REM
Por Catarina a Grande
Postado em 06 de abril de 2006
A banda REM se formou na cidade de Athens, Georgia, em 1980. Em seus anos de carreira, tornaram-se um dos raros grandes sucessos da música pop-rock a apresentar uma excelente qualidade musical e lírica. A formação clássica do REM consiste de Michael Stipe (vocais), Peter Buck (guitarra), Bill Berry (bateria) e Mike Mills (baixo), que se encontraram quando estudantes da Universidade da Georgia, em princípio apenas como uma banda de garagem para se apresentar em festas da escola.
Peter Buck, natural da Califórnia, rodou os Estados Unidos até chegar a Athens, indo trabalhar em uma loja de discos frequentada pela galera universitária. Lá conheceu Michael Stipe, estudante de Artes que compartilhava dos mesmos gostos musicais: rock sessentista e setentista, glam rock, punk. Só então foi se dedicar à guitarra – aos 21 anos. Dono de um estilo simples, sempre se concentrou mais nos fraseados e dos dedilhados do que em solos, lembrando um pouco o estilo de Roger McGuinn, do Byrds.
Michael Stipe, por sua vez, frequentava a república de Bill Berry e Mike Mills, dois comparsas de Macon, cidade próxima a Athens. Bill Berry, de Duluth, Minessota, mudou-se cedo para Macon, onde conheceu Mike Mills, um garoto de aparência nerd, bom moço, muito talentoso com a música. Se à primeira vista Mills não agradou o hipponga Berry, a má impressão durou pouco e uma grande amizade nasceu, criando também a cozinha indefectível do REM.
O encontro entre os quatro ocorreu e a banda não tardou a aparecer, fazendo a alegria dos colleges. A boa aceitação os levou a um contrato para a gravação de um single por uma pequena gravadora independente (I.R.S., do irmão de Steve Copperland, do Police), "Radio Free Europe", lançado em 1981. Ainda em 1981 saiu o EP "Chronic Town".
"Murmur" foi lançado em 1983, com grande aceitação por parte da crítica e já com o estilo da banda definido, arranjos criativos e rítmos variados. O álbum é, até hoje, considerado um dos clássicos do rock dos 80. Começaram bem os meninos, ainda que não almejassem o grande público. O terceiro álbum, "Reckoning" (cuja capa tinha a recomendação de "arquivar debaixo d’água"), sairia em 1984, seguido por "Fables Of The Reconstruction" de 1985 (seu álbum mais complexo e de pior aceitação). "Fables", gravado em Londres, foi concebido numa época de muita tensão entre os membros da banda, o que refletiu em uma sonoridade sombria e densa. Precisaram dar um tempo para que as coisas não acabassem por ali.
O "sabor" psicodélico do REM é deixado de lado aos poucos, mas a excelência continua com "Lifes Rich Pageant" (1986), o primeiro álbum com letras políticas ("Fall on me" e "Cuyahoga" – que significa o rio Ohio em uma língua indígena americana). O título do álbum provém de uma frase dita pelo inspetor Clouseau, personagem de Peter Sellers no filme "A Pantera Cor-de-rosa" .
"Document" (1987), com letras políticas, sobre o governo Reagan e sobre ecologia ("Welcome to the Occupation"), foi o primeiro álbum de reconhecimnto popular, com o hit "The One I Love". Mas também tinha belíssimas canções como "King of Birds", "Finest Worksong" e a famosa "It’s the end of the world (as we know it)". Foi também o último álbum pelo selo independente I.R.S. e, por outro lado, foi o primeiro a fechar a parceria entre REM e o produtor Scott Litt, que duraria até 1999.
Em 1987 também foi lançada uma coletânea de cover, out takes e lados-B – "Dead Letter Office". A versão em Cd traz como faixas-bônus as cinco canções de "Chronic Town". Em 1988, a IRS aproveita para lançar uma coletânea de hits, mais a versão (rara) de "Radio Free Europe" presente no single de estréia da banda.
Mas o ano de 1988 reservou mudanças: assinaram com uma major, a Warner, e começaram a gravar um álbum contando com participação de um músico extra - o conterrâneo Peter Holsapple, da banda The Pylon. Até então eles não admitiam ninguém estranho para ajudar nas gravações e nos shows.
Antes, as colaborações entre membros do REM e de outras bandas só ocorriam fora da banda, como a colaboração entre o compositor Warren Zevon e Peter Buck, Mike Mills e Bill Berry em um projeto paralelo, que rendeu dois álbuns: "Setimental Hygiene" (1987) e "The Hindu Love Gods" (1990). Peter Buck também participou de uma banda de jazz com outros músicos de rock, o Tuatara, com dois álbuns. Mike Mills participou, por sua vez, da Backbeat Band, o conjunto responsável pela trilha sonora do filme "Backbeat" (1995). Mas a lista de colaborações extra-REM é enorme – podemos encontrar a banda em trilhas sonoras (como a de Win Wenders "Until the End of the World"), tributos, membros espalhados entre projetos paralelos, pontas, canjas... enfim, os caras nunca para.
"Green" (1989) foi a prova de fogo para o público americano. O lançamento seguiu-se a uma extensa turnê de um ano e meio, registrada no vídeo "Tourfilm" (em que podemos ver não somente o cuidado com a imagem e a edição, mas também o terrível corte amoicanado de Michael Stipe, que admitiu ser aquele o corte mais ridículo de sua vida). Era a primeira vez que a banda fazia shows em grandes estádios e em várias partes do país. O álbum também teve seus hits, como "Stand", "Pop Song 89" (uma zoação em cima de "Hello I Love you", do Doors e em cujo clip Michael Stipe aparece à la vonté com três moças, cobertos todos de tarjas pretas, tirando um sarro com a censura), "Get Up", "I Remember California", "Orange Crush". Enfim, um disco que mostraria ao público os novos rumos tomados pela banda: abraçar o pop, alternando uma certa barulheira com números mais acústicos. Após o lançamento de "Green" a banda já era mais do que uma promessa de grande sucesso.
Depois de tanta correria com a turnê, os integrantes ficaram cansados e decidiram dar um tempo para cuidar cada um de sua vida. Bill Berry foi pescar na sua fazenda, Mike Mills dedicou-se a projetos paralelos, Stipe foi cuidar de sua produtora de video (C-Hundred Film Corporation) e Peter Buck continuou a ser desencanado como sempre. Mas como os quatro são grandes amigos, em poucos meses voltaram a se falar e um novo álbum começou a ser elaborado entre 1989 e 1991. Sem pressão da gravadora, o trabalho foi lento, mas o resultado foi recompensador.
A grande explosão ocorreu com "Out Of Time", de 1991, principalmente devido aos hits "Losing My Religion" e "Shinny Happy People" (dueto com a cantora Kate Pierson, do B-52’s, banda conterrânea do REM), sucessos mundiais. Um álbum de músicas simples e cativantes, de inegável qualidade, com muitas sonoridades acústicas misturadas a um rítmo contagiante. O REM ficou conhecido no mundo inteiro sem fazer sequer um show para promover o álbum. Para muitos era a primeira vez em que se ouvia falar no REM (fora do circuito "descolado") e o sucesso da banda foi uma das primeiras revitalizações do rock nos anos 90, antes do sucesso de Seattle.
O álbum rendeu um vídeo de clips chamado "This Film is On" (verso retirado de "Country Feedback"), boa parte deles feitos sob a supervisão de Stipe. "Losing My religion" ganhou sete astronautas de prata no MTV Video Music Awards de 92 (fora indicado em nove categorias) e ganhou o Grammy de melhor performance rock de 92. O vídeo foi um dos poucos até então a centrar-se na figura de Stipe, já que o REM nunca fez questão de realizar clips convencionais, em que o cantor canta e a banda toca, sempre escolhendo colagens e filmagens inusitadas para retratar na tela suas canções. "Losing My Religion" foi feito por um diretor hindu de vanguarda, Tarsem.
A tendência de valorizar arranjos acústicos se confirmaria com "Automatic for The People" de 1992. O nome foi tirado de um pequeno restaurante de Athens. É um álbum igualmente belíssimo e muito mais acústico do que "Out Of Time". Teve partcipação de violoncelistas, que deram uma sonoridade muito especial a canções como "Sweetness Follows" e "Drive". O hit absoluto foi "Everybody Hurts", além de "Man on the Moon".
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
O ano de 1993 foi um ano interessante para o REM. Peter Buck se separa, casa de novo e tem gêmeos! Cansados dos banjos e das cordas, a banda retorna a fazer um som pesado, recheado de guitarras, com uma dose extra de barulho. "Monster", de 1994, foi um retorno aos arranjos elétricos anteriores. As letras se tornavam mais alegres e menos intimistas. Há inclusive uma música dedicada a Kurt Cobain ("Let Me In"), que havia se suicidado naquele ano. River Phoenix também se fora, e o álbum foi dedicado a ele. Pode-se ouvir muito de Neil Young também. A turnê do álbum, porém foi controversa: Stipe teve de ser operado para retirar uma hérnia, Mike Mills também teve de ser operado do estômago e, mais grave, Bill Berry desmaiou em um show na Suiça, aparentemente sem motivo nenhum – exames foram feitos e foi descoberto um aneurisma cerebral. Ele foi operado e não teve sequela alguma, mas o susto o fez repensar sua carreira.
O sucessor de "Monster" foi "New Adventures in Hi-Fi" (1997), seguindo o som trilhado pelo álbum anterior. Possui um dueto entre Stipe e Patty Smith, uma de suas ídolas supremas ("E-Bow Letter"). O hit é "Bittersweet Me". Não é um álbum brilhante nem o REM alcançou grandes posições nas pardas – mas para os fãs, nada disso importa, pois ainda é o REM.
Essa convicção ficou abalada entre muitos fãs após a saída de Berry da banda em 98. Berry queria fazer algo diferente de sua vida e voltou-se para sua fazenda com a a mulher e a filha, ambas chamadas Mary. Os três quartos restantes já planejavam uma mudança no som, abrindo-se de forma drástica para o experimentalismo no estúdio, utilizando-se de recursos eletrônicos (sem cair no eletrônico, diga-se) e abusando da troca de instrumentos entre os músicos. O resultado é "Up" (1999), que, ao contrário do que o nome indica, é bem baixo-astral. Um álbum diferente de tudo o que a banda havia feito até então. O experimentalismo fica por conta dos arranjos, que sobrepuseram várias camadas de sons que pouco se repetiam. O pop ainda está lá, mas não é mais o mesmo – como se vê no hit "Daysleeper".
Bill Berry andou retomando as baquetas para um concerto beneficente que reuniu diversos artistas para ajudar uma fundação que cuida de doentes da Síndrome de Pierrete, mas nada que o reconduzisse ao REM novamente.
Stipe meteu-se na produção de um filme sobre o glam rock, chamado "Velvet Goldmine", que contaria a história das principais figuras do gênero – Bowie, Iggy Pop, Lou Reed, Marc Bolan. Emprestaram sua música "Man On the Moon" para o filme biográfico do comediante Andy Kaufmann (a canção havia sido feita em sua homenagem em 93), cujo clipe é tão bonito quanto "Losing my Religion". O REM apareceu ainda no último "Saturday Night Live" de 1999 como banda convidada, rendendo a Stipe uma participação como fada–madrinha do personagem Mango (de Chris Kattan).
Após a longa turnê durante 98 e 99 para promover "Up", o REM voltou a se preparar para um novo álbum. O resultado foi o belíssimo álbum de nome "Reveal", lançado em maio de 2001 e recheado de baladas que selam o uso de elementos eletrônicos no som da banda. De cara, emplacaram o hit "Imitation Of Life". O Brasil foi o primeiro país a conhecer algumas músicas desse álbum, já que a banda apresentou duas delas no Rock’n Rio III quatro meses antes do lançamento do mesmo. Também destacam-se "I’ll Take The Rain" e "The Lifting".
Antes do novo álbum, prometido para 2003, os fãs foram premiados com dois belos trabalhos. Um deles foi o projeto "r.e.m.IX", que consiste em dez remixes totalmente eletrônicos de faixas de "Reveal", que podem ser baixados gratuitamente no site oficial da banda. O segundo foi o "MTV Unplugged" (acústico) gravado um mês depois do lançamento de "Reveal". O show conta com dezessete faixas, que cobrem os vinte anos de carreira do REM.
Agradecimentos: Guilherme Porto Eddino
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Dave Mustaine afirma que setlists dos shows do Megadeth são decididos em equipe
As únicas três músicas do Sepultura que tocaram na rádio, segundo Andreas Kisser
O país em que Axl Rose queria tocar com o Guns N' Roses após ver Judas Priest brilhar lá
A música dos Beatles que tem o "melhor riff já escrito", segundo guitarrista do Sting
AC/DC nos anos 70 impressionou Joe Perry e Eddie Van Halen: "Destruíam o lugar"
Evanescence lança música inédita e anuncia novo disco, que será lançado em junho
Anika Nilles conta como se adaptou ao estilo de Neil Peart no Rush
5 bandas dos anos 70 que mereciam ter sido bem maiores, de acordo com a Ultimate Classic Rock
Andreas Kisser fala sobre planos para o pós-Sepultura e novo EP
As 11 bandas de metal progressivo cujo segundo álbum é o melhor, segundo a Loudwire
O maior álbum grunge para muitos, e que é o preferido de Eddie Vedder
"Deveríamos nos chamar o que, Iron Maiden?": Geddy Lee explica manutenção do nome Rush
As três bandas de prog que mudaram para sobreviver ao punk, segundo o Ultimate Guitar
Quando Renato Russo preferiu ficar em casa com o namorado a gravar com os Paralamas
Yes anuncia detalhes do seu novo álbum de estúdio, "Aurora"
O que Bruce Dickinson tinha que faltava a Paul Di'Anno, de acordo com Mike Portnoy
A opinião de Humberto Gessinger sobre o Mamonas Assassinas
Os três músicos que tocam juntos e que, para Rick Rubin, são o máximo da musicalidade

A banda dos anos 80 que Pete Townshend trocaria por 150 Def Leppards
A música sem riff de guitarra nem refrão forte que virou um dos maiores clássicos do rock
Como uma brincadeira entre Michael Stipe e Kurt Cobain foi parar em sucesso do R.E.M.
Jaco Pastorius: um gênio atormentado
Para entender: o que é rock progressivo?
