 de março de 2013
Se alguém já teve um emprego difícil, GARY CHERONE é uma dessas pessoas – e ele segurou a barra com estilo.
Como já é notório, essa semana marca o aniversário de ‘Van Halen 3’, lançado em 17 de março de 1998, o que torna o momento propício para dar algum crédito a Gary Cherone.
Em novembro de 1999, quando Gary Cherone separou-se oficialmente do Van Halen, você quase que podia imaginá-lo retratado, de volta à sua quebrada em Boston, respirando aliviado. Pelo menos é o que esperamos que ele estivesse fazendo. Afinal, quase três anos de constantes alfinetadas e críticas surtiriam efeito mesmo no mais casca-grossa dos homens, certo? Mas talvez não – até o fim, Gary mostrou notável personalidade, exalando uma confiança que poucos teriam tido sob as mesmas circunstâncias.
Apenas três anos antes, o Van Halen havia se separado de Sammy Hagar depois de uma jornada altamente bem-sucedida de 11 anos, supostamente por trazer de volta o vocalista original, David Lee Roth, para duas músicas em uma coletânea. Em seguida, eles também mandaram Dave passear. Vamos dizer que os fãs não estavam felizes.
Todo mundo queria Dave ou Sammy de volta. Poucos queriam qualquer outro que fosse – inclusive o cara que cantava no Extreme. Toda essa bazófia indubitavelmente afetou a banda de modo negativo quando chegou a hora de gravar o sucessor de VH3. Já há bastante pressão para se fazer grandes músicas sem legiões de estações de rádio, críticos de rock e fãs chamando a banda de desastre. Se você fosse Gary Cherone, você iria querer lidar com isso? Fica óbvio que as ‘diferenças criativas’ da banda eram mais resultantes da rejeição a um novo vocalista do que fracasso para compor juntos. Enquanto ‘Van Halen 3’ foi uma quebra de paradigmas, ele permanece sendo um dos álbuns mais únicos e surpreendentes que a banda já gravou. Teria sido interessante ouvir outra colaboração na rebarba de um ano juntos em turnê [ao invés dos anos de silêncio, que foi o que ganhamos].
O que nos traz ao ponto principal desse artigo: na iminência de circunstancias quase impossíveis e altamente inviáveis, Gary Cherone mostrou ter muita classe. O Van Halen é, faz tempo, uma das bandas mais sólidas dos EUA, com fãs protetores dispostos a andar pelo fogo em nome do rock de arena positivo no estilo VH. A mera inclusão de Gary na banda ameaçou fãs das antigas que temiam que o Van Halen não fosse nunca mais o mesmo [claro, as bandas nunca continuam sendo as mesmas, de um jeito ou de outro].
Então as massas se fizeram ouvidas, apesar de um frontman interessante, energético e jovial, que mostrava um grande respeito pela história da banda em cada um de seus quase 100 shows. O tratamento de Gary a clássicos que há muito a banda evitava como "Romeo Delight" e "Mean Streets" mereciam mais do que críticas, considerando que o vocalista anterior da banda agia como se elas não existissem, pra começo de conversa. Ao longo de toda a turnê de divulgação de Van Halen 3, Gary Cherone não fez nada além de tributos aos cantores que haviam vindo antes dele, ao mesmo tempo em que tentava arrebatar um pouco de respeito por si próprio no processo. Em um curto período de tempo, Gary conseguiu equilibrar uma química eletrizante no palco com Eddie, Alex e Mike, sem ter que profanar insultos aos antigos vocalistas da banda. Parabéns pelo trabalho bem-feito.
Em 2006, o Van Halen foi honrado com a admissão ao Rock And Roll Hall Of Fame. A empreitada de três anos de Cherone com o grupo não o estabeleceu como um membro elegível para a comenda. Contudo, na cerimônia transmitida pela TV, o ex-baixista do grupo, Michael Anthony agradeceu a Cherone por suas contribuições.
Atualmente, Cherone dedica-se esporadicamente ao Extreme, banda com a qual ele planeja voltar a gravar e sair em turnê ainda esse ano.
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