Area
Postado em 06 de abril de 2006
Por Clárk Pellegrino
O Area foi um grupo singular na história do Rock Progressivo mundial, por ter sido, talvez, o mais pluralista de todos. Suas composições foram ricas em todos os elementos da música contemporânea, incluindo Rock, Eletrônica, Jazz e atonalismo. Mais do que isso, a banda se envolveu com teatro, pesquisas sonoras e política de alto nível. Muita política mesmo! Na segunda metade dos anos setenta, quando a Itália atravessava um dos momentos mais conturbados dos últimos 30 anos, o Area se engajou na luta dos trabalhadores, realizando concertos em fábricas, assembléias sindicais e festas populares. Ao contrário das grandes e famosas bandas da época, que tocavam para milhões (ou por milhões), o Area era a banda do povo, ou como disse Milton nascimento: "todo o artista tem que ir aonde o povo está".

A banda foi formada em 1972, pelo vocalista e multiinstrumentista Demetrio Stratos, nascido em 1945, em Alexandria, no Egito. Stratos fez parte de um outro grupo chamado I Ribelli e fundou o Area num período em que estava empenhado em mudar radicalmente de vida, realizando pesquisas cientificas sobre os recursos da voz. Ele declarou certa vez à imprensa que foi uma grande sorte ter conhecido seus companheiros de conjunto num momento tão importante. Os colegas fundadores foram: Paolo Tofani (guitarra), Eddy Busnello (saxofone), Patrick Djivas (baixo), Giullio Capiozzo (bateria) e Patrizio Fariselli (teclados).
Em 1973, foi lançado o 1º LP Arbeit Macht Frei, um marco para o Rock Progressivo, pois este disco trazia uma mistura de música experimental eletro – acústica com influências jazzísticas e Música Folk, alguns dizem que há muitas influências de grupos ingleses de Jazz-Rock, tais como o Nucleus e o Soft Machine, tais influências existem, mas, com muita personalidade própria. Apesar dessas influências, o vocal de Stratos conferiu um sabor bem próprio ao disco. Basta ouvir este clássico e tirar suas próprias conclusões. Logo na primeira faixa, ele se contorce inteiro para proferir versos dramáticos como "jogar com o mundo, fazendo em pedaços meninos que o sol precocemente envelheceu. Não é minha culpa se tua realidade me induz a fazer guerra contra a indiferença. Talvez assim saberemos o que quer dizer afogar em sangue toda a humanidade".
Esses trechos são da faixa luglio, Agosto, Settembre (Nero).

No ano anterior, a chacina nas Olimpíadas de Munique havia abalado o mundo. No disco, o Area perpetuou a amargura da tragédia.
Após o primeiro disco, Patrick Djivas foi para o PFM e Busnello saiu de cena. O conjunto admitiu Ares Tavolazzi para o lugar de Djivas e se reduziu a um quinteto. No ano seguinte é lançado Caution Radiation Area, e a banda excursiona por vários paises, incluindo Cuba e Ioguslávia. Ainda em 1974 lançam "Crac!", outra pérola! Em 1975 lançam o ao vivo Are(A)zione.
Até 1975, o grupo seguiu com uma certa linearidade, mesmo com todos os percalços que os vanguardistas natos sempre enfrentam. Em 1976 no disco Maledetti, o grupo chegou ao ponto de incorporar dois músicos norte-americanos que estavam de passagem pela Itália. Eram eles: Paul Lytton (percussão) e Steve Lacy (saxofone). Mas a partir dali as coisas começam a se abalar. Inexplicavelmente, Capiozzo fica fora por um tempo. Por outro lado, a saúde de Demetrio entra em declínio.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Nos dois anos seguintes, o Area foi uma incógnita, mas em 1978 lançam: 1978 Gli Dei Se Ne Vanno, um bom disco de estúdio, mas, sem a presença de Tofani. Depois disso, a saúde de Demetrio foi piorando. A imprensa italiana fez muito mistério sobre sua doença, limitando-se a relatar que era um mal incurável. Ventilou-se a hipótese de que ele teve um problema sanguíneo grave, por conta de ter tomado muitos antibióticos por causa de infecções na garganta. Todavia, essa história nunca foi confirmada. O que se sabe de concreto é que foi definhando, a ponto de ser levado às pressas para um hospital de New York, onde faleceu a 13 de junho de 1979.
Neste mesmo ano foi lançado outro álbum ao vivo, o excelente e item obrigatório: Event 76, em que Demetrio mostrava toda a sua força a garra também ao vivo. Gravado em 1976, em uma aula de abertura do ano letivo da Universidade Federal de Milão, foi um disco póstumo, lançado após a morte de Demetrio.

Chegava assim ao final uma das principais lendas do rock de todos os tempos. Em 1980, Capiozzo, Tavolazzi e Fariselli tentam continuar, produzindo um disco instrumental chamado: Tic & Tac, voltado mais ao Jazz-Rock, sem o Progressivo e o experimentalismo adotado anos anteriores como linguagem, mas estava faltando alguma coisa, talvez o brilho, a garra e a força do grande Demetrio Stratos.
Após quatorze anos de total silêncio, em 1996 o grupo retorna com Giulio Capiozzo (bateria) e Patrício Fariselli (teclados), (seus membros originais), e gravam um novo disco chamado: CHERNOBYL 7991, contando ainda com Paolo Dalla Porta (baixo) e participações de Do Pietro Condorelli (guitarra em Wedding Day e Deriva – sogni Sognati Vendesi), John Clarck (sopros em 15.000 umbrellas), Gigi Cifarelli (guitarra em Chernobyl 6991), Stefano Bedetti (sax tenor em Mbira & Orizzonti) e Marino Paire (vocal em Fall Down).

DEMETRIO STRATOS: UMA HISTÓRIA A PARTE...
Vamos chamar a atenção para o grande líder Demetrio Stratos, foi um dos maiores cantores que o rock como um todo já conheceu.Stratos foi elogiado inclusive por muitos artistas. Um de seus admiradores é o Fred Frith, que chegou a opinar a seu respeito numa matéria sobre a música progressiva de todo o mundo, para a revista norte-americana Trouser Press.
Demetrio nasceu em Alexandria, no Egito, em 1945. Naquela mesma cidade, estudou piano e harmônica, no Conservatório Nacional. Durante a adolescência, mudou-se para a Itália, onde estudou arquitetura, no Instituto Politécnico de Milão. No inicio dos anos setenta, alem de aprofundar seu interesse em musica contemporânea, iniciou uma série de pesquisas a respeito da voz. Em 1972 fundou o Area.

Em 1973, Demetrio passou a ter contato com pessoas importantes nas áreas de pesquisa cientifica. Em 1974, em uma das excursões da banda, mais precisamente em Cuba, Stratos foi convidado pelo ministro da cultura para um encontro com uma delegação de músicos da Mongólia, para debater sobre vocalização do Extremo oriente. Foi nesse mesmo ano que Demetrio viveu sua primeira experiência discográfica fora da banda, quando gravou um LP com temas do compositor norte-americano contemporâneo John Cage. Esses contatos iriam levá-lo, em 1976, a colaborar com o Instituto de Glotologia da cidade de Padova, bem como o com o Centro de Foniatria da mesma cidade, em estudos sobre os limites da linguagem.
Em 1978, Stratos deixa a banda, e registra dois álbuns solo, alem de ter colaborado com o pesquisador Ermanno Crumm, de uma revista de psicanálise, em estudos sobre linguagem e psique. Até falecer em 1979, aos 34 anos.
Sua morte sensibilizou muito a juventude italiana, e em especial os músicos. Muitas homenagens lhe foram prestadas, em muitos concertos. O Premiata lhe dedicou uma musica, no disco "Suonare Suonare", com o titulo "Maestro Della Voce".
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