Bon Jovi: em 1986, "Slippery When Wet" entrava para a história
Por Erick Rabello
Postado em 19 de agosto de 2011
Em 1986 o Bon Jovi encontrava o pote de ouro com o lançamento de seu álbum de maior sucesso: Slippery When Wet. O álbum que sucedia o fracasso comercial de 7800° Fahrenheit, considerado pela critica especializada um dos piores trabalhos da banda e renegado até pelo próprio Jon.
O Bon Jovi havia saído de dois lançamentos sem grande impacto comercial. O primeiro álbum homônimo (1984) e o 7800° Fahrenheit (1985). As dívidas contraídas por Jon não permitiam que banda ganhasse dinheiro. Seguindo o conselho de Gene Simons e Paul Stanley (KISS), Jon e Richie aceitaram a ajuda do hitmaker Desmond Child para as composições. As primeiras canções a saírem foram Livin’ On A Prayer, Wanted Dead Or Alive e You Give Love A Bad Name ainda na casa da mãe de Richie Sambora, onde eles trocavam o dia pela noite. Isso quando não rolavam os shows. Até o Jon brinca sobre a composição de Wanted dead Or Alive no especial An Evening With Bon Jovi, de 1993.
Com as composições prontas, a banda fez as malas e se mandou para Vancouver no Canadá, onde o produtor Bruce Fairbarn (30.12.1949 + 17.05.1999) havia montado o Little Mountain Studio. Curiosamente Bob Rock (que produziu o álbum Keep The Faith, 1992), foi o engenheiro de som e responsável pela mixagem de Slippery. Nas sessões de estúdio, Jon Bon Jovi estava relutante em colocar Livin’ On A Prayer no álbum, pois ele achava que ela não tinha potencial para hit. Richie Sambora terminou convencendo-o do contrário. Ironicamente, a canção se tornou o maior hit da banda, reconhecido no mundo todo.
Dessa fase saiu também a canção Edge Of A Broken Heart que não entrou na versão final do álbum. Com quase tudo pronto, a banda lançou o primeiro single em 23 de julho de 1986. You Give Love A Bad Name caiu como uma bomba nas paradas americanas, subindo rapidamente para o primeiro lugar das paradas Hot 100 da Billboard. A essa altura, a banda estava abrindo a turnê do Kiss. Com o sucesso, a banda já podia vender sua própria turnê como banda principal.
Em 18 de agosto do mesmo ano era lançado o álbum. Ficando nas paradas de sucesso entre 1986 e 1987, catapultando 4 singles entre os 10 primeiros. Com isso, deu ao Bon Jovi o título de primeira banda de hard rock a emplacar dois singles consecutivos em primeiro lugar nas paradas. A banda torna-se queridinha da MTV. Vídeos em alta rotação no canal aumentam ainda mais o sucesso da banda e firma Jon Bon Jovi como um dos sex symbol do rock.
O segundo single lançado foi Livin’ On A Prayer, que rapidamente atinge o topo das paradas. Ela tinha um diferencial para as bandas da época. Era hard rock, só que mais acessível. Poderia ser tocada tanto nos rádios quanto na MTV e como diria o Dee Snider (Twisted Sister) "por que fazer cara de mau? Somos o Bon Jovi e estamos ganhando muito dinheiro!"
Com 28 milhões de cópias vendidas ao redor do mundo, 12 milhões só nos Estados Unidos, o Bon Jovi se transformou o maior fenômeno comercial do hard rock farofa (termo pejorativo para classificar o som da banda). Gravadoras buscavam o novo Bon Jovi e o estilo se firmava como um dos principais daquela década. Dominando as paradas de sucesso e a MTV até o surgimento do grunge em 1990.
O terceiro single foi Wanted Dead Or Alive, que seria o título do álbum, mas ficou só como título da canção. Um rock para cowboys, mostrando perfeita sincronia vocal entre Jon e Sambora. Atingiu o número 7 das paradas e se tornou clássico absoluto nos shows e na carreira da banda.
O quarto e último single foi Never Say Goodbye, composição de Sambora e Jon que demonstrava todo o potencial da dupla para escrever canções de amor. Nesse caso, sobre a namorada de Jon da época de escola que virou sua esposa.
A capa proposta inicialmente onde mostrava a blusa de uma mulher devidamente molhada e com os seios aparecendo na transparência, foi descartada por Jon porque ele não gostou da borda rosa e além disso, a banda enfrentaria problemas para vender o álbum na rede de lojas Wal Mart. A versão final ficou com o vidro molhado e o nome do álbum escrito.
25 anos depois estamos aqui seduzidos pela magia que esse álbum causou. Muitos odeiam o Bon Jovi até hoje, principalmente por causa dessa fase onde a banda estampava quase todas as capas de revistas especializadas, mas 28 milhões e o título de álbum de hard rock mais vendido da história não podem ser desconsiderados.
Catapultou a banda ao mega estrelato, transformou Bruce Fairbarn no midas do rock, produzindo posteriormente trabalhos para o Aerosmith, Poison, Scorpions, Van Halen, Kiss, INXS, Yes, AC/DC, The Cranberries, firmou o estilo como algo extremamente comercial e deu ao Bon Jovi uma longevidade que poucas bandas podem gozar. Além de tudo isso, o sucesso de Never Say Goodbye fez com que gravadoras apostassem em baladas como fórmula de sucesso. Inúmeras bandas seguiram essa linha como o Europe, Poison, Aerosmith, Whitesnake... a lista é bem grande.
Quantas bandas dessa fase e no estilo você consegue enumerar ainda na ativa?
Aproveite! Pegue o seu CD (vale MP3) e coloque pra tocar no último volume. Eu nem falei de canções como Let It Rock, Raise Your Hands e Wild In The Streets. Depois de 25 anos, um álbum merecer uma resenha critica positiva é porque ele foi e é relevante para a história do rock. E não foi à toa que foi incluído entre os 1001 álbuns que você precisa ouvir antes de morrer. Depois de escutá-lo, você só faltará 1000. Prova de que os trabalhos de Jon Bon Jovi, Richie Sambora, Alec John Such (fora da banda desde 1994), David Bryan e Tico Torres não passaram em vão.
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